A abertura do Carnaval em João Pessoa coincide com o início das atividades de um grupo cultural importante para a cidade: a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB), que inaugurará sua temporada 2026 justamente com uma celebração à folia, ao lado da Big Band 5 de Agosto. O show Frevo em Concerto acontecerá amanhã, a partir das 19h, no Theatro Santa Roza, situado no Centro da capital. Sob a regência dos maestros Carlos Anísio e Rogério Borges, também participarão da festa os músicos Eduardo Lima, Lula Marinho, Michelle Marinho, Ricardo Ribeiro e Tales Ian. A entrada é franca, mas o número de lugares é limitado.
O Frevo em Concerto acontece há mais de cinco anos. Nesta nova edição, o repertório do show focará em três artistas pernambucanos: Alceu Valença, expoente da MPB que completará, em julho, 80 anos de vida, e que será uma das atrações de hoje do bloco Muriçocas do Miramar; Maestro Duda, experiente compositor e instrumentista, responsável pelos acordes de vários frevos tradicionais; e Dímas Sedicias, membro do grupo Sa Grama, morto em 2021. “Tocaremos, além de músicas dos homenageados, faixas do Carnaval tradicional. Apresentaremos arranjos inéditos meus e do maestro Rogério”, informa Anísio.
A OSUFPB está em atividade desde 2013, realizando apresentações periódicas dentro e fora dos campi da universidade. A estréia, em abril daquele ano, contou com uma programa especial, regido pelo maestro paulista Marcos Arakaki.
De lá para cá, vários docentes estiveram à frente do conjunto, dentre eles o maestro José de Arimatéia Veríssimo. “Contamos, atualmente, com 22 músicos, todos técnicos efetivos da UFPB. Não temos estudantes no nosso quadro. Ensaiamos de segunda à sexta-feira, pela manhã, na Sala de Concertos Radegundis Feitosa. Em geral, esse número de ensaios é suficiente para nos prepararmos”, destaca.
Entre os eventos de destaque do ano passado estão os concertos com o professor estadunidense David Korevaar, o show Cordas que Libertam (com um programa que refletia sobre as grandes guerras), e a tradicional participação da orquestra no Festival Internacional de Música de Campina Grande (Fimus).
“No dia 6 de março, daremos prosseguimento à nova temporada com outro concerto em homenagem às mulheres. Neste ano, estão programados cerca de 30 concertos. E estou envolvido com vários projetos: além das atividades com a OSUFPB e o Coro de Câmara Villa-Lobos, há eventos com ópera e teatro musical”, destaca.
Carlos Anísio bem que tentou enveredar pela Engenharia no início de sua trajetória como estudante na UFPB, mas logo migrou para o curso de Música, em meados da década de 1980, dando vazão a sua paixão pelas artes, mantida desde a juventude. Ele atua como docente desde 1991 e coordena a OSUFPB há quase um ano.
“Tive muitas pessoas que me incentivaram a seguir com a música, a começar pela minha mãe, que havia cantado no coral do maestro Gazzi de Sá. Outras influências: Maurício Gurgel, Pedro Santos, José Alberto Kaplan e Odair Salgueiro. Todos eles foram fundamentais para a minha formação artística”, revela.
Orquestra acadêmica
A “casa” da OSUPFB é a Sala Radegundis Feitosa, no Centro de Comunicação Turismo e Artes da instituição (CCTA). O local foi inaugurado em 2012 e presta um tributo ao importante trombonista paraibano, falecido em 2010. Esse espaço é administrado, por sua vez, pelo Laboratório de Música Aplicada (Lamusi), criado em 2013 e atualmente coordenado pelo maestro e docente Wendell Kettle. Além de reger as atividades da orquestra, a sala, vinculada ao Departamento de Música (Demus), dá suporte a outras apresentações — algumas delas, com a estréia de alunos — e eventos acadêmicos.
Vinculado à UFPB há pouco menos de um ano, Kettle assinala que testemunhou, nesse curto período, eventos importantes na Radegundis Feitosa, como a apresentação da ópera O Refletor, de José Alberto Kaplan. Segundo o gestor do Lamusi, foi a primeira vez que a sala de concertos abrigou uma ópera.
“Tivemos ainda a estreia do nosso novo projeto, a Orquestra Sinfônica Acadêmica da (OSA), na qual congregamos alunos de graduação, pós-graduação e professores do departamento, com participações de colegas dos cursos de Teatro e Dança. Começamos a incluir outras áreas em prol das artes lírico-musicais”, destaca.
Kettle também está à frente da Academia de Ópera e Repertório (AOR), projeto que trouxe da Universidade Federal de Pernambuco, instituição à qual esteve vinculado até o ano passado. Em contato constante com instrumentistas e intérpretes em formação, ele assevera a importância do incentivo aos jovens artistas.
“A exemplo de muita gente, o meu contato com a música veio pela igreja. E como eu comecei a estudar piano muito cedo, todo esse universo acompanhou minha trajetória escolar. Eu me lembro quando eu fui pela primeira vez a um concerto de orquestra, algo muito pitoresco para uma criança”, recorda.
A temporada da Orquestra Sinfônica Acadêmica abre mais tarde, no dia 13 de março. Wendell Kettle adianta que neste dia, haverá um concerto em homenagem aos 190 anos de nascimento de Carlos Gomes, mítico maestro paulista e autor da ópera O Guarani. Desta apresentação, participarão os instrumentistas da OSUFPB.
“Mas o principal projeto do Lamusi para 2026, a nossa ‘locomotiva’, digamos assim, é mesmo a temporada da Orquestra Sinfônica da UFPB. O maestro Carlos Anísio, juntamente com a comissão artística e todos os membros da orquestra, prepararam um ano muito bonito, instigante, e inclusivo”, adianta.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de fevereiro de 2026.
