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Desfile de sucessos

publicado: 02/04/2026 08h52, última modificação: 02/04/2026 08h52
Roupa Nova faz show amanhã, no Teatro Pedra do Reino, levando aos palcos mais de 40 anos de grandes hits
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O grupo construiu uma relação sólida com o público através dos anos | Foto: Reprodução/Instagram @roupanova

por Esmejoano Lincol*

Os Famks — com “m” mesmo. Assim era chamada uma das principais bandas brasileiras nos idos de 1967, antes de mudar seu nome e alicerçar sua atuação como grupo vocal em várias gravações importantes da nossa MPB, virando, inclusive, presença recorrente em trilhas sonoras de telenovelas. Com um repertório recheado de sucessos, o Roupa Nova chega a João Pessoa para um show amanhã, a partir das 19h, no Teatro Pedra do Reino, situado no Centro de Convenções da capital. Os bilhetes disponíveis custam de R$ 117,60 (meia-entrada para o balcão, na área superior) a R$ 492,80 (inteira para a Plateia A, mais próxima do palco); todos podem ser adquiridos no site Ingresso Nacional.

Com novo vocalista, a banda segue em frente com seu legado | Foto: Ban Giu Pera/Divulgação

A partir do falecimento do vocalista Paulinho, em 2020, outro artista assumiu essa função: Fábio Nestares, ex--participante do programa Fama, também a cargo da percussão. Os demais membros permanecem em seus devidos postos: Cleberson Horsth (teclados e backing vocal), Ricardo Feghali (teclados e backing vocal), Kiko (guitarra e backing vocal), Nando (baixo e backing vocal), Serginho Herval (bateria e voz). Após um hiato sem canções inéditas, o grupo estreou, neste ano, o EP Nossas canções: cada faixa foi composta por um integrante atual.

Voltando à gênese do conjunto, além de apresentarem--se como Os Fumks (lançaram dois álbuns sob essa alcunha, entre 1974 e 1978), estiveram vinculados a outro projeto: assinando como “Os Motokas”, regravaram covers nacionais e internacionais para a série As 30 mais, LPs com preço popular e capas sensuais, que chegaram a público pela gravadora Continental. A trajetória duradoura como Roupa Nova começou no início da década de 1980, mediante o ingresso do jovem Serginho e a assinatura de contrato com a Phillips.

O nome do conjunto veio da canção de mesmo nome, de Milton Nascimento e Fernando Brant, que Bituca registrou na época. Além do êxito de seu próprio projeto, materializado em faixas como “Sapato velho”, “Volta pra mim” e “Meu universo é você”, o talento na escrita e na execução musical garantiu a eles participações em empreitadas de outros artistas. Duetos, a exemplo de “Um sonho a dois”, com Serginho e Joanna; backing vocals, como em “Amor explícito”, de Simone; arranjos, notados em “O côncavo e o convexo” (Roberto Carlos) e “Aguenta coração” (José Augusto); e, por fim, vinhetas famosas — “Video game”, do Jornal da Manchete, e “Tema da vitória”, composto para Ayrton Senna.

Trilhas sonoras da TV

A primeira telenovela a ganhar um tema do Roupa Nova foi As três marias, em 1980. A faixa circulou bastante nas rádios, o que garantiu ao conjunto novas incursões no gênero, no ano seguinte: “Bem simples” em O amor é nosso! e “Clarear”, que embalava Jogo da vida. O maior sucesso no período chegou em 1983, com “Anjo”, pinçada para Guerra dos sexos.

Dois anos mais tarde, começaram a viver o ápice de seu sucesso fonográfico. “Whisky a go go” serviu para dar título e som à abertura de Um sonho a mais, anárquica novela das 19h. E, ao regravar “Dona”, original de Sá e Guarabyra, o Roupa captou a premissa que envolvia a história da Viúva Porcina (Regina Duarte) em Roque Santeiro.

Na virada da década de 1980 para 1990, outras canções com bastante apelo na TV: “Chama”, em Que rei sou eu? (1989); “Coração pirata”, em Rainha da Sucata (1990); “Começo, meio e fim” e o tema de abertura homônimo de Felicidade (1991). Em se tratando das vinhetas, a mais famosa acabou sendo A viagem (1994).

A partir da segunda metade dos anos 1990, ao diminuir a quantidade de músicas inéditas, a presença do Roupa Nova em discos com trilhas sonoras na televisão foi reduzida. Ainda assim, é possível pinçar obras autorais e regravações como “Amar é...” (Anjo de mim, 1996); “Bem maior” (Suave veneno, 1999); e Amor de índio (Estrela-guia, 2001). Muitas delas serão mais uma vez ouvidas pelo público no show.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 02 de abril de 2026.