Pioneiro da televisão, do rádio e da dramaturgia brasileira, o paraibano Péricles Leal (1930-1999) teve sua história revisitada no documentário Péricles Leal: o criador esquecido (2005, 52 minutos). O filme será exibido hoje, às 19h, no auditório do Sesc Cabo Branco, localizado na orla de João Pessoa, compondo a programação do mês de outubro do Cineclube O Homem de Areia, promovido pela Fundação Casa de José Américo (FCJA). Com entrada franca, a sessão será sucedida por comentários do cineasta João de Lima, que divide a direção do média-metragem com Manoel Clemente.
Realizado dentro do projeto DocTV, iniciativa das TVs públicas que fazia escoar a produção dos 27 estados do Brasil, o filme acompanha a trajetória do comunicador desde os tempos de infância, bem assim passeando por memórias dos tempos em que escrevia para os jornais A União e A Tribuna.
“Nós fomos com o Wills Leal [1936-2020] em Alagoa Nova, para identificar os lugares onde eles passavam férias, porque o pai do Wills era irmão do pai do Péricles, que era o José Leal [1891-1976], decano da imprensa daqui”, comenta João de Lima. “Então, o Wills fez essa consultoria, digamos assim, mais familiar e eu encontrei ainda para entrevistar duas irmãs, Maria das Dores e Penha Leal”.
Natural de Alagoa Nova, Péricles Leal ficou conhecido por roteirizar trabalhos como o filme A morte transparente (1978) e as telenovelas Tempo de viver (1972-1973) e As asas são para voar (1970), além de Sangue na Terra, que é tida como uma das primeiras novelas exibidas na TV brasileira, transmitida pela TV Tupi em 1952. Partindo da cidade do brejo paraibano, o sítio onde brincavam os irmãos, as escolas que frequentou até os 17 anos, época em que o pai decide se mudar para a capital, o roteiro conta ainda com périplo cinematográfico envolvendo locações por nove cidades.
Embora também diretor, Manoel Clemente dividiu a câmera com João de Lima, enquanto este alternou na função de produção. “Apesar da equipe muito pequena, muito restrita, de qualquer maneira foi um custo bastante alto”, ele avalia. “Ele é praticamente o primeiro professor de televisão em modos de extensão. Ele dava os cursos aqui em Recife – inclusive peguei um depoimento de um ex-aluno –, dava os cursos no Rio de Janeiro, [...] em uma espécie de escola de formação, e onde ele implantava a televisão. Em alguns lugares ele não era só autor criativo, também era produtor, decidia onde instalar a torre de televisão; ele fazia de tudo”.
Em versão alternativa do “doc”, João de Lima chegou a coletar longo depoimento do ator nonagenário Lima Duarte. “Lima lembrava, assim, dos lugares onde ele [Péricles] instalava a televisão. Conviveu com ele – inclusive tem uma coisa particular dele, que Lima é o padrinho do primeiro casamento do Péricles”, afirma. Procurando resgatar um verdadeiro artífice de imaginários, Péricles Leal: o criador esquecido desponta como documentário de importância para novas e antigas gerações. “A cada 10 ou 15 anos a gente tem que voltar a exibir, senão o povo esquece de novo”, atenta.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de outubro de 2026.
