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Badminton

Modalidade em expansão na Paraíba

publicado: 04/05/2026 09h56, última modificação: 04/05/2026 09h56
Crescimento já atrai competições importantes como a Copa Norte/Nordeste e o Pan-Americano Júnior, que aconterão nos meses de junho e julho
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Raquete e peteca são indispensáveis para a prática da modalidade, que vem crescendo no estado | Fotos: Fernando Pires/FebaPB - Foto: PEDRO DOMINGUES LAWALL

por Camilla Barbosa*

O badminton paraibano vive uma expansão gradual, revelando talentos (sobretudo no interior do estado), sediando eventos nacionais e internacionais e ampliando sua presença em competições, com resultados cada vez mais frequentes nos pódios. Buscando traçar um panorama atual local, o jornal A União conversou com o presidente da Federação de Badminton do Estado da Paraíba (FebaPB) e com a professora Priscilla Soares, que vivem esse esporte na prática.

Com 10 clubes filiados, a FebaPB rege a modalidade em nível estadual. Seu atual presidente e fundador, Franklin Keill, é um dos responsáveis por expandir o conhecimento sobre essa prática esportiva, que chegou à Paraíba em 2007, ano em que a entidade foi fundada. Ele lista alguns dos motivos que influenciaram a ampliação em nível local. 

“Primeiro, a criação da federação, em 2007. Eu trabalhava no Clube Cabo Branco, aí achei interessante o badminton e abri a federação naquele ano, inclusive com o Clube Cabo Branco sendo um dos clubes fundadores. A partir dali, a gente passou longos três anos indo nas escolas, levando uma raquete e uma peteca, demonstrando mesmo o badminton. Na época, ninguém conhecia direito, não era muito falado, mas o crescimento se deu quando o Comitê Olímpico Brasileiro o incluiu nos Jogos Escolares e da Juventude; foi aí que deu uma grande ênfase, porque o estado foi obrigado também a colocar o badminton e o parabadminton como modalidades esportivas escolares”, relembra ele.

Para ele, o trabalho que a federação local tem desempenhado junto a técnicos, professores e atletas também contribui para a melhoria da qualidade técnica da modalidade no cenário estadual.

“A nossa federação, hoje, é exemplo para outras federações. Mantemos as normativas vigentes da Confederação Brasileira, porque não é só você ter uma federação e fazer seus campeonatos, tem que ter uma organização desde a base e manter atletas por muito tempo jogando badminton. A gente tem conseguido que os clubes se filiem, e isso alavanca o esporte e traz bastantes atletas para jogar a modalidade, e os resultados que esses técnicos, esses professores, conseguiram ao longo dos anos são ótimos. Por exemplo, tem uma técnica lá em Patos, que é Priscilla Soares, que se especializou na modalidade de badminton, e, graças a isso, Patos teve uma época que foi hegemonia. Então são equipes muito fortes, porque trabalham desde a base”, sublinha Keill.

Base

A atenção à base é também uma das estratégias para buscar o protagonismo paraibano nesse esporte em longo prazo. Os resultados nas edições de 2025 dos Jogos Escolares Brasileiros, dos Jogos da Juventude e das Paralimpíadas Escolares asseguram isso: a Paraíba conquistou 11 medalhas, ao todo, nos três eventos.

 “A gente tem muitos atletas que jogam badminton a nível escolar, dentro do estado. Semana passada, em Guarabira, fomos realizar a regional dos Jogos Escolares, e lá, ao todo, tinha quase 60 meninos inscritos, tanto masculino quanto feminino, categoria A e categoria B. Isso fortalece, porque eles são de escolas públicas, não têm clube, então, com a descoberta desse nicho de adolescentes que jogam dentro das escolas, os clubes conseguem captar esses atletas e ter uma formação melhor, porque eles treinam quase todos os dias. Com esse fortalecimento, eles também participam do Campeonato Paraibano e aí vão aumentando de nível. Os atletas que já vêm da base, chegam até a categoria principal com grandes chances de conquistar mais coisas do que conquistam hoje, dentro do estado”, aponta o dirigente.

Competições

Toda a comunidade estadual ligada ao badminton tem aguardado um importante evento internacional, programado para os dias 19 a 26 de julho. Trata-se do 33o Campeonato Pan-Americano Júnior de Badminton, que será realizado no Ginásio Ronaldão e contará com representantes de alto nível de quase 20 países.

“Ele tem uma particularidade, porque o pessoal que joga nele se classifica em outras categorias previamente, estão na corrida do ranking olímpico. Então esse evento acontecendo aqui é bom porque tanto as equipes daqui [de João Pessoa] quanto as equipes do interior conseguem visualizar o alto nível do badminton. A expectativa é de ser bem interessante, porque vêm países aí com atletas de Olimpíadas, de alto rendimento mesmo, então a galera fica superanimada para ver o evento”, afirma Keill.

Para além do Pan-Americano, outras competições integram o calendário anual da modalidade no estado. A Copa Norte/Nordeste, por exemplo, será realizada de 4 a 7 de junho, na Vila Olímpica Parahyba, com participação prevista de 250 atletas de seis estados que fazem a Regional 6: Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Sergipe, Bahia e Amapá. Além de classificar para o Top 16, que é um campeonato nacional, ela também será válida pela segunda etapa do Campeonato Paraibano.

Ensino e paixão esportiva

Priscilla Soares diz ser uma apaixonada pelo badminton e tem um papel importante na expansão da modalidade | Foto: Arquivo pessoal

“Sou uma apaixonada pelo badminton”, declara Priscilla Soares. Guiada por esse amor à modalidade, a professora da AABB Patos tem mudado o cenário da prática esportiva no município, sendo uma das personagens mais importantes no processo de expansão desse esporte no Sertão paraibano há mais de 10 anos.

“Eu comecei a trabalhar com badminton nas escolas, e a gente viu a necessidade de estar se inserindo em clubes para poder estar participando de campeonatos maiores, sabe? Então eu comecei a trabalhar na AABB em 2018. Aí, a partir disso, a gente começou a inserir o badminton entre as modalidades do clube. Eu, como treinadora da equipe, comecei a treinar os meninos, porque na AABB temos vários projetos sociais, vários programas, e um deles chama-se ‘AABB Comunidade’. Dentro dele, a gente consegue captar os talentos para a modalidade, e, a partir disso, participamos sempre das competições. Mesmo antes de estar trabalhando na AABB, eu já participava dessas competições com outras equipes, só que a AABB nos deu melhores condições de trabalho”, explica a professora.

“A gente sempre trabalhou com essa parte social. Eu já tinha meus atletas, a gente continuou treinando e continuou trabalhando, buscando novos talentos. E a gente participa das competições. Nunca deixamos de participar de nenhuma das etapas. Campeonato Paraibano, em toda Paraíba, a gente sempre rodou nesses campeonatos”.

No momento, a preparação da equipe comandada por Priscilla visa à Copa Norte/Nordeste. “A gente sempre classifica atletas para o Top 16, que é o objetivo dessa etapa. Então o badminton vem sendo um transformador social para essas crianças que são do projeto. A gente vem sempre nessa batalha, tentando levá-las para as competições, Jogos Escolares, e eu posso dizer que é uma das competições mais importantes também para a gente”, aponta a patoense.

Segundo a treinadora, o projeto de que faz parte conta, atualmente, com 40 atletas filiados à FebaPB. Para ela, a aderência massiva sertaneja é fruto da visibilidade e fortalecimento que a modalidade tem alcançado em cidades interioranas, da especialização de treinadores e dos investimentos recebidos.

“Aqui no Sertão e Alto Sertão, tem crescido bastante mesmo a modalidade. A gente tem o clube da SDU, que fica no Alto uSertão. Tem várias cidades que estão unidas nessa equipe — pessoal de Sousa, Cajazeiras—, tem crescido muito, mas eu vejo que isso é muito uma questão de visibilidade que eles estão tendo, sabe? Eu acredito que a pessoa que hoje apoia eles está conseguindo ter uma visão importante de estar massificando cada vez mais o badminton. Eu também vejo muito a questão do professor, do interesse dos professores aqui, que são muito esforçados, muito dedicados mesmo. Eu tiro por mim, né? Há mais de 10 anos com a modalidade, muitos cursos expressivos eu tenho hoje. Acho que, a nível Nordeste, poucas pessoas têm os cursos que eu tenho, então é mais a questão de procurar mesmo, se qualificar, procurar as oportunidades”, acrescenta.

“É muito forte o quanto a AABB nos ajuda, sabe? Por meio de projetos da Lei de Incentivo ao Esporte, a gente consegue colher muitos frutos com relação à estrutura material. Então eles nos dão muito essa oportunidade de estar crescendo dentro do clube, dentro da modalidade, por meio desses projetos. Emendas impositivas também têm ajudado, mas isso tudo porque existe uma regulamentação com a documentação que é exigida”, finaliza a professora.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de maio de 2026.