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Sérgio Matos expõe designs na Casa MGA

publicado: 08/04/2026 08h55, última modificação: 08/04/2026 08h55
Mostra Ancestral será aberta hoje, reunindo objetos como poltronas e mesas
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Sérgio Matos criou objetos que, na exposição, estão integrados ao ambiente | Foto: Divulgação

por Daniel Abath*

Para o designer Sérgio Matos, mato-grossense que atravessou o país para cursar Desenho Industrial e radicar-se em Campina Grande, mais do que uma função prática, o ofício do design guarda a missão de resgatar os saberes transmitidos de geração em geração. Eis o motivo de sua exposição Ancestral, que será aberta ao público a partir de hoje, na Casa MGA, localizada na orla de Cabo Branco, na capital. Com curadoria a cargo da arquiteta Renata Gadelha, o trabalho pode ser conferido gratuitamente de segunda a sábado, das 14h às 19h.

A mostra individual reúne mais de 30 peças produzidas artesanalmente por Sérgio, em recorte que envolve objetos como poltronas, mesas, luminárias e vasos. Em seu texto curatorial, Renata destaca o percorrer de Sérgio pelo Brasil em movimento de escuta e colaboração, reconhecendo técnicas, formas de existência e de trabalho, as memórias dos locais e a identidade das pessoas.

Influenciado pelo processo criativo e de convivência entre Mato Grosso e Paraíba, o caráter vernacular é notável no trabalho. “Ele leva aquilo para aquelas comunidades onde desenvolve o trabalho e depois ele volta pro trabalho dele”, diz a curadora. O resultado são móveis como a “Poltrona Pirarucu”, exposta no local, feita de aço inox preto (em exaltação à espinha dorsal de um dos maiores peixes de águas doces do Brasil) e corda naval vermelha e preta.

A própria Casa MGA participa ativamente da mostra, configurada não apenas como um espaço de cultura, mas como o lar que outrora fora — o imóvel era uma propriedade dos pais de Renata e lugar no qual a arquiteta sempre passava suas férias. “Então eu disponho os móveis um pouco como seria dentro de uma casa”, detalha. “Porque, também alguns móveis meus ainda estão lá. Eles se mantêm lá por serem muito grandes e vão servir de fundo para essas peças de Sérgio”, explica acerca do cenário expográfico igualmente preocupado com a ancestralidade. Como estratégia para distinguir entre o que já é da casa e as peças de Sérgio, Renata pintou alguns cômodos de preto e vermelho, cores caras à assinatura do designer.

“Eu conheci o trabalho de Sérgio em São Paulo”, conta ela, que morava no Rio de Janeiro e visitava com frequência a terra da garoa. “Quanto estava caminhando pela Gabriel Monteiro, rua de São Paulo conhecida pelas lojas de design de interiores e móveis, vi o trabalho do Sérgio. Perguntei quem era o designer, anotei o nome e coincidentemente eu vim pra João Pessoa uns dois meses depois, e num salão de beleza achei uma revista, com um design dele. E aí eu descubro que [o ateliê dele] era em Campina Grande”.

Acessando alguns amigos do curso de Desenho Industrial, Renata enfim pôde conhecer o estúdio de Sérgio, bem como o trabalho formativo do artista junto a jovens pernambucanos. “Ele saiu fazendo isso pelo Brasil todo através de órgãos do governo, prefeituras, Sebrae”, diz ela, ressaltando o respeito de Matos pelas culturas e saberes locais. “É nesse território que eu achei que a gente devia fazer essa homenagem a ele”.

O mobiliário do Estúdio Sérgio Matos inclusive já participou do Salone Internazionale del Mobile, o famoso Salão de Milão (na Itália), no ano passado, feito que será repetido este ano, na 64ª edição do evento, que ocorrerá de 21 a 26 de abril — atualmente o designer passa a trabalhar com a Artefato, uma das marcas mais importantes do segmento no Brasil.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de abril de 2026.