Nos quatro primeiros meses de 2026, João Pessoa já registrou 471 novos casos de sífilis, divididos nas modalidades sífilis adquirida, sífilis gestante e sífilis congênita. Em todo o ano passado, foram 2.306 confirmações de doença, uma infecção sexualmente transmissível (IST) que pode trazer consequências graves à saúde, quando não tratada adequadamente.
Diante dos números, a Prefeitura de João Pessoa, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (SMS), faz um alerta sobre a doença e a importância das medidas de prevenção, sobretudo para o diagnóstico precoce e o tratamento oportuno, que são fundamentais para interromper a transmissão da doença e garantir mais qualidade de vida à população.
A sífilis é causada pela bactéria Treponema pallidum e pode ser transmitida principalmente por relações sexuais desprotegidas, sejam vaginais, anais ou orais. A doença também pode ser transmitida da mãe para o bebê durante a gestação ou parto, o que caracteriza a sífilis congênita, além do contato direto com feridas infecciosas.
“Essa é uma doença silenciosa, mas que pode trazer consequências graves se não tratada. Muitas vezes, a pessoa não apresenta sintomas e continua transmitindo sem saber. Mas tem cura, o diagnóstico é simples, rápido e, assim como o tratamento, é feito pelo SUS [Sistema Único de Saúde]”, destaca a enfermeira técnica da área de ISTs da SMS, Millena Hilário.
Na rede municipal, o cuidado com a sífilis é ofertado nas unidades de saúde da família (USFs) e no Serviço de Assistência Especializada — Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA). Nesses locais, a população tem acesso à testagem rápida, diagnóstico e tratamento com penicilina benzatina, além de todo acompanhamento e orientações necessárias com profissionais capacitados.
O acesso aos serviços é gratuito e pode ser feito diretamente na unidade de saúde onde o usuário está cadastrado. O atendimento inclui a realização de testes rápidos para detecção da infecção, com resultados saindo depois de 15 a 20 minutos, e o início imediato do tratamento em caso positivo, além do acompanhamento até a cura e o tratamento das parcerias sexuais, medida essencial para interromper a cadeia de transmissão.
“Entre as principais orientações à população, estão o uso de preservativos em todas as relações sexuais, a realização periódica de testes para detecção de infecções sexualmente transmissíveis, especialmente em situações de risco, e a adesão ao pré-natal completo, no caso de gestantes, que precisam redobrar o cuidado, pois a doença pode afetar o bebê. A sífilis tem cura, mas exige diagnóstico e tratamento adequados. Por isso, previnam-se e busquem a unidade de saúde mais próxima e cuidem da saúde”, orienta Millena Hilário, enfermeira da SMS.
Números
Durante todo o ano de 2025, a SMS registou, em moradores da capital, 1.643 casos de sífilis adquirida, 560 casos de gestantes com a doença e 103 casos de bebês contaminados pela mãe. Neste ano, de janeiro a abril, já são 353 casos na modalidade adquirida, 89 casos em gestantes e 29 casos de sífilis congênita.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 07 de maio de 2026.