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ESPECIAL Muro de Berlin Imprimir E-mail
07 de novembro de 2009

VINTE ANOS DA QUEDA DO MURO DE BERLIM

W. J. Solha
Especial para A UNIÃO

Sempre saberei o que estava fazendo em maio de 89: pintava, full time, no subsolo do Sindicato dos Bancários da Paraíba, na Beira-Rio, durante o mês inteiro, um quadro de 1,60 X 3,60m, que seria destinado ao restaurante da entidade: uma Ceia Larga em que, em lugar de Jesus, Marx dizia "Um de vós me trairá", causando a reação leonardesca de seus apóstolos devidamente aureolados, Mao, Trósty, Ho-Shi-Minh, Allende, Guevara, Stálin, Lênin, Fidel e... Gorbachev (que, sintomaticamente, coloquei com a mão na cabeça).

Algum tempo antes, a filha de Luís Carlos Prestes e Olga Benário - Anita Leocádia - estivera em minha casa para me pedir que fizesse um cartaz comemorativo dos 60 anos da Coluna Prestes, e a pessoa que a trouxera até mim me disse, nos anos 90, que num encontro internacional, em Havana, para se discutir a situação de Cuba, um congressista dissera que ninguém poderia ter previsto a derrocada da União Soviética, ao que um brasileiro aparteara:

- Não senhor: lá na Paraíba, no Nordeste do Brasil, um bancário pintou um quadro enorme para o sindicato dele, prevendo o desmantelo.

Esse desmantelo, na verdade, só não o previu quem não quis. "A Revolução dos Bichos", de George Orwell, mostrando que a coisa degringolara na União Soviética, é de 1945. "1984", em que esse autor inglês nos passa uma imagem aterradora do estado totalitário, é de 48. Onze anos antes, Pagu - desiludida com o Partidão, depois de vê-lo condenando-a pela participação nas manifestações altamente reprimidas contra a morte de Sacco e Vanzetti no Brasil - partira para a Rússia, para ver in loco o regime com que tanto sonhava para nós, e escrevera de lá, para o Oswald de Andrade: "Moscou é uma sopa fria". Em 57, Bóris Pasternak publicou na Itália seu "Doutor Jivago", e foi outro impacto. O livro fora proibido na então União Soviética, por conta de suas críticas ao regime comunista, mas seus originais, contrabandeados para Roma, tornaram-se no best-seller que conhecemos, e fizeram do romancista um ganhador do Nobel de Literatura no ano seguinte. Impedido de receber o prêmio, no entanto, o escritor acabou - para escarmento das esquerdas do mundo todo - obrigado a devolver a honraria, permanecendo a proibição de publicação de "Doutor Jivago" dentro da URSS até 1989, quando a política de abertura de Mikhail Gorbatchev, então líder do gigante euro-asiático, liberou a publicação da obra.

Em 70 a Suécia provocou escândalo igual ao laurear Alexander Soljenitsen, que, em 73, chocaria ainda mais o mundo com as denúncias do Arquipélago Gulag, no qual a Rússia sob Stálin era apresentada como um oceano cheio de ilhas de campos de concentração.

Por volta de 1976, quando eu escrevia meu romance "A Verdadeira Estória de Jesus" (lançado pela Ática em 79), li "O Homem e seus Símbolos", de Carl Gustav Jung, em que, ao lado de uma foto do Muro de Berlim, o psiquiatra suíço comentava:

- Nosso mundo encontra-se dissociado como se fora uma pessoa neurótica, com a Cortina de Ferro a marcar-lhe uma linha divisória simbólica.

Deslumbrado pela descoberta desse grande discípulo dissidente de Freud, foi com amargura que o vi dizer que o sonho comunista - o meu! - era mais uma cria do velho arquétipo "da Idade de Ouro (ou Paraíso) quando haverá abundância para todos, com um grande chefe, justo e sábio, reinando dentro de um jardim de infância humano".

Jardim de infância!

E no lado de cá?

- Também nós acreditamos - diz ele - no Estado da Providência, na paz universal, na igualdade do homem, nos seus eternos direitos humanos, na justiça, na verdade e (não proclamemos alto demais) no Reino de Deus sobre a Terra.

Aí, em 1983, os responsáveis pelo Nobel deram novo solavanco no Muro de Berlim e na União Soviética, premiando Lech Walesa, um dos fundadores e líderes do sindicato Solidarno?? (Solidariedade). Três anos antes, Walesa estivera à frente do poderoso movimento grevista dos trabalhadores do estaleiro de Gdansk, que se alastrara para outras empresas polacas, do que resultaram várias conquistas trabalhistas. Mas em 81 foi imposta a lei marcial na Polônia, o Solidariedade passou a ser considerado ilegal, a maioria dos líderes foi presa, inclusive Walesa, e o país passou a ser governado com truculência jamais vista pelo general Wojciech Jaruzelski.

Foi nessas circunstâncias, com angústia, que assumi uma função (embora sem importância) na direção - toda petista, com exceção de mim e do presidente Luis Nelson - do Sindicato dos Bancários da Paraíba. A luta dos companheiros - com minha modesta participação - derrubara o pelego que controlara a categoria por muitos anos, mas me senti tão depressivamente inútil, na minha nova posição, ante a crise mundial das esquerdas, que me ofereci para pintar a tal Ceia, para o que obtive aprovação unânime da diretoria. A ideia me acudira quando eu almoçava no nosso restaurante, num dia de mais pasmaceira que os outros - muito distante das campanhas salariais -, e olhei para a parede vazia à minha frente. Ela me lembrou a do "ristorante" do convento da igreja de Santa Maria delle Grazie, de Milão, que Leonardo fora contratado para preencher com sua célebre "Última Ceia". A isso se acrescentou o que Jung dissera em "O Homem e seus Símbolos", e a leitura que eu fazia, naqueles dias, da "História da Filosofia Ocidental", de Bertrand Russell, onde ele traçava igual comparação entre marxismo e cristianismo, Cristo e Marx, sendo substituídos a Igreja e o Reino dos Céus pelo Partido e por uma Classe Operária que, certamente, como ele, demandaria o Paraíso.

E eis que na noite de 9 de novembro de 1989... o Muro de Berlim.... desaba!

Assisti a essa queda pela TV, sentindo-me como no início do "Laranja Mecânica", de Kubrick, quando a cena abre para um grupo de jovens mal-encarados que bebe ao som da tão suntuosa quão pungente "Música para o Funeral da Rainha Mary", de Henry Purcell, Ah, sim: flores, muitas flores em Berlim; aplausos, muitos aplausos em Berlim; champanhe, muita champanhe; e tome golpes de picareta e marreta. Mas a minha marcha fúnebre prosseguiu quando vi, no ano seguinte, a enorme estátua de meu idolatrado Lênin sendo desarraigada do aramado de ferros do pedestal e içada por um guindaste, no porto de Gdansk, na Polônia, num ato aplaudido por operários do Solidariedade, ansiosos pela retomada de suas orações à virgem negra de Chestoshowa, proibidas pelo antigo regime. Eu me senti... desmoralizado. Desmoralizado meu eterno discurso para os filhos, sobre a utopia que nos propúnhamos; desmoralizada minha peça "O Vermelho e o Branco", montada em 68, lá em Pombal, mobilizando toda a estudantada da cidade... e severamente proibida, em seguida, pela Censura Federal. Desmoralizada a "Cantata pra Alagamar" que eu escrevera para a música de Kaplan, enaltecendo a luta campesina pela reforma agrária, através dos ditames gandhianos da não-violência. Desarticulada aquela minha sensação de que, fizesse o que fizesse, haveria um irmão mais velho - a União Soviética - bem mais forte do que eu, para me defender nos possíveis choques e mostrar, com sua incrível experiência e inesgotável sabedoria, que EU estava certo. Mas que fazer agora, quando era revelado que durante os vinte e oito anos de existência do Muro da Vergonha oitocentos e nove pessoas tinham sido mortas ao tentar transpô-lo pra fugir do comunismo, enquanto cerca de setenta e cinco mil alemães orientais eram presos tentando o mesmo?

Claro que, antes disso, um imenso mal-estar me vinha toda vez que eu via, de um lado, uma meia Berlim de primeiro mundo toda iluminada e, do outro, uma cidade atrasada e velha, triste, pobre e apagada, ao que eu anotava, a lápis, para mim mesmo: "Por que Moscou nem ao menos tenta passar uma imagem de fartura e modernidade, por que não faz ali um cenário, não nos engana?"

Estes últimos vinte anos foram o da difícil cicatrização do corte feito na cidade de Berlim, na Alemanha, no mundo reunificado. Até algum tempo atrás, comentava-se o fato de que apenas dois por cento dos casamentos ocorridos na capital, agora dividida somente pelo Rio Spree, foram entre alemães do lado oriental com outros, do ocidental. Foram injetados mais de um trilhão de dólares na antiga RDA - República Democrática da Alemanha - mas nem isso, nem os incentivos fiscais e subsídios concedidos atraíram iniciativa privada suficiente para a equiparação dos dois lados. Nos anos 90 ainda havia muito desemprego. Mas agora, depois de tanto empenho, estão eliminadas todas as diferenças tecnológicas e econômicas entre as duas bandas do país e a terra dos germanos voltou a ser uma só. A Deutshland!

Ficou-me, no entanto, a sensação de um fracasso particular. Como Pound - que militara com a intelligentsia de Mussolini na segunda grande guerra - tive vontade de dizer "ao ser flagrado": Eu. Fui. Um. Estúpido. Ah, é tanta gente feliz com Mickey e Minnie, o Elvis Presley e Michael Jackson, Woody Allen e Tarantino! Cara, não gosto de ver Bono Vox, do U2, feliz com tanta "benevolência do mundo". Mas que fazer?!...

O fato é que amanhã, segunda-feira, 9 de novembro de 2009, nas comemorações do 20º Aniversário da Queda do Muro, no Portão de Brandenburgo, Lech Walesa derrubará a primeira pedra - de 2,5 m de altura - de um dominó gigante que, ao longo de um quilômetro e meio, acompanhará o antigo traçado entre o Reichstag e a Potsdamer Platz, diante da chanceler alemã Angela Merkel, dos chefes de Estado e do Governo da União Europeia, dos Estados Unidos e da Rússia, além do ex-líder soviético... Mikhail Gorbachev.

Que é que se pode fazer?

C´est la vie.

Uma pequena história do Muro

Símbolo da Guerra Fria, o incrível Muro de Berlim durou quase 30 anos e aumentou as tensões entre os EUA e a URSS

Evandro da Nóbrega
ESCRITOR, JORNALISTA, EDITOR
http://druzz.blogspot.com

Nas páginas centrais deste Caderno Especial de A União, W. J. Solha felizmente já nos brindou com sua visão mágico-fantástica da Queda do Muro de Berlim, que faz 20 anos neste 9 de novembro. Aqui, nesta última página, o leitor encontrará abordagem mais factual do que foi o Muro — e por que ele caiu.

Hoje, na capital alemã, haverá grandes comemorações — iniciadas de véspera, aliás, pelo show da popularíssima banda irlandesa U2, a qual sempre se aliou a causas políticas e humanitárias. Por isto, já se vê que não se trata apenas de uma comemoração da Alemanha, mas de praticamente todo o Mundo, em especial os chamados países democráticos — alguns dos quais, em verdade, vivendo em regime de democradura.

O Muro de Berlim, que media 140 km, constituiu o próprio símbolo da Guerra Fria, aquele tenso período que se iniciou logo depois da II Guerra Mundial e que se estendeu até a débâcle da URSS, em 1991. Nessa fase da História da Humanidade, EUA e URSS mantiveram danosíssima queda-de-braço, alimentando guerras localizadas em várias partes do Planeta. A espada de Dâmocles da guerra nuclear (e da consequente extinção das espécies na Terra) balançava perigosamente sobre a cabeça de todos.

Em 9 de novembro de 1989, as autoridades da Alemanha Oriental não suportaram a pressão das massas e permitiram, em 9 de novembro de 1989, a visita de qualquer de seus cidadãos ao lado ocidental. Houve como que um estouro da boiada: multidões correram para o Muro, a fim de ultrapassá-lo. Do "lado de cá", os cidadãos "ocidentais" acorreram à grande parede, a fim de confraternizar com os irmãos de há muitos separados. E, ali mesmo, em Berlim, iniciou-se o trabalho de demolição do colosso, primeiro com canivetes, depois com picaretas, marretas e tudo o mais. Uma dramática festa. Pedaços do muro, que levou tempo para ser totalmente posto abaixo, eram guardados como lembrança.

Os alemães ocidentais conheciam o Muro como Berliner Mauer (Muro de Berlim), ao passo que, no lado oriental, a designação oficial era mais burocrática: Antifaschistischer Schutzwall, algo como "o muro protetor contra os fascistas"). Em inglês, a expressão correta é Berlin Wall. Já os russos, outros interessados no caso, o chamavam de Byerlinskaya Stiná.

Essa pedra, corporificada no Muro de Berlim, já havia sido cantada desde 1946, pelo primeiro-ministro britânico Churchill, quando se referiu a uma "cortina de ferro" que (então só ele) via baixar sobre o Leste europeu. O Muro circundava toda a Berlim Ocidental. Essa parte da cidade ficou totalmente separada não só da Alemanha como da própria Berlim Oriental, sem se considerar a ainda mais longa fronteira entre as Alemanhas Oriental e Ocidental.

A derrubada do muro abriu caminho para a reunificação da Alemanha, materializada formalmente a 3/10/1990.

A fuga oriental de cérebros e de mão-de-obra

O Muro de Berlim durou de 1961 a 1989, por quase 30 anos. Dispunha de torres de guarda, não tendo sido poucos os que encontraram a morte tentando escalar as altas paredes de concreto para deixar o "paraíso oriental" e ingressar no "céu capitalista".

Tudo começara quando Berlim se viu ocupada por exércitos russos, americanos, ingleses e franceses. O Tratado de Potsdam deu a cada parte o governo de uma das zonas. Mas Berlim era caso especial: sediava o Conselho dos Aliados, ficando na zona russa da Alemanha. Os conflitos não demoraram a surgir.

Houve, então, uma "Berlim Oriental" e uma "Berlim Ocidental", como logo em seguida haveria uma Alemanha Oriental (a República Democrática Alemã, RDA) e a República Federal da Alemanha (RFA), esta com capital em Bonn.

Os métodos empregados pelos novos patrões soviéticos, na Alemanha, eram os mesmos vigentes na URSS, incluído o uso das forças armadas e da polícia secreta para controlar tudo. Aí veio a crise pela escolha de uma nova moeda alemã, resultando no bloqueio de Berlim, pelos soviéticos, em 1948: nada podia entrar na cidade.

Os demais aliados tiveram que inventar uma espécie de "ponte aérea" para abastecer Berlim. Os protestos fizeram com que o bloqueio fosse suspenso em 1949. Em fins desse mesmo ano, surgia oficialmente a Alemanha Oriental (RDA), na prática gerida pela URSS.

Do "lado de cá", a Alemanha Ocidental (RFA) fazia o contrário: seguia exitosamente o caminho capitalista, inclusive com eleições. De modo que, já em 1950 (e até 1952), iniciou-se a "corrida" de "orientais" para a parte germano-ocidental.

Se a fronteira ficasse aberta, continuaria o êxodo dos "alemães orientais" para a Alemanha Ocidental — uma espécie de corrida de mão-de-obra e de cérebros para o capitalismo que já desfalcara o "lado russo" de uns 3,5 milhões de cidadãos.

Mesmo depois de construído o Muro, cerca de 5 mil "orientais" tentaram escapar do "lado de lá", morrendo uns 200. Na parte alemã, de regime soviético (e onde os cidadãos claramente desejavam que as tropas russas voltassem para casa, isto é, para a URSS), as indústrias foram todas estatizadas. Enquanto isso, os EUA e outros aliados acenavam com o Plano Marshall, de reconstrução capitalista do país.

O grave tema chegou a ser tratado pessoalmente por Stálin e Khrushtchov

O caso da fuga de alemães orientais para o lado ocidental chegou a ser levado ao próprio Stálin, que, a essa altura já totalmente paranóico, determinou o rígido fechamento das fronteiras. Em 1955, alguns passes especiais para visitas ao "outro lado" ainda eram permitidos. Mas, no ano seguinte, tudo se fechou realmente na fronteira entre os "dois países", que, idealmente, era um só, mas tinha moedas diferentes. Em Berlim, porém, tais restrições não eram tão rígidas quanto depois passaram a ser.

Os EUA começaram a dizer abertamente, então, que a URSS não suportava a comparação feita naturalmente pelos cidadãos entre a prosperidade do lado ocidental com a relativa pobreza do lado oriental — piorada ante as defecções da inteligentsia germano-oriental em prol da RFA. A RDA respondia, entre outras coisas, que os emigrantes eram covardes, que só pensavam na boa-vida capitalista, deixando seus irmãos sozinhos e emmaiores dificuldades.

A construção do muro — precedida em 1961 pela instalação de arame farpado em quase toda a "fronteira" — foi aparentemente sugerida pelo próprio premier soviético Nikita Khrushtchov [pronuncia-se rrusshtchióf]. Sua construção iniciou-se ainda em agosto desse mesmo ano. Para isto, tropas germano-orientais bloquearam as passagens ainda abertas e trabalhadores chegaram em caminhões, com largos blocos de concretos. Uma ordem era atirar em quem se opusesse à estranha construção.

Um dos primeiros resultados disto é que muitas famílias alemães ficaram separadas, com integrantes em ambos os lados do Muro. Protestos se iniciaram em várias partes do Mundo, piorando ainda mais (se isto era possível) o clima da Guerra Fria — mas as autoridades da Alemanha Oriental fizeram ouvidos de mercador.

Em 1963, o presidente americano Kennedy visitou o Muro de Berlim e disse, em alemão, "Ich bin ein Berliner!" (Sou um berlinense!"). Mas uma coisa são as boas intenções e, outra, a realidade político-estratégica da realista diplomacia mundial. O próprio governo americano revelou depois: defenderia os alemães ocidentais e não se meteria com a vida dos orientais. Terminou por reconhecer o Muro como fato consumado.

A bem da verdade, as unidades americanas em Berlim até respiraram aliviadas ao verem que, com a construção da big wall, diminuíra consideravelmente o perigo de tropas germano-soviéticas as atacarem, visando à retomada de toda Berlim...

De todo modo, os EUA, sob pressão da Alemanha Ocidental e França, aumentaram em muito sua presença militar em Berlim. E, do lado oriental, um dos "bons resultados" do Muro foi uma relativa recuperação econômica.

E tenha em mente: o Muro de Berlim era algo bem diverso — bastante diverso mesmo — do que é, hoje, o muro construído por Israel para impedir ataques de terroristas suicidas a seus cidadãos. Mas esta já é outra história.

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