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Paraibanos competirão em Marrocos

publicado: 08/04/2026 09h15, última modificação: 08/04/2026 09h15
Petrucio Ferreira e Cícero Nobre intensificam treinos para o Grand Prix que acontece nos dias 23, 24 e 25 deste mês
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Petrucio Ferreira competindo na primeira fase nacional do Circuito Paralímpico | Foto: Marcello zambrana/CPB

por Camilla Barbosa*

Falta pouco para o Brasil iniciar sua participação na etapa de Rabat, no Marrocos, do Grand Prix de atletismo paralímpico, a primeira competição internacional do grupo verde--amarelo na modalidade em 2026. Entre os atletas que vão em busca de pódios no país africano, de 23 a 25 de abril, estão os paraibanos Petrucio Ferreira e Cícero Nobre.

De acordo com o Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), a delegação brasileira em solo marroquino terá 61 representantes, sendo 36 atletas, quatro atletas-guias, 15 oficiais (incluindo comissão técnica, chefe de missão e oficial administrativo) e seis profissionais da equipe médica. Na reta final da preparação para o evento, muitos deles, como é o caso de Petrucio e Cícero, participaram da primeira fase nacional do Circuito Paralímpico Loterias Caixa de atletismo, realizada na quarta e quinta-feira (1o e 2) da semana passada, no Centro de Treinamento Paralímpico Brasileiro (CTPB), em São Paulo.

Em solo paulistano, Petrucio concluiu os 100 m em 10”81. Já Cícero, no lançamento de dardo, fez 47.77 m e garantiu o primeiro lugar. O técnico Pedro Almeida (Pedrinho) afirmou estar satisfeito com o desempenho de ambos e dos demais representantes estaduais no evento.

“Em relação aos resultados, aconteceu tudo dentro do esperado. A gente sempre quer mais um pouquinho, mas, como é a primeira no ano, é como se você estivesse acordando para aquele tipo de desafio. Cícero e Petrucio têm um outro desafio no final do mês e a gente está dando oportunidade de trabalho, objetivando uma marca melhor, uma superação de marcas e de performance nessa competição. Os outros, no dia 30 de maio, nós vamos ter aqui um Meeting Paralímpico, e aí eu estarei com toda a equipe participando dessa competição, vai ser uma coisa bem interessante também. Essa será a primeira competição oficial do ano para os outros atletas que ainda não puderam participar dessa etapa, e aí vai se engrenando todo mundo no clima competitivo. A gente espera dar sequência ao trabalho e que todo mundo possa crescer ao longo deste ano”, expressou-se.

Na visão do treinador, a etapa de Rabat será um importante parâmetro para entender o nível dos atletas em um ciclo que antecede grandes eventos, como os Jogos Parapan-Americanos, no próximo ano, e os Jogos Paralímpicos, em 2028.

“É uma competição que não deve contar com todos os atletas top de todo o mundo, pois estamos vivendo esse nível de tensão, com essa guerra envolvendo Irã e Estados Unidos, e isso faz com que muitos países não encaminhem seus atletas. Mas não é isso que vai tirar o brilho da competição. Vai ser um termômetro para a gente ver em que nível, realmente, os atletas que participarem vão se apresentar”, comentou ele.

“Isso é importante para a gente tomar pé da realidade, porque, neste ano, essa é a competição mais importante que os meninos vão ter. Ainda haverá um Sul-Americano, mas, por exemplo, o Petrucio não vai participar, por conta de um critério estabelecido pelo Comitê Paralímpico Internacional [IPC]. De todo modo, o ano que vem e o seguinte serão anos muito efervescentes, com Parapan, Campeonato Mundial e, depois, as Paralimpíadas; aí, a temperatura é outra”, complementou Pedrinho

O técnico ainda explicou sobre o plano estratégico de treinamentos deste ano para os atletas paraibanos de alto rendimento do esporte paralímpico. Segundo ele, o objetivo é a manutenção do alto nível técnico, mas com equilíbrio, reduzindo a carga de treinos e cobranças para preservar os principais atletas e garantir longevidade no ciclo.

“Pensando nos atletas top, como Cícero e Petrucio, por ser um ano que não temos competições tão importantes, do mesmo naipe, a gente aproveita para segurar um pouco mais os treinos. Não aplicamos uma sobrecarga que usamos em anos com competições muito importantes. Isso permite deixar o atleta relaxar um pouco, soltar mais, para que ele se mantenha em um bom estágio e tenha longevidade. É uma forma de garantir que ele continue rendendo, evoluindo e superando marcas. Então, é um ano em que a gente ‘relaxa’, entre aspas, solta um pouco mais, tanto nos treinos quanto nas cobranças, para dar uma sobrevida para o ano seguinte. Quando o nível de exigência aumentar, aí sim será mais puxado. Agora, é como se fosse para dar uma descansada, mantendo em um nível mediano”, esclareceu o treinador.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de abril de 2026.