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Intelectuais lamentam morte do escritor e jornalista paraibano que tornou-se referência nacional através de talento e profissionalismo
Laura Luna Repórter
A Paraíba perdeu no último domingo, (13), o poeta e jornalista Ascendino Leite, que faleceu aos 94 anos vítima de insuficiência respiratória e miocardiopatia isquêmica, após 18 dias interno no Hospital da Unimed, aqui na Capital.
Integrante da Academia Paraibana de Letras desde 2002, sócio fundador da Associação Paraibana de Imprensa, API e um dos maiores romancistas do país, Ascendino foi um homem de muitos talentos e que conseguiu destaque no cenário nacional graças a sua competência, inteligência e ousadia.
A morte do ilustre paraibano foi motivo de pesar, principalmente para os intelectuais do Estado. A presidente da API (Associação Paraibana de Imprensa) Marcela Sitônio, lamentou a morte do jornalista, que segundo ela, foi referência no jornalismo nacional. "Apesar da idade, o vigor intelectual de Ascendino fez dele um homem lúcido em todas as áreas em que se propôs a atuar".
O professor de Comunicação e também membro da Academia Paraibana de Letras, Hidelberto Barbosa Filho é admirador e exímio conhecedor do trabalho de Ascendino Leite, com quem possuía uma relação pessoal e literária. No livro 'As luzes sobre as coisas, o professor tem a oportunidade de analisar toda a obra de Ascendino. "A entrevista a Guimarães Rosa e o jornal literário são dois momentos importantes no trabalho desse grande profissional que com certeza nos fará muita falta", conclui Hildeberto.
Referência nacional e mais de 40 títulos publicados
Ascendino Leite nasceu em Conceição do Piancó, Paraíba, em 21 de junho de 1915. Foi funcionário público e em 1931, quando morava em Cajazeiras, iniciou a carreira como jornalista tendo sido também redator de assuntos parlamentares. Dirigiu e chefiou a redação de vários jornais de São Paulo e do Rio de Janeiro. Em João Pessoa, passou pelo jornal O Norte, Correio da Paraíba e foi diretor do jornal A União.
Com mais de 40 títulos publicados, o jornalista teve no Jornal Literário, - espécie de diário no qual escrevia sobre os principais acontecimentos do Estado-, reconhecimento dos demais profissionais da área. A poesia também foi traço marcante na personalidade literária do escritor. (LL)
"Grande perda da literatura paraibana"
O também poeta, escritor e editor do Correio das Artes, Antônio Mariano, coloca a morte de Ascendino como "uma grande perda para a literatura paraibana".
O presidente da Academia Paraibana de Letras, Juarez Farias, conta que começou a admirar o jornalista quando ele ainda estava no Rio de Janeiro. "Na época, eu também morava no Rio e já ouvia falar no trabalho primoroso de Ascendino Leite, mas foi na APL que nos aproximamos". Juarez Farias conclui dizendo que, "perder Ascendino é como perder um grande quadro numa galeria de obras-primas". (LL)
Saiba mais
Uma cachoeira de beijos
Jãmarrí Nogueira
responsável pelo caderno de cultura
"Não tive o primeiro beijo. Meu primeiro beijo foi em forma de cachoeira. Milhares deles em um só". A frase de Ascendino Leite durante entrevista que me concedeu há pouco mais de 10 anos constitui a imagem que prefiro dele guardar: a jovialidade dialética. O autor paraibano que jamais (eu disse jamais!!!) foi unanimidade tinha uma espécie de necessidade de se manter jovem no espírito. Conseguiu.
A obra de Ascendino tem uma qualidade indiscutível. Prosa. Verso. Aforismos em profusão. Há quem questione posicionamentos e atitudes. Normal. Profundamente normal o embate que envolve a defesa de ideias e a proatividade política dos comportamentos frente aos contextos históricos.
Em prol de Ascendino, pode-se lembrar - além de seu talento com as letras - a implantação de uma modernidade gráfica e democratização do espaço jornalístico, por exemplo, para as mulheres. Fez isso no Correio da Paraíba (jornal que ajudou a fundar) e no jornal A União. Fez isso no Rio de Janeiro, onde morou por décadas.
Voltando à dissertação sobre a importância do beijo, Ascendino tinha palavras sorridentes. Saudosas e desejosas. Com espírito de poeta, queria-se vivo! Agora, encontra-se eterno. Ao poeta (e somente ao poeta), sorrisos...
editoração: júnior damasceno |