No Mês do Orgulho LGBTQIA+, a Universidade Federal da Paraíba (UFPB) destaca algumas das iniciativas de ensino, pesquisa e extensão que, ao longo de todo o ano, promovem inclusão, acolhimento, produção de conhecimento e fortalecimento dos direitos humanos. Em diversos centros de ensino, docentes, estudantes e técnicos desenvolvem projetos voltados à população LGBTQIA+, contribuindo para a construção de uma universidade mais plural e socialmente comprometida.
As ações abrangem diferentes áreas do conhecimento e demonstram o caráter interdisciplinar da atuação da UFPB.
No campo da educação e dos direitos humanos, o projeto A Universidade Acolhe a Diversidade — “promovendo o acolhimento e a proteção dos direitos humanos da população LGBTQIAPNB+ no contexto educacional” (Ano 3) —promove atividades formativas, rodas de diálogo e estratégias de acolhimento voltadas às diversidades de gênero e sexualidade, contribuindo para a construção de ambientes educacionais mais seguros e inclusivos. O projeto é coordenado pelo professor José Batista de Mello Neto, do departamento de Direito Público do Centro de Ciências Jurídicas (CCJ) e as atividades podem ser acompanhadas no instagram @unidiversidadeufpb.
Também no campo da educação e da formação crítica, o projeto de extensão Diversas, vinculado ao Grupo de Estudos em Gênero e Sexualidade (Gesex), do Centro de Ciências Humanas, Letras e Artes (CCHLA), promove debates, rodas de conversa e atividades educativas sobre gênero, sexualidades e direitos humanos. Coordenada pela professora Áurea Augusta, a iniciativa busca ampliar o diálogo com a comunidade acadêmica e a sociedade sobre temas contemporâneos relacionados à diversidade, contribuindo para o enfrentamento do preconceito e da violência simbólica, inclusive em contextos religiosos e culturais (saiba mais no Instagram @diversas.ufpb).
Na área da formação científica, o projeto Corpos Dissidentes na Química busca ampliar a representatividade de pessoas LGBTQIA+ nas ciências exatas, resgatando trajetórias de pesquisadores historicamente invisibilizados e incentivando estudantes a se reconhecerem como parte da produção do conhecimento científico. A iniciativa também desenvolve ações de formação para docentes e atividades em escolas públicas e é coordenada por Franklin Kaic Pereira, do departamento de Química do Centro de Ciências Exatas e da Natureza (Ccen).

- Instituição de Ensino Superior da Paraíba também promove debates e encontros sobre as diferenças | Foto: Divulgação/UFPB
A interface entre universidade e políticas públicas também se destaca nas ações voltadas à saúde. O projeto Devires da Clínica — “transversalidade, clínica ampliada e o apoio às práticas de cuidado nas redes de atenção à saúde” —, vinculado ao Departamento de Psicologia, atua em parceria com serviços do Sistema Único de Saúde e com o Centro de Cidadania LGBT de João Pessoa, oferecendo apoio às práticas de cuidado e contribuindo para a formação de profissionais sensíveis às especificidades da população LGBTQIA+. A coordenação é de Maria Lidiany Tributino de Sousa, docente do departamento de Psicologia do CCHLA, e as atividades podem ser acompanhadas no instagram @deviresdaclinica.
Na mesma perspectiva, o projeto ResisTO: Terapia Ocupacional Social, Gêneros e Sexualidades desenvolve oficinas, ações educativas e atividades de acompanhamento em parceria com equipamentos públicos e instituições de acolhimento, a exemplo da Casa de Acolhida para pessoas LGBTQIA+ Cris Nagô, fortalecendo redes de apoio e promovendo o acesso a direitos. A iniciativa também integra a formação acadêmica de estudantes e fomenta pesquisas sobre inclusão social e cidadania e pode ser acompanhada pelo instagram @projetoresisto.
Na área da saúde, o projeto Nutrir Diversidade, coordenado pelo professor Sávio Marcelino Gomes, do Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde (CCS), promove ações voltadas à segurança alimentar e ao direito à alimentação adequada para pessoas trans. Além de atividades de educação alimentar e nutricional e promoção do autocuidado, a iniciativa oferece atendimento nutricional gratuito para pessoas trans, com agendamento por meio de formulário disponível no perfil oficial do projeto no Instagram: @nutrirdiversidade.
Outra frente importante é desenvolvida pelo Laboratório de Educação, Práticas de Subjetivação e Sexualidades (ELÃ/UFPB), que reúne projetos de pesquisa e extensão voltados às discussões sobre gênero, sexualidade e educação. Entre as iniciativas, está o Observatório LGBTQIAPN+ da UFPB, responsável por promover debates, cineclubes como o Cine Queer, cursos e ações formativas que incentivam a reflexão crítica sobre diversidade e direitos. Atuante desde agosto de 2023, monitorando e fomentando políticas de existência e resistência, o grupo é liderado por Robson Guedes, do Centro de Educação (CE).
O diálogo entre cultura e educação também está presente no Cine Trava em Rede (@cine_trava), projeto que utiliza o audiovisual como ferramenta de formação, promovendo exibições de filmes, oficinas e debates sobre identidade, memória e direitos humanos.
A atuação da universidade alcança ainda o campo da pesquisa científica em saúde. A UFPB integra o estudo nacional Transbucal Brasil, que investiga o acesso da população trans aos serviços de saúde, à saúde bucal, à alimentação, às redes de apoio social e à saúde mental. Desenvolvida em parceria com instituições de diferentes regiões do país, a pesquisa deverá subsidiar novos estudos acadêmicos e contribuir para o aprimoramento de políticas públicas voltadas a essa população.
A diversidade dessas experiências evidencia como o compromisso com a inclusão está presente em diferentes áreas da universidade, mobilizando ações que vão da promoção da saúde e da educação à produção científica, à cultura e ao fortalecimento de políticas públicas voltadas à população LGBTQIA+.
Mais do que iniciativas isoladas, esses projetos demonstram o papel da extensão e da pesquisa universitária na construção de uma sociedade mais justa e acolhedora.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 18 de junho de 2026.