Há 20 anos, a Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis de Patos (Ascap) desenvolve um trabalho voltado à coleta seletiva de resíduos sólidos para reciclagem. Fundada em 2006, a entidade tem como objetivo promover melhores condições de vida e dignidade para seus associados. Atualmente, com atuação consolidada, mantém parcerias com empresas responsáveis pelo repasse de materiais reaproveitáveis — realidade bem diferente do início das atividades.
A presidente da Ascap, Maria Nilma Gomes de Sousa, de 69 anos, trabalha há mais de quatro décadas como catadora. Ela relembra que, no começo, a coleta era feita diretamente no lixão da cidade, em condições extremamente precárias. “Naquela época, era um trabalho desumano. Passávamos o dia inteiro no sol, improvisando barracas com o que encontrávamos para nos proteger. Quase não havia o que comer. As crianças ficavam no meio do lixo, era uma situação muito triste”, recordou.
Foi nesse contexto que Maria Nilma criou seus 10 filhos e acompanhou a luta de outras famílias pela sobrevivência. A criação da associação enfrentou resistência inicial, mas, com o tempo, foi compreendida como uma alternativa para deixar o lixão. Hoje, a Ascap atua na coleta de materiais recicláveis em farmácias, shoppings, supermercados, hospitais, distribuidoras de bebidas, escolas e instituições de Ensino Superior, entre outras empresas de médio e grande porte. Ao todo, 18 famílias estão vinculadas à associação.
Coleta, triagem e venda
Para viabilizar o transporte dos resíduos, a Ascap dispõe de um caminhão e uma caminhonete, adquiridos por meio de parcerias públicas e privadas. Diariamente, os veículos realizam a coleta e encaminham os materiais ao galpão da associação, localizado na PB-228, no bairro Ana Leite.
No local, os resíduos passam por um processo de triagem em etapas. “Primeiro, separamos o que está seco do que está molhado. Depois, dividimos por tipo: papel, plástico, papelão, garrafas PET e latinha. Em seguida, fazemos uma nova separação, porque os plásticos têm valores diferentes”, explicou a presidente.
A associação também conta com equipamentos para compactação e processamento dos materiais, como prensas para plástico e papel, além de triturador de documentos. “Quem precisa descartar documentos pode trazer para a associação. Nós fazemos a trituração, porque a queima é proibida”, alertou.
Mensalmente, a Ascap processa cerca de 14 toneladas de materiais recicláveis, que são destinados a empresas de reaproveitamento em Patos e Campina Grande. Apesar do volume significativo, a renda gerada ainda é baixa, devido aos preços praticados no mercado. O quilograma (kg) da latinha de alumínio, por exemplo, é vendido por cerca de R$ 7, enquanto plásticos mais grossos, como restos de baldes e bacias, chegam a apenas R$ 0,60 o kg.
Mesmo com o trabalho contínuo, a renda dos catadores não atinge um salário mínimo. “Depois de descontar as despesas com transporte, o restante é dividido igualmente entre todos. Nenhum de nós chega a receber um salário completo”, destacou Maria Nilma.
Fim do lixão
Em agosto de 2023, o lixão de Patos foi oficialmente desativado. À época, ainda havia famílias que optavam por não integrar a associação e sobreviviam da coleta no local. Com o encerramento das atividades, o descarte de resíduos na área foi proibido, e o espaço passou a ser recuperado ambientalmente.
Atualmente, o lixo coletado no município é encaminhado para um aterro sanitário localizado em São José do Bonfim, marcando uma nova fase na gestão de resíduos sólidos na região.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de abril de 2026.