Deu Paraíba no 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira (PMB), realizado na última quarta-feira (10): a banda Totonho e os Cabra venceu na categoria melhor lançamento funk pelo álbum Aí dentu: funk de embolada e hip hop do mato, concorrendo com artistas tradicionais do gênero. O álbum, lançado no segundo semestre de 2025, foi produzido por André Abujamra, Renato Oliveira, Marcelo Macedo, Rica Amabis e pelo também paraibano FurmigaDub – este último e Totonho subiram ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro para receber o troféu das mãos das apresentadoras, Débora Bloch e Alice Wegmann.
Com 11 faixas, o álbum adiciona ao funk elementos regionais como a embolada e a ciranda, além do próprio rock. Algumas canções contam com participações especiais de conterrâneos e de outros artistas radicados na Paraíba: Mestra Ana do Coco em “Sulandê”, música de abertura; Ruanna em “Quer trocar?”; Pedro Osmar em “Balança de precisão”; e Pedro Osmar em “Pega o beco”. “Eu saí mudando letra, mas fui chegando na coisa do afro-tupi, alguma coisa que falasse de índios com pretos e da sociedade brasileira como um todo”, comentou Totonho para A União, quando da estréia do disco, sobre suas composições.
Ao pensar a obra, o compositor e intérprete quis homenagear o Jaguaribe Carne, duo pessoense composto pelos irmãos Paulo Ró e Pedro Osmar, influência para as gerações contemporâneas e posteriores. O ritmo que baseia o projeto também é um velho conhecido de Totonho. “Morei quase 30 anos no Rio mas a minha ideia de funk vem do Maculelê [expressão cultural afro-brasileira, com origem na Bahia]. Fico a vontade para construir um universo que poucos ousariam produzir e que, às vezes, eu mesmo acho disforme. Minha mãe disse certa vez: ‘Meu filho, a música que você faz não é estranha, estranho é você!’”, relatou.
Somando três décadas de carreira, Totonho divide-se entre a parceria com Os Cabra, seu conjunto de apoio, e as colaborações com outros artistas nordestinos. Ele, a propósito, tem outras láureas regionais e nacionais no currículo. “Meu primeiro álbum venceu o prêmio globo.com de disco do ano. E meus três últimos álbuns ficaram entre o 50 melhores discos produzidos no país. Sou muito ‘do universo’ de prêmios: já ganhei oito festivais de música, e quatro segundos lugares. Mas faço disco pensando em mim, no que eu quero e tenho pra dizer. Não espero muito reconhecimento porque isso entra no game da ‘produtização’, diz.
Irreverente, Totonho saiu para comemorar o feito, na noite da última quarta-feira e, em vídeo, brincou com a aparência do troféu – uma placa com um formato abstrato “Isso é uma grelha para assar a carne”. “A importância do prêmio não é apenas para mim, é para a música da Paraíba e que se faz na Paraíba. O disco produzido foi produzido em João Pessoa e isso mostra que a gente não precisa mais estar nos grandes centros para ser reconhecido. Eu faço música para o pertencimento de ser da ‘caixa’ dos poetas de Monteiro, para ser merecedor de dizer que sou daquele lugar de poesia tão intensa e diferenciada”, atesta.
Outros paraibanos concorreram a mais categorias no PBM. Chico César e Capilé foram indicados a melhor lançamento reggae, com a faixa “Saci”, mas foram suplantados por Bia Ferreira, Little Lion Sound pelo compacto “O seu silêncio”. Lucy Alves disputou troféu como melhor artista em canção popular, mas João Gomes foi o vencedor. Por fim, FurmigaDub e o single “Rabecada”, parceria com o duo Afterclapp, estavam nomeado ao prêmio de melhor lançamento eletrônico; a escolha foi o disco Cabaça do Africanoise. Uma característica da competição é a mescla de singles e discos num mesmo segmento, como melhor lançamento.
O PMB laureou outros projetos que foram destaque no ano passado. Além de ter vencido como melhor artista em canção popular, João Gomes e os colegas do trio Dominguinho, Jota.pê e Mestrinho, despontaram como o melhor projeto especial. Já o álbum visual Rock doido, de Gaby Amarantos, foi eleito o melhor projeto audiovisual. A 33ª edição do Prêmio BTG Pactual da Música Brasileira (PMB) homenageou o cantor Cazuza, mais três décadas depois de sua morte e 37 anos após a sua última e marcante aparição no prêmio. Ney Matogrosso, Marina Sena e Ludmila prestaram tributos ao cantor durante a cerimônia.
Todos os premiados:
MPB
- Artista: Djavan.
- Lançamento: Improviso, Djavan.
SAMBA
- Artista: Alcione.
- Lançamento: Pagode do Pericão (ao vivo em São Paulo), Péricles.
POP
- Artista: Luedji Luna.
- Lançamento: Antes que a Terra acabe, Luedji Luna.
CANÇÃO POPULAR
- Artista: João Gomes.
- Lançamento: Pé de Serrita, João Gomes.
ROCK
- Artista: Black Pantera.
- Lançamento: Nenhuma estrela, Terno Rei.
AXÉ
- Artista: Olodum.
- Lançamento: Cirandaia, Daniela Mercury.
RAÍZES
- Artista: Mestrinho.
- Lançamento: Recife, início, meio e fim, Orquestra Malassombro.
INSTRUMENTAL
- Artista: Hamilton de Holanda.
- Lançamento: Baden, João Camarero.
SERTANEJO
- Artista: Chitãozinho & Xororó.
- Lançamento: “Meninos de roça”, Chitãozinho & Xororó.
RAP/ TRAP
- Artista: BK’.
- Lançamento: Caro vapor 2: qual a forma de pagamento?, Don L.
ERUDITO
- Lançamento: Gunûncho, Gabriele Leite.
ELETRÔNICO
- Lançamento: Cabaça, Africanoise.
FUNK
- Artista: Deize Tigrona.
- Lançamento: Aí dentu: funk de embolada e hip hop do mato, Totonho e os Cabra.
REGGAE
- Artista: Maneva.
- Lançamento: “O seu silêncio”, Bia Ferreira e Little Lion Sound.
PROJETO ESPECIAL
- Lançamento: Dominguinho, João Gomes, Mestrinho e Jota.Pe.
LÍNGUA ESTRANGEIRA
- Lançamento: Rhonda’s boots & legs (Live), Silvia Machete.
REVELAÇÃO:
- Fitti.
PROJETO AUDIOVISUAL:
- Rock doido, Gaby Amarantos.
Obs.: álbuns e singles concorrem nas categorias de Melhor Lançamento. Os títulos em itálico referem-se a álbuns; entre aspas, a singles
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de junho de 2026.
