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Wil Cor e Eletrocores lançam disco

publicado: 01/04/2026 09h09, última modificação: 01/04/2026 09h09
Álbum Ninguém vai se salvar já está disponível nas plataformas de áudio e terá show no próximo dia 12
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A banda reúne sete canções autorais e uma regravação de “Béradêro”, de Chico César | Foto: Divulgação

por Daniel Abath*

Wil Cor queria fazer suas cores elétricas vibrarem em tonalidades mais pesadas, resgatando as verdades do rock de protesto. A ideia não ficou apenas na paleta da cabeça, mas acabou se tornando o primeiro álbum de sua banda, a Wil Cor & Eletrocores. Lançado no último dia 27 de março nas plataformas digitais, Ninguém vai se salvar chega propondo renovação ao rock pop com os pés fincados nos ritmos negros e indígenas, em fusão com os elementos da música nordestina.

O trabalho foi gravado ao vivo no Estúdio DoSol, capitaneado pelo engenheiro de som Yves Fernandes (gravação, mixagem e masterização) – a distribuição também fica a cargo do selo natalense. Já Wil Cor & Eletrocores é composta por Dodô Trindade (baixo e vocais de apoio), Erick Henrique (bateria), Samir Cesaretti (guitarra e vocais) e Wil Cor (vocalista). 

Imagem: Divulgação

“Eu já trocava com ele [Yves] antes e tudo, daí a gente deu sorte nesse momento de conseguir fazer com ele. Porque na verdade a gente tava precisando de um som mais pesado. A gente tirou um som com o Chico Corrêa no trabalho anterior, que tem uma outra pegada. Esse agora a gente queria pesar um pouco a mão”, afirma Wil Cor.

Apesar da mensagem soar um tanto ameaçadora, com o mapa do Brasil pintado de preto, de ponta-cabeça, e tendo as manchetes de jornais mais alarmantes ao fundo da arte de capa (assinada por Cesaretti), Ninguém vai se salvar intenta recontar a história dos povos originários em terras tupiniquins ao longo de oito músicas – são sete autorais e uma versão mais groovada e rock de “Béradêro”, composta pelo ídolo Chico César em 1995.

É o caso de “Instiga fusion”, faixa de abertura que já chega “pra exorcizar” com o suingue do baixo em intercalação direta com as guitarras distorcidas. “É que o conceito e o preceito/ Deixa de ser preconceito/ Se você pensar”, ataca a letra, que cita ainda o reisado e outras manifestações populares.

Na sequência de canções “pra cima”, o lado A do trabalho emenda “Chama pra cantar” no melhor estilo Jorge Ben Jor – o compositor é inclusive referenciado no trecho: “Uma cerveja gelada/ Jorge Ben Jor na viola/ Nada de mudar o mundo/ Conversa jogada fora”. As pancadas atravessam sua versão “Baradêro” e alcançam “Rio Tinto”, resposta indígena à invasão das terras potiguaras com riffs que fazem lembrar a “malocage” das guitarras de Alex Madureira junto aos primeiros trabalhos de Escurinho e sua banda Labacé.

De cariz mais setentista, “Ninguém vai se salvar” proclama o amor à terra e a reescrita do “lado negro da história”. Já “Bem fundo” é o lugar onde o eu lírico tenta pagar suas contas e sanar suas dívidas, pressionado socialmente a reagir. Mas como nem tudo está perdido, “Todo mundo quer funk” levanta o astral, mostrando que tudo acaba em funk. Apesar de ser a última, “Eu acho é pouco” é inimiga do fim em atmosfera post-punk transmutada no bom e velho rock and roll que propõe a instiga necessária para ver mais um disco rolando na vitrola madrugada adentro.

“A gente vai fazer um show de lançamento do álbum dia 12 de abril, na Caravela Cultural. O pôr do sol desceu, às 18h, a gente vai fazer, convidando o Zefirina Bomba pra tocar com a gente”, adianta Wil. Antes de Ninguém vai se salvar, Wil Cor colocou no mundo o EP Estilhaço (2023) e dois singles que vieram a compor o compacto Valei-me Nossa Senhora Cátia de França e meu guerreiro Chico César (2024).

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 1º de abril de 2026.