Um repertório diverso, recheado de ritmos populares, aguarda o público da capital, hoje, na Universidade Federal da Paraíba (UFPB): o concerto Do choro ao frevo traz a Pequena Orquestra Popular da instituição (POP), sob a regência do maestro e professor José de Arimateia Formiga Verissimo, o Teinha, e a participação da solista Amanda Camilo, a cargo do eufônio. O concerto ocorre a partir das 20h, na Sala de Concertos Radegundis Feitosa, situada no Departamento de Música (Demus), parte do Campus I da instituição, em João Pessoa (bairro do Castelo Branco). A entrada é franca.
Teinha explica que esta apresentação foi concebida como uma homenagem ao mês do choro, celebrado agora, em abril, graças ao nascimento do instrumentista Pixinguinha — por isso o ritmo ocupa o maior bocado do repertório. Mas a seleção de faixas também abrange o maxixe, peças populares de nomes contemporâneos, e aquelas compostas por Radegundis Feitosa (que dá nome à sala de concertos), desaguando na “Suíte Francisca”, com canções de autoria de Chiquinha Gonzaga.
“Concluímos com ‘Ó, abre alas!’, uma das primeiras marchinhas carnavalescas do Brasil”, informa.
Apesar de conhecer o trabalho da orquestra e dos seus gerentes, esta é a primeira vez que Teinha rege a POP, e aponta, como uma de suas principais características, a pluralidade e a complexidade dos instrumentos que abarcam o grupo, partindo das presenças mais comuns, como as cordas tradicionais — viola, violino e violoncelo.
“Mas há também as cordas típicas do choro, como o cavaquinho e o violão de sete cordas. Há, ainda, os elementos de sopro, guitarra, baixo e um naipe forte de percussão, do vibrafone e da marimba”, afirma.
A Pequena Orquestra Popular da UFPB existe desde de 2022 e conta, hoje, com cerca de 30 musicistas. Apesar de ser vinculada ao Laboratório de Percussão e Rítmica (Laper), do Demus/UFPB, o conjunto também conta com membros que não são da comunidade acadêmica. Todos são coordenados por Carlos dos Santos, Chico Santana e Renata Simões. Já Teinha, natural do município de Pombal, revela que a inspiração para seguir trajetória como músico e docente veio do avô, o também regente Eliseu Veríssimo de Sousa.
Somando quase 50 anos de carreira, ele recorda que após ter sido introduzido ao clarinete por Eliseu, rumou para João Pessoa na década de 1980, com o intuito de cursar o bacharelado em Música. A partir dos anos 1990, consolidou sua carreira como professor.
“Fiz mestrado na Universidade Federal da Bahia. E, como maestro, comecei a atuar na banda sinfônica do Espaço Cultural, da Escola de Música Antenor Navarro. Depois, regi a Orquestra Sinfônica titular e a Sinfônica Jovem da UFPB”, recorda.
Asseverando, por fim, a importância de criar pontes entre os segmentos popular e erudito, Teinha declara que iniciativas como a POP e a Brasil Jazz Sinfônica, de São Paulo, auxiliam tanto na difusão da música de concerto, quanto na quebra de preconceitos contra gêneros que estão à margem.
“Essa junção é a grande tendência mundial de hoje, acabar com as barreiras, já que a música é universal. Podemos misturar todos esses gêneros, dependendo apenas da qualidade, da concepção e dos arranjos dos nossos criadores”, conclui.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de abril de 2026.