Maciças chapas de ferro costumam dar sustentação a obras da construção civil. Entretanto, um paraibano resolveu apostar no material como forma de expressão artística, unindo placas pesadas com parafusos para montar imagens que rememoram sua vida. Muitas dessas peças estão espalhadas por João Pessoa, mas versões miniaturizadas, bem como pinturas de técnica mista, podem ser vistas em Vivências afetivas, exposição individual de Wilson Figueiredo promovida pelo Projeto Sesc Grandes Nomes. Com curadoria de Paulo Aurélio, a vernissagem é hoje, às 19h, na Galeria do Sesc Cabo Branco, localizado na orla da capital, estando aberta à visitação pública ao longo dos próximos 30 dias.
Nascido em Patos e radicado em João Pessoa, Wilson propõe revisitar com a exposição cenas de sua trajetória desde a época em que morava no Sertão paraibano. “Aceitei com o maior prazer, porque é uma oportunidade de mostrar meu estilo em escultura e a técnica do arame”, diz o artista, que ora apresenta maquetes escultóricas como “Fantasia e fascínio”, “A baraúna” e “O menino e a árvore”, além das telas “A moça e a roseira”, “Cuidando das flores” e “A bailarina”. 
O aludido método empregado na pintura de quadros advém de pesquisa empreendida desde o início dos anos 2000, em misto de metal e tinta que projeta visada tridimensional às telas. Assim o descreve o jornalista e escritor William Costa, diretor de mídia impressa da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), em texto de apresentação do catálogo da mostra: “Desenho em arame sobre tela, onde a luz é coadjuvante de um criativo jogo de imagens. E ele tem cartas na manga, haja vista que também é exímio pintor e desenhista”.
“O desenho é todo em arame. Quando ele está definido, eu pinto a tela que é em eucatex”, explica Figueiredo, citando o tipo de suporte (feita de fibras de eucalipto prensadas) que recebe a tinta acrílica e a fixação do arame, distante três centímetros da placa. “Quando ela [a luz] incide no arame, projeta uma sombra no suporte, no caso o eucatex. Aí provoca uma leitura tridimensional, uma coisa bem diferenciada”.
Sua primeira experiência pública com a arte se deu em 2006, com a individual Vivificante, tendo exposto por toda a Paraíba, mas também em cidades como Brasília (DF) e Rio de Janeiro (RJ). Quem costuma acessar a Zona Sul da capital certamente já se deparou com uma de suas obras, “Cavaleiro alado”, disposta na rotatória em frente ao Centro de Tecnologia da Universidade Federal da Paraíba.
A propósito, outras de suas esculturas estão espalhadas pela cidade: “O bem do mar” (em frente à sede da Empresa Paraibana de Turismo S/A - PBTur), “Flor de cactus” (no Hotel Sesc Cabo Branco), “A criança no trânsito” (no pátio do Departamento Estadual de Trânsito da Paraíba - DetranPB) e “Asas da folia” (na Praça das Muriçocas do Miramar).
Ao todo, já se vão cerca de 20 mostras individuais. Quanto às realizações coletivas, estas lhe fogem à conta, mas as vivências responsáveis pela matéria subjacente à sua arte permanecem maciças como o aço de sua representação material: “As brincadeiras na época da minha infância, o que faz [com que] amigos da minha faixa etária de idade, quando veem a cena – e já teve exposição nesse sentido –, acabem lembrando a brincadeira que acontecia com eles”.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de outubro de 2026.