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Oscar sem surpresas

publicado: 17/03/2026 08h57, última modificação: 17/03/2026 08h57
Prêmio da Academia consagra Uma batalha após a outra, Pecadores e Jessie Buckley; O agente secreto saiu sem estatueta
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Os atores premiados: Jessie Buckley, Michael B. Jordan e Amy Madigan | Fotos: Divulgação/Ampas

por Renato Félix*

Uma batalha após a outra não deu abertura para zebras, Pecadores teve uma boa performance, Jessie Buckley confirmou o favoritismo como melhor atriz e O agente secreto  não levou nada. O Oscar 2026 poderia ser resumido desta forma, mas há muitas nuances que contam a história do prêmio deste ano.

Em geral não houve surpresas entre os premiados na cerimônia realizada na noite de domingo, no Dolby Theater em Los Angeles. Mesmo aqueles que não eram favoritos no começo da temporada de prêmios já pareciam ser na noite do Oscar.

O caso mais claro disso é Michael B. Jordan, melhor ator por seu papel duplo em Pecadores. Desde o Globo de Ouro, Timothée Chalamet foi apontado como o favorito para a categoria, por Marty supreme. Mas essa disputa nunca deixou de estar equilibrada e a vitória do Actor Awards, o prêmio do sindicato dos atores nos EUA, mostrou que Jordan tinha força e ele acabou vencendo mesmo.

Elenco de Uma batalha após a outra celebra o Oscar de melhor filme

A vitória de Uma batalha após a outra (para a greco-estadunidense Cassandra Kulukundis) no primeiro Oscar da história para produção de elenco surpreendeu um pouco porque se esperava a vitória de Pecadores. Mas já deu um bom indicativo de como seria a noite, com a vitória final do filme de Paul Thomas Anderson.

Anderson, aliás, parecia ter a aura de um Robert Altman: um diretor de prestígio, eventualmente indicado, mas que parecia “artista demais” para o Oscar. Ele, que havia chegado a 14 indicações (como diretor, produtor ou roteirista) sem nunca ter ganhado, saiu do Dolby Theater com três estatuetas: melhor roteiro original, melhor direção e melhor filme.

A grande surpresa da noite se deu pelo inusitado: um raríssimo empate. Aconteceu na categoria de curta-metragem: a comédia musical Os Cantores e a distopia francesa Duas pessoas trocando saliva levaram o Oscar. É apenas a sétima vez em que aconteceu (e na primeira, no prêmio de melhor ator de 1931/1932, entre Fredric March e Wallace Beery, as regras consideravam empate uma diferença de até três votos). A última veio em 2012, em edição de som, com 007: Operação Skyfall e A noite mais escura.

O Oscar 2026 também trouxe alguns marcos importantes. Autumn Durald Arkapaw já era a primeira mulher negra indicada ao prêmio de melhor fotografia e se tornou também a primeira mulher negra premiada na categoria. Em seu discurso de agradecimento, convocou todas as mulheres na audiência a ficarem de pé. “Porque eu sinto que não estaria aqui sem vocês”, disse ela. 

Autumn Durald Arkapaw, primeira mulher negra a ganhar o Oscar de Fotografi

Sean Penn não estava lá para receber seu Oscar de ator coadjuvante, um dos seis de Uma batalha após a outra. Mas ele igualou um recorde entre os atores homens: três estatuetas. Penn já havia ganhou por Sobre Meninos e Lobos (2003) e Milk: a voz da igualdade (2008), ambos como ator protagonista.

O ator iguala a marca de Daniel Day-Lewis (três Oscars como protagonista: Meu pé esquerdo, 1989; Sangue negro, 2007, e Lincoln, 2012), Jack Nicholson (dois como principal: Um estranho no ninho, 1975, e Melhor é impossível, 1997; um como coadjuvante: Laços de ternura, 1983) e Walter Brennan (três como coadjuvante: Meu filho é meu rival, 1937; Romance do sul, 1939; O galante aventureiro, 1941). 

Entre as mulheres, também são três as que têm três Oscars na estante. Franes McDormand (todos como protagonista: Fargo, 1996, Três anúncios para um crime, 2017, e Nomadland, 2020), Meryl Streep (duas como protagonista: A escolha de Sofia, 1982, e A dama de ferro, 2011; e uma como coadjuvante: Kramer vs. Kramer, 1979) e Ingrid Bergman (duas como protagonista: À meia-luz, 1944, Anastácia, a princesa esquecida, 1956; uma como coadjuvante: Assassinato no Expresso do Oriente, 1974).

A única intérprete, entre homens e mulheres, a ganhar quatro Oscars é Katharine Hepburn, todos como protagonista (Manhã de glória, 1933, Adivinhe quem vem para jantar, 1967, O leão no inverno, 1968, e Num lago dourado, 1981).

Foi mais um ano com uma cerimônia que não dedica tempo para uma grande homenagem. Em cerimônia à parte dias antes, Oscars honorários foram entregues ao astro Tom Cruise, ao diretor de arte Wynn Thomas (de, entre outros, Faça a coisa certa, 1989) e a Debbie Allen (atriz de Fama, 1980, e produtora executiva da série Grey’s Anatomy, 2015-ainda em exibição). A história do cinema foi celebrada basicamente com um belo e longo segmento in memoriam (que elencou depoimentos especiais sobre Rob Reiner, que reuniu um grande elenco de seus atores no palco, Diane Keaton, Catherine O’Hara e Robert Redford) e reencontros de elencos no palco, como Ewan McGregor e Nicole Kidman, comemorando os 25 anos de Moulin Rouge ao apresentar melhor filme.

O tom político apareceu nas piadas do mestre de cerimônias Conan O’Brien e na lapela de Javier Bardem, que soltou um “no war” e “free Palestine” antes de apresentar um prêmio. Alguns discursos de premiados também marcaram nesse sentido, como o dos vencedores de melhor documentário, Um Zé Ninguém contra Putin.

Todos os premiados:                                                                                                                                                                                                                                       

  • FILME: Uma batalha após a outra, de Paul Thomas Anderson; produtores Adam Somner, Sara Murphy e Paul Thomas Anderson.
  • DIREÇÃO: Paul Thomas Anderson (Uma batalha após a outra).
  • ATOR: Michael B. Jordan (Pecadores).
  • ATRIZ: Jessie Buckley (Hamnet:  a vida antes de Hamlet).
  • ATOR COADJUVANTE: Sean Penn (Uma batalha após a outra).
  • ATRIZ COADJUVANTE: Amy Madigan (A hora do mal).
  • FILME DE ANIMAÇÃO: Guerreiras do k-pop, de Chris Appelhans e Maggie Kang.
  • FILME INTERNACIONAL: Valor sentimental, de Joachim Trier (Noruega).
  • DOCUMENTÁRIO: Um Zé Ninguém contra Putin, de David Borenstein.
  • FOTOGRAFIA: Pecadores, por Autumn Durald Arkapaw.
  • ROTEIRO ORIGINAL: Pecadores, por Ryan Coogler.
  • ROTEIRO ADAPTADO: Uma batalha após a outra, por Paul Thomas Anderson.
  • MONTAGEM: Uma batalha após a outra, por Andy Jurgensen.
  • DESENHO DE PRODUÇÃO: Frankenstein, por Tamara Deverell e Shane Vieau.
  • TRILHA SONORA ORIGINAL: Pecadores, por Ludwig Göransson.
  • CANÇÃO:Golden” (Guerreiras do k-pop), por Ejae, Mark Sonnenblick, Joong Gyu-kwak, Lee Yu-han, Nam Hee-dong, Teddy Park e 24.
  • SOM: F1: o filme, por Gareth John, Al Nelson, Gwendolyn Yates Whittle, Gary A. Rizzo e Juan Peralta.
  • FIGURINO: Frankenstein, por Kate Hawley.
  • MAQUIAGEM E PENTEADO: Frankenstein, por Mike Hill, Jordan Samuel e Cliona Furey.
  • EFEITOS VISUAIS: Avatar: fogo e cinzas, por Joe Letteri, Richard Baneham, Eric Saindon e Daniel Barrett.
  • PRODUÇÃO DE ELENCO: Uma batalha após a outra, por Cassandra Kulukundis.
  • CURTA-METRAGEM: Os cantores, de Sam A. Davis, e Duas pessoas trocando saliva, de Natalie Musteata e Alexandre Singh (empate).
  • CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: A garota que chorava pérolas, de Chris Lavis e
  • Maciek Szczerbowski.
  • CURTA-METRAGEM DOCUMENTÁRIO: Quartos vazios, de Joshua Seftel.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de março de 2026.