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Orquestra entra em ritmo junino

publicado: 10/06/2026 09h55, última modificação: 10/06/2026 09h55
Sinfônica da Paraíba apresenta concerto em Campina, hoje, com Petrúcio Amorim e Gitana Pimentel
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O maestro Gustavo de Paco de Gea rege a orquestra | Foto: César Matos/Divulgação

por Daniel Abath*

Mesmo hoje em dia, diante de um mainstream tomado por artistas do sertanejo, é difícil imaginar um nordestino que ainda não tenha ouvido os acordes sertânicos de um forró de excelência, a exemplo de canções como “Filho do dono”, “Meu cenário” ou “Tareco e mariola”. O homem por trás desses e de muitos outros clássicos do gênero é o cantor e compositor pernambucano Petrúcio Amorim, que junto à cantora, compositora e atriz Gitana Pimentel participam do concerto da Orquestra Sinfônica da Paraíba (OSPB), hoje, às 19h, no Garden Hotel de Campina Grande. A entrada é gratuita.

Com regência do maestro Gustavo de Paco de Gea, a quarta apresentação da temporada 2026 da OSPB integra a Série Sivuca da sinfônica. Além de prestar homenagens ao lendário multi-instrumentista Severino Dias de Oliveira (1930–2006) — a noite inicia com a “Rapsódia gonzaguiana” do mestre, executada pelo sanfoneiro e professor Helinho Medeiros —, divide o pedestal com as partituras do cancioneiro popular. Participam ainda do concerto como músicos convidados Léo Torres (guitarra), Sérgio Gallo (baixo elétrico) e Saulo Soares (bateria), com Karla Teodósio e Alesson França nos vocais.

Atendendo ao convite da Secretaria de Estado da Cultura (Secult-PB), Petrúcio afirma a emoção de participar do evento. “Eu já tinha cantado no ano passado com a Orquestra Sinfônica de Pernambuco. Eu digo que pra mim é um presente maravilhoso fazer parte desse concerto”, diz o músico, que em 2025 completou 40 anos de carreira.

Gitana partilha da satisfação em subir ao palco erudito: “Quando recebi o convite fiquei em êxtase! Eu literalmente pulei de alegria. Sempre acompanhei as apresentações da orquestra com convidados e sonhava com isso. Sou uma grande fã de Petrúcio Amorim — canto muitas músicas dele. Ele tem uma mente brilhante e uma voz divina, tenho certeza que vai ser um dos momentos mais lindos da minha carreira”.

Ao todo foram escolhidas 12 músicas de Petrúcio, em seleção que passeia por títulos como “Cidade grande”, “Nem olhou pra mim”, “Deus do barro” e “Anjo querubim”. Quanto aos diálogos entre o popular e o erudito, Amorim elogia a qualidade musical dos integrantes da OSPB, ao passo em que atesta o processo de adaptação entre os segmentos.

“Muda muito”, analisa. “Até porque as introduções que faço com a minha banda são as originais. É uma pegada diferente. E com a orquestra, não. Você é regido por uma batuta, tá ali no meio. É como se fosse um forró quase erudito. É muito diferente, muito bonito, uma coisa fantástica”.

“Petrúcio não só é um compositor de muitos sucessos como é um grande cantor; tem uma voz potente, grande. Foi muito bonito o ensaio dele com a orquestra”, destaca Xisto Medeiros, contrabaixista da OSPB, ao informar a qualidade na elaboração dos arranjos por parte da sinfônica.

“Eu tive a honra e o prazer de acompanhar Petrúcio no [cruzeiro] Pacific. Fui passar 40 dias no navio tirando as férias de um baixista. Toda semana tinha um artista convidado, e um dos convidados foi ele, e foi uma experiência muito bacana, porque é uma pessoa muito generosa, de uma bagagem cultural imensa, porque cada música dele tem uma história”, acrescenta.

Com sua arte, Petrúcio se diz grato por mais um desafio em momento importante da trajetória, marcada por sucessos entoados pela nação nordestina. E ocupando um dos lugares de solista da noite, pontua: “Eu sou um compositor, mas eu também canto minhas canções”.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de junho de 2026.