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As participantes do VI Congresso Badauê de Mulheres Capoeiristas, que está ocorrendo na área de lazer do Sesc João Pessoa, tiveram, a partir da sexta-feira (2), a oportunidade de se relacionarem diretamente com a doutora em educação pela Universidade Federal de São Paulo Rosângela Costa (mestra Janja), que é graduada em História pela Universidade Federal da Bahia. Ela está na Capital paraibana assessorando a organização do evento e vai ministrar oficinas neste sábado.
Mestra Janja tem doutorado sobre Capoeira Angola, é pesquisadora, regente da orquestra Nzinga de Berimbaus, co-editora da revista Toques D’Angola e coordenadora da Rede Angoleira de Mulheres (RAM). Iniciou-se na Capoeira Angola no grupo de Capoeira Angola Pelourinho, com os mestres João Grande, Moraes e Cobra Mansa. Em 1995 fundou o Instituto Nzinga de Estudos da Capoeira Angola e Tradições Educativas Banto no Brasil (Incab), hoje com núcleos em Salvador-BA, Brasília-DF e São Paulo-SP, além da cidade do México (México), Marburg (Alemanha) e Maputo (Moçambique).
A comissão responsável pelo congresso é composta pelos integrantes da organização não governamental Pérola Negra – Centro de Cultura Popular e Afro-Brasiliera, e do Grupo Cultural de Capoeira Badauê, visa integrar e conscientizar as participantes nas questões relevantes do cotidiano, como o papel da mulher na sociedade, as novas tendências na prática da capoeira e saúde feminina.
O evento faz parte do início das festividades alusivas ao Dia Internacional da Mulher (8 de março) no Estado da Paraíba, e conta com uma programação que inclui oficinas com especialistas além da mestra Janja, mestra Carla Mara (Fortaleza-CE), professora Joana Algarves (São Luís-MA), professora Darlyane Cardoso (Fortaleza-CE), Contra-Mestra Paulinha (Fortaleza-CE), e jornalista Estelizabel Bezerra (João Pessoa-PB). As oficinas que estão sendo oferecidas aos participantes são de Capoeira Regional, Danças Afro, Capoeira de Angola, e Capoeira Miudinha. Para esta sexta-feira (2), uma palestra seguida de debate será ministrada, a partir das 16h, pela professora Edeltrudes Lima abordando o tema "Saúde da mulher – plantas medicinais e suas indicações para o sistema genital urinário feminino". Amanhã será a vez do debate enfocando "A liderança da mulher construindo uma nova sociedade". Outra atração é a exposição de painéis com fotos de edições anteriores.
Para o representante da comissão organizadora do evento, contra-mestre Rafael Magnata, o congresso só prova que a participação feminina na capoeira é um fato em constante desenvolvimento. Ele cita um exemplo do já falecido mestre Pastinha: "Capoeira é pra homem, menino e mulher. Só não aprende quem não quer". Ele completa dizendo que "a capoeira tem elementos da cultura africana das quais foram transferidas para a brasileira, por isso é considerada afro-brasileira. Mesmo tendo a musicalidade do outro continente sua característica atual é toda na forma brasileira de ser. Ou seja, ela pode ser considerada uma arte nativa.
Alex Márcio
Especial para A União |