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Livro-site aborda Chico e o cinema

publicado: 14/04/2026 11h11, última modificação: 14/04/2026 11h11
Obra do jornalista Carlos Alberto Mattos disseca as relações entre o cantor e compositor e a sétima arte
Nara Leão, Chico e Maria Bethania em Quando o Carnaval Chegar.jpg

Chico Buarque foi ator em Quando o Carnaval chegar (1972) | Foto: Reprodução

por Esmejoano Lincol*

Até quando não fala diretamente sobre o cinema, Chico Buarque abre espaço para a sétima arte em seus versos. Em “Joana francesa”, composta a partir de inspiração no filme homônimo, com trilha sonora assinada por ele, há menção à atriz francesa Jeanne Moreau, estrela do longa--metragem de Cacá Diegues. Essas e outras curiosidades sobre a relação do artista com essa linguagem estão reunidas no livro-site Chico Buarque — Ele faz cinema, disponibilizado, gratuitamente, pelo pesquisador Carlos Alberto Mattos no início deste mês.

A inspiração para o autor foi o livro Cine Subaé, antologia organizada por Claudio Leal e Rodrigo Sombra, em torno dos escritos de Caetano Veloso sobre a sétima arte. Adicionados à referência-base, a admiração que Mattos tem, desde a juventude, por Chico. “Eu estava na faculdade fazendo Jornalismo, nos anos 1970, quando o conheci. O caldo cultural e político da resistência estudantil me animava para procurar esse tipo de produção. Com as faixas mais políticas é que fui começar a me interessar e descobrir o lado mais poético dele”, afirma.

O projeto conta com quatro capítulos, autoexplicativos: “A música de Chico no cinema e o cinema nas músicas de Chico”, “Os livros de Chico no cinema e o cinema nos livros de Chico”, “A vida de Chico no cinema e o cinema na vida de Chico” e “O teatro de Chico no cinema e o Chico ator de cinema”. Mattos explica que “a pesquisa durou um ano e cinco meses. Levantei os dados com o que existia de títulos com a participação dele. Recorri ao IMDb, à inteligência artificial e aos amigos. E cheguei a 60 filmes — uma conta redonda, até o momento”.

Escrutinadas nessa iniciativa, as canções e dos filmes famosos cujos trechos estão disponíveis para o leitor — “Bye bye Brasil” e “Eu te amo”, escritas para os longas-metragens de mesmo nome, as adaptações cinematográficas, cuja matrizes vem de Chico (a exemplo de Ópera do malandro) e Quando o Carnaval chegar, em que ele atua com Nara Leão e Maria Bethânia. Mas também há espaço para raridades — uma delas, Siembro viento en mi ciudad, documentário sobre uma viagem do cantor a Cuba, em que ele fala de cinema e futebol.

O livro-site é um formato de hipertexto criado por Carlos Alberto Mattos, com mescla de texto, áudio e vídeos e foi inaugurado com outras obras similares, incluindo “Fim de turno”, análise de filmes com ambientação fabril. Apesar de não ter outra empreitada engatilhada, ele afirma que seus trabalhos futuros serão lançados nesse mesmo modelo. “Desanimei de fazer livros impressos e gosto desse modelo. Acho que é muito versátil, ele te permite atualizar, corrigir, mesmo depois do lançamento. E eu adoro editar”, conclui.

Através deste link, acesse o livro-site gratuitamente 

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de abril de 2026.