Mergulhar na memória paraibana e desvendar as fontes da história. Essa foi a oportunidade que o 8º ano do IE Colégio e Curso teve na manhã de ontem, na sede da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), em João Pessoa. Durante o dia, 45 alunos puderam conhecer a estrutura e acompanhar as etapas de produção do jornal A União, da redação à impressão.
Guiada pela arquivologista Ana Flor, a visita integrou o currículo da disciplina de Redação. Os jovens, sob a supervisão da professora Jennifer Nascimento, aprenderam recentemente o que caracteriza os gêneros jornalísticos. Promover um contato direto entre os estudantes e o conhecimento jornalístico, de acordo com ela, possibilita aplicar o conteúdo teórico na prática.
“Eu sempre defendo e falo para eles que a gente conhece muito o que é de fora e pouco o que é nosso. O jornal A União é patrimônio histórico e cultural da Paraíba e, por essa razão, a gente quis trazê-los para ter essa experiência de conhecer a Paraíba pelo jornal. A partir de agora, eles têm uma ideia do que se passa no estado, principalmente por meio da fala e da prática, com jornalistas paraibanos. Além do conhecimento, a gente percebe que isso pode ser uma aproximação para despertar, quem sabe, futuramente, o interesse neles de também serem jornalistas”, destacou.
Quem apresentou os detalhes de cada exemplar foi a jornalista Camilla Barbosa, repórter do caderno de Esportes. Para ela, abrir o espaço às novas gerações incentiva crianças e adolescentes a valorizar o saber jornalístico. “Esse tipo de visita pode impulsioná-los a entender a dimensão disso, a relevância do nosso trabalho. Isso me deixa muito feliz, porque faz com que eles entendam e compreendam como funcionam os processos, que é algo que, às vezes, quem está de fora, quem recebe o jornal, não entende”, afirmou.
Entre os mais animados, o jovem Enzo Albuquerque, de 13 anos, viu no momento uma chance de explorar a riqueza da mídia física. Apaixonado pela leitura, ele compartilha um repertório que abrange não ficção, mangás e, agora, jornais. “Quando a professora falou que eu poderia conhecer o jornal, aqui, eu fiquei muito empolgado, porque seria uma experiência para a gente aprender sobre a nossa cultura e também pegar algum jornal para ler no caminho”, revelou.
Assim como Enzo, a estudante Milena da Luz, também de 13 anos, demonstrou um interesse particular pela palavra escrita. Ao lado dos colegas de classe, ela, que só via jornais na casa da avó, teve acesso a uma coleção centenária de edições. Mas o que a encantou, acima de tudo, foi traçar o transcorrer do tempo por meio das matérias publicadas.
“Eu nunca tive muito contato, nunca fui em um local que imprime e gera um jornal. Eu achei bem legal a edição. É uma estrutura que, ao mesmo tempo em que é moderna, contém coisas antigas, preserva. Acho bem legal essa mistura. As letrinhas eram muito pequenininhas, muito diferente de como é hoje. Eu amo história, então, para mim, está sendo o máximo”, contou.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 15 de abril de 2026.