Uma amizade iniciada pelas redes sociais da internet acabou desabrochando em música. A verdade é que Savanna Aires, cantora e compositora pernambucana radicada na Paraíba, nunca imaginou que hoje estaria tocando e cantando junto à uruguaia Paulina Viroga. O show acontece às 21h, na Casa Mosaico Arte & Psicanálise, em Campina Grande — limitados, os ingressos estão esgotados.
Realizado pela Casa Mosaico, o encontro é classificado por Savanna como “afetivo” em função da relação fraterna que as artistas vêm mantendo à distância há pouco mais de uma década. Dentre afinidades eletivas, o motivo maior é mesmo as frequentes pesquisas musicais que ambas desenvolvem.
“Ao longo desses anos de amizade, a gente vem acompanhando cada fase uma da outra, tanto pessoal como artística”, diz Savanna. “Sempre compartilhamos nossos gostos musicais. Ela já canta música minha em seu show, eu já canto música dela em meus shows. Então também tem essa troca bem bonita e [o fato de estar] pelo Nordeste, em Salvador, nos últimos dias, e hoje chega a Campina. Ela vem pra Paraíba justamente porque a gente já tinha esse desejo de se encontrar e também de cantar juntas”.
Formada em Comunicação Audiovisual, Paulina Viroga — que também fará participação especial no Sanhauá Samba Clube, na segunda-feira (11), às 20h, na Vila do Porto (Varadouro, JP) — debutou no cenário fonográfico com o álbum Almar (2016), seguido pelos trabalhos de estúdio Renacer (2019) e, o mais recente, Semilla eléctrica (2025). Já Savanna conta com alguns singles disponíveis às plataformas, a exemplo de “Pra fazer um samba” (2021) e “Jazz em flor” (2023).
“A música sempre esteve comigo”, afirma Paulina, que morou na Austrália há alguns anos e lá entendeu que não podia adiar e nem deixar de lado a paixão que nutria pela música. “Ali a música começou a ser minha prioridade”, ela acresce. “Minha vida gira em torno da música. Acho que é uma maneira muito linda de conectar com vários artistas ao mesmo tempo. Essa coisa de não ter ensaio, de não ser uma coisa muito estruturada, a coisa livre da música falar por si mesma. Estou muito entusiasmada com essas apresentações”.
Em misto de gêneros, constam do cardápio da setlist tanto as canções autorais da dupla quanto uma seleta variada em passeio por bossa, samba, forró, sem descuidar do pop, que é caro a Paulina, e do jazz, o queridinho de Savanna. De pegada intimista com vozes (das duas) e violão (tocado pela uruguaia), a cozinha sonora conta ainda com participações percussivas, inclusive do dono da casa, o psicanalista Eugênio Felipe, na bateria.
Receptiva a artistas locais dos vários segmentos culturais, a Casa Mosaico conta com espaços de palco como um jardim teatro, além da garagem (oportuna aos dias mais chuvosos). Concomitante ao show, haverá também uma exposição fotográfica.
“Estou ansiosa, porque tem uma amizade muito grande conduzindo, e também nosso ofício, nosso amor pela música que fez com que nos encontrássemos”, confessa Savanna. No clima para o encontro, Viroga também se diz entusiasmada com as pontes ressonantes que se descortinam entre Brasil e Uruguai.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de maio de 2026.