“O papel da mulher na sociedade atual: desafios e realidades” foi tema de mesas de debate realizadas ontem (05) nas sedes das rádios Tabajara e Parahyba, pela manhã, e do jornal A União, à tarde. Reunindo o público interno da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), os momentos propuseram conversas abertas sobre as experiências de mulheres frente às disparidades de gênero, preconceitos e violências enfrentados entre o espaço público e o privado, bem como no mundo do trabalho. Participaram como convidadas a secretária de Estado das Mulheres e da Diversidade Humana, Lídia Moura, e a mentora, consultora e empresária Lila Azevedo.
A mediação foi feita pela escritora e jornalista Renata Escarião, que ressaltou a importância de trazer um debate diverso em temas e vivências. “As pautas são variadas, e importantíssimas, mas o que eu achei mais interessante foi poder trazer a perspectiva de duas mulheres que têm perfis bem diferentes. Uma gestora pública, uma mulher que é da militância e uma empreendedora”, destacou. “Foi muito enriquecedor, trazer para esses espaços internos, essas discussões, e poder ouvir também os questionamentos do público”, opinou Renata.
“Se somos metade a partir da humanidade e mães da outra metade, essa outra metade precisa se juntar a nós nessa cruzada”, afirmou Lídia Moura. Para além do papel das mulheres no enfrentamento e na composição de propostas de transformação social através de atitudes de contraposição ao machismo e à misoginia, a titular da pasta estadual das Mulheres e da Diversidade Humana, destacou a importância de que os homens passem, cada vez mais, a estar não apenas conscientes, mas também engajados e ativos na defesa de uma sociedade mais igualitária e menos hostil às mulheres. “O machismo mata as mulheres e mata também os homens. Então não serve de absolutamente nada esse machismo. Essa é a primeira atitude que a gente tem de ter: compreender que o machismo é um defeito, um problema, e um demérito”, afirmou a secretária.
Disparidades salariais e os desafios vividos por mulheres nos espaços profissionais, principalmente em papéis de liderança, foram tratados também por meio da fala de Lila Azevedo. Com experiências no mundo corporativo e tendo mudado a carreira para empreender, a administradora de formação refletiu sobre os enfrentamentos e o preconceito de gênero que marcam as passagens de mulheres por cargos de chefia e protagonismo. “Precisamos nos provar, e isso pode ser cansativo. A mulher, neste contexto, precisa saber o que quer e lutar por seus objetivos com firmeza”, conta Lila, que atualmente transpõe os seus aprendizados de carreira em um programa de aceleração para empreendedoras.
Entre os outros assuntos, Lídia Moura destacou a importância de pensar na educação como passo importante de desconstrução do machismo e dos papéis de gênero limitantes — que podem isolar mulheres e reforçar violências, além de sobrecarregá-las no âmbito do trabalho reprodutivo e do cuidado.“Quando a gente compra brinquedos para as crianças, e as casinhas e as panelinhas vão para as meninas e o carro, o herói, o avião, para os meninos, isso é poder, esse consumo diferente: um é o cuidado, é estar dentro de casa, e outro é o poder do mundo, externo. Então isso é ruim. [Devemos poder] olhar para o outro e para a outra como seres humanos, que não precisam desse regramento. Não tem nada no mundo que seja só de menina ou só de menino”, concluiu a secretária.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de março de 2026.