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Sinfônica da UFPB recebe Helô Uehara em concerto

publicado: 20/03/2026 09h08, última modificação: 20/03/2026 09h08
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Helô Uehara canta com a orquestra na Sala Radegundis Feitosa, na UFPB, com entrada franca | Foto: Thaise Gomes/ DIV

por Daniel Abath*

Proposto pelo deputado Vicentinho (PT-SP) e instituído pela Lei nº 14.519/2023, o Dia Nacional das Tradições das Raízes de Matrizes Africanas e Nações do Candomblé passou a ser celebrado em 21 de março como forma de saudar os povos originários de África e valorizar a manifestação cultural e religiosa que sempre fora alvo de tantos preconceitos. Às vésperas de sua comemoração, a Orquestra Sinfônica da Universidade Federal da Paraíba (OSUFPB) convida a cantora e compositora Helô Uehara para um concerto especial, o Canto de Iyá. A apresentação acontece hoje, às 20h, na Sala Radegundis Feitosa, localizada no Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), no Castelo Branco (JP). A entrada é gratuita.

Canto de Iyá conta com regência do maestro Carlos Anísio e participação especial do cantor, compositor e multi-instrumentista Pedro Paz. Convidada pelos membros da comissão da OSUFPB, a cantora natural de Barretos (SP) e radicada na Paraíba desde 2016, oferece seu canto de consagração à efeméride afirmando a potência sonora de seu primeiro trabalho autoral, o compacto Iaô de Oxum, lançado em outubro de 2024.

“Em Canto de Iyá trago minhas canções autorais, presentes no álbum, cantigas tradicionais dos cultos de Nação, além de obras consagradas que dialogam com essa linguagem”, explica Uehara. “Mais do que uma apresentação musical, Canto de Iyá propõe um momento de escuta, reconhecimento e reverência às tradições que atravessam gerações e seguem vivas na formação cultural do Brasil. As religiões de matriz africana carregam histórias, saberes e ritmos que contribuíram profundamente para a construção da nossa identidade”.

Com 20 anos de carreira, essa é a primeira vez em que Helô fará apresentação com uma orquestra sinfônica. “Estou profundamente emocionada”, confessa, “e fui acolhida com muito respeito pelos musicistas da OSUFPB. Para mim, enquanto artista e Iyalorixá, é uma honra colaborar com uma realização tão importante e simbólica, propondo um espaço de aquilombamento, escuta e reconhecimento desses valores sagrados”.

Ao lado de Pedro Paz, Helô Uehara fez ecoar a sensível “Folha que cura (ewê ô)” entre os 14 finalistas do 7º Festival de Música da Paraíba, em julho de 2024. “Pedro Paz é um grande artista, cantor, compositor, com quem tenho a alegria de compartilhar a minha arte. Juntos produzimos o Agoiê [projeto musical], dividimos palcos, espetáculos, gravações e criações muito potentes”, atesta a cantora.

Formada em Medicina, Helô Uehara foi primeiro musicista, tendo iniciado os contatos com a arte aos 7 anos de idade. Cantando nas noites paulistanas, o contato com músicos profissionais fê-la não apenas arcar com as despesas do curso superior como aprofundar os estudos e pesquisas musicais, com foco na vertente do samba de terreiro.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 20 de março de 2026.