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Diversidade de sons na moda

publicado: 29/01/2026 09h04, última modificação: 29/01/2026 09h04
Nova edição do Mercado Capim Fashion, que começa amanhã, no Museu de História da Paraíba, traz uma encorpada lista de atrações musicais
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Chico Correa é uma das atrações musicais da nova edição do Capim Fashion que ainda conta com: Os Fulano, Escurinho, Filosofino amanhã; As Calungas e Bixarte, no sábado; E Juzé, no domingo | Foto: Divulgação

por Esmejoano Lincol*

O Mercado Capim Fashion iniciará amanhã sua primeira edição de 2026, no palco e nos estandes montados nos jardins do Museu de História da Paraíba, situado no Centro de João Pessoa. Além da grade voltada para o segmento da moda e da economia no estado, o evento, gratuito, reunirá cantores e bailarinos até o próximo domingo (1o). A DJ Danny Andrade abrirá os trabalhos amanhã, a partir das 17h, seguidos de Chico Corrêa e Filosofino — estes dividirão a cena com Escurinho. Às 19h, será a vez da banda Os Fulano encontrar o público. Até o último dia, estão programados outros artistas: As Calungas, Tracundum e Bixarte no sábado (31); Juzé e Polyana Resende no domingo (1o).

Filosofino, artista pessoense que carrega referências do rap e do hip-hop, integrará o evento pela primeira vez. “Tenho trabalhado num repertório com Chico Correa, focado na mistura dos beats eletrônicos com cantigas inspiradas na cultura popular e na poesia falada, que temos experimentado há uns meses”, antecipa, sobre o show de amanhã.

Há dois anos, ele venceu os prêmios de Melhor Intérprete e Canção no Festival de Música da Paraíba. Sobre os planos para o ano de 2026, Filosofino assinala que pretende continuar a desenvolver o seu álbum/turnê Quilombo Groove: “É um longo trabalho, pois temos trabalhado de forma independente e autoral. Além disso, há outras parcerias no reggae e no dub, com o movimento soundsystem local e parceiros como Chico Correia”.

Betinho Lucena, vocalista de Os Fulano, afirma que a banda também estreará na programação do Mercado Capim Fashion. O repertório dessa apresentação contará com clássicos do forró e de seus subgêneros, além de canções autorais do grupo, presentes em álbuns como Rojão, de 2023, e em EPs como Etá Forró, que chegou a público em 2017.

Acalentando os projetos para 2026, Betinho revela que ele e os colegas almejam celebrar um marco do grupo, também formado por Lucas Dan (acordeão), Jader Finamore (cavaquinho) e Thiago Melo (zabumba). 

“Estamos completando 15 anos de carreira. Celebraremos ao longo do ano com shows e uma turnê pelo Brasil e Europa. Provavelmente, também lançaremos um disco comemorativo, para festejar esse momento”, detalha.

Carnaval e gafieira       

No sábado, o início da programação está marcado para as 16h, com a discotecagem da DJ Claudinha Summer. Em seguida, entrarão As Calungas. “A gente está preparando nosso repertório do Carnaval, com algumas das nossas alunas, antecipando o nosso bloco no dia 12 de fevereiro, a nossa Quinta das Flores”, informa Priscilla Fernandes, integrante do grupo.

Sobre o que elas reservam para o público nos próximos meses, a percussionista de As Calungas diz que trabalha na perspectiva de concluir as oficinas musicais, que iniciaram em setembro e que culminam, justamente, no Carnaval.

“Fechando esse ciclo, a gente vai parar para analisar direitinho, fazermos uma reflexão de como foi tudo isso e poder trabalhar melhor no próximo ciclo. Porque às vezes a gente nem tem muito tempo para isso”, sinaliza.

Após um novo desfile de moda, a grade do sábado continuará às 18h, com um show do conjunto paraibano de axé Tracundum. Fechando a noite, a partir das 20h, a cantora Bixarte: ela compartilha com o público canções de seus dois álbuns autorais: Traviarcado, de 2023, e Feitiço — este lançado em 2025, com participações de Lucy Alves, Johnny Hooker e Emicida.

O domingo começará com o setlist preparado pelo DJ Rick Mala, a partir das 15h, paralelamente à apresentação do Tatu-bloquinho, conjunto voltado para o público infantil. Os bailarinos Daniel Barros e Sheila Luiza promoverão uma oficina de frevo com a plateia presente no Mercado Capim Fashion, às 16h. O cantor Juzé dará sequência às atividades às 18h.  

Tendo iniciado sua carreira nas artes como produtor do bloco Muriçocas do Miramar, Juzé tenciona carregar parte dessa folia para o evento deste fim de semana.

“O plano para 2026 é lançar mais um álbum e, em breve, estrear mais um audiovisual. Tenho outro desses, gravado para o segundo semestre, e a gente está vendo com a equipe para ver qual o melhor momento de a gente publicizar isso para o nosso público e mostrar essa nossa arte”, diz.

Fechando a programação no domingo, a intérprete Polyana Resende, que estará acompanhada dos dançarinos Clewerson Soneca e Maria Hercília; estes partilharão com os presentes um número de samba de gafieira. “Para 2026, tem muita novidade. Além das nossas agendas, queremos levar nossas aulas de dança para os festejos de São João”, crava Soneca.

Moda como pilar

Os artistas que compõem a programação do Mercado Capim Fashion ratificam o fato de esse projeto ser realizado nas dependências do Museu de História da Paraíba, inaugurado no fim do ano passado. “Uma ferramenta pública como essa precisa do forró. O povo precisa entender sua origem também através da música. E nada mais interessante do que contar isso a partir da música nordestina”, atesta Betinho, de Os Fulano.

“Acho que tem tudo a ver, sobretudo para a gente, que trabalha com a cultura afro--indígena, trazer mais pessoas para conhecê-lo — sejam turistas ou os próprios moradores aqui de João Pessoa. É importante empoderar-se da nossa história para a gente poder, cada vez mais, estar lutando pelo que é necessário”, analisa Priscilla Fernandes, de As Calungas.

Imersos num evento que tem na moda local e na economia criativa pilares, outros dos cantores que integram a grade do Mercado Capim Fashion sancionam que a moda e a arte comunicam-se de forma indissociável. “O rap, dentro do movimento hip-hop, sempre teve um apelo estético grande. Nossos visuais, sempre buscam mostrar uma identidade cultural, trazer a rua pro palco, na fala, nas vestimentas, na atitude. As coisas andam sempre juntas”, garante Filosofino.

“Eu sempre fui um artista de trazer minha expressão para as roupas também e o recado que eu quero dar para o figurino. Então isso me completa de maneira essencial, assim como completa a minha música, a minha poesia, a forma que eu quero dialogar com as pessoas. A imagem, as cores. Como elas entregam movimento, dança, arte”, alega Juzé.

“Maria Hercília é a responsável por nossas vestimentas. Como somos daqui, de João Pessoa, a gente faz questão de incluir traços nordestinos nos nossos figurinos. Mesmo dançando samba de gafieira, quando a gente representa o nosso estado em alguma competição no Sul ou no Sudeste, carregamos essa identidade, com a chita, o fuxico, muito característicos na nossa parceria, na nossa arte”, conclui Clewerson Soneca.  

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de janeiro de 2025.