Com o acúmulo de material gráfico produzido pelo jornal A União, que circula desde 1893, foi se formando o Arquivo com a guarda de seus documentos. Hoje, 133 anos depois, o acervo conta com cerca de 95,5 mil itens, que são referência para pesquisas acadêmicas e para outras que levaram a publicações de instituições relevantes no estado.
Entre os itens, estão 26 mil exemplares físicos do jornal A União, 18 mil exemplares físicos do Diário Oficial do Estado (DOE), 300 exemplares do suplemento literário Correio das Artes, 50 mil fotografias físicas, 525 títulos de revistas e suplementos especiais produzidos pelo jornal, 700 livros da editora A União, além de materiais da Imprensa Braille.
As pesquisas podem ser feitas presencialmente, na sede do jornal, em João Pessoa, ou por meio do material digitalizado disponível no site. A arquivista Ana Cristina Coutinho Flor explica que a procura é variada e que o espaço também é aberto para visitação de escolas, universidades e demais interessados, mediante agendamento prévio.
Físico e digital
Ana Flor conta que o acervo tem os exemplares físicos do jornal A União publicados a partir de 1904, e do Diário Oficial desde o segundo semestre de 1955, quando foi separado do jornal. Até então, o periódico e o DOE eram publicados juntos, em apenas um exemplar. Já as fotografias físicas são, em sua maioria, do fim da década de 1970 até o início dos anos 2000, e foram utilizadas para ilustrar as matérias jornalísticas. Do acervo de 50 mil imagens, cerca de 20 mil estão digitalizadas.
“Temos feito um trabalho robusto de digitalização, e, no site, podem ser encontrados edições do jornal desde a sua criação, em 1893, até os dias atuais, mas ainda não temos a sequência completa. Há alguns hiatos, devido à grande demanda e à dificuldade do estado físico de alguns exemplares. As primeiras edições conseguimos com a Biblioteca Nacional”, aponta Flor.
Temas e áreas
O amplo material foi base para mais de 30 pesquisas acadêmicas nos últimos 20 anos, considerando-se apenas as que têm o jornal como objeto principal — já que, segundo Ana Flor, é incalculável a quantidade de pesquisas que abordam o periódico e seus suplementos como objeto secundário. Alguns estudos também levaram à publicação de instituições militares, à edição de livros de Atas do Tribunal Regional Eleitoral e a painéis nos museus da Cidade de João Pessoa e da Paraíba.
Há pesquisas sobre como a Segunda Guerra Mundial foi retratada no jornal; sobre as manchetes necrológicas; a memória camponesa e a questão agrária; sobre a imprensa e a construção da história local; a imprensa na redemocratização em 1945; o jornal como patrimônio cultural e histórico paraibano, entre tantos outros temas.
No entanto, os estudos não ficam restritos ao campo da comunicação. Ana Flor relata que o Arquivo já recebeu pesquisadores de várias áreas acadêmicas, como Medicina, História, Letras, Arquivologia, Educação Física, Enfermagem e Direito.
O perfil dos pesquisadores varia entre acadêmicos das diversas áreas do conhecimento, estudantes do Ensino Fundamental e Ensino Médio, escritores, profissionais de prefeituras e estados e usuários internos da instituição, além de civis, em geral à procura do Diário Oficial. “Todos esses utilizam o Arquivo, tanto de forma presencial como on-line, para compor seus trabalhos acadêmicos, profissionais e pessoais”, afirma Flor.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de maio de 2026.
