Os servidores técnico-administrativos da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) deram início ontem (09) a uma greve, por tempo indeterminado. Eles reivindicam carga horária de 30 horas semanais, além da implantação do Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC), uma espécie de gratificação que reconhece conhecimentos adquiridos durante a atuação profissional.
O coordenador-geral do Sindicato dos Trabalhadores em Ensino Superior do Estado da Paraíba (SintesPB), Átila Pontes, contou que a decisão pela greve ocorreu em assembleia realizada na última sexta-feira (6) e acompanha outras universidades do país. “Hoje, temos mais de 30 universidades aderindo à greve”, afirmou.
Ele explicou que a reivindicação não é puramente remuneratória, inclusive a categoria deve ter um reajuste de 5% ou mais (dependendo da posição no Plano de Cargos e Carreiras) a partir do próximo mês. “A gente tinha um acordo firmado com o governo desde 2024, que não se resumia à pauta orçamentária, tinha outros pontos, como a questão de 30 horas de trabalho semanais e o RSC, que diz respeito a um incentivo de qualificação por saberes e competências. Acontece que, de lá para cá, tivemos várias reuniões e nenhuma dessas duas pautas foram atendidas”, disse o sindicalista.
Átila Pontes destacou que, na universidade, existem alguns cargos que têm o benefício de trabalhar 30 horas, mas o sindicato busca que todos os servidores instalados na UFPB possam cumprir essa carga horária. Ele ressaltou ainda que entende a necessidade de alguns setores funcionarem mais de seis horas por dia, no entanto, nesses casos, defende a realização de novos concursos públicos para que, com mais servidores contratados, seja possível cobrir todos os horários necessários.
“Então, a ideia é que haja uma melhora na qualidade do nosso serviço com essa redução de tempo de trabalho, mas também que o governo abra concurso público para ter novos servidores aqui, na universidade”, comentou.
O coordenador-geral do SintesPB afirmou que parte dos servidores continuarão trabalhando para manter os serviços essenciais da universidade em funcionamento, mas a greve só deve acabar quando as negociações com o Governo Federal avançarem. Os servidores chegaram a se reunir com representantes da Reitoria para definir como funcionará a greve em cada setor e como ficará o registro de ponto no período.
Principais pautas da greve
- Cumprimento integral do Termo de Acordo de Greve 2024
Pontos do Acordo de Greve:
- 1) Que o Reconhecimento de Saberes e Competências (RSC) seja amplo e irrestrito, incluindo aposentados, pensionistas e doutores, partindo do texto da Comissão Nacional de Supervisão da Carreira dos Cargos Técnicos Administrativos em Educação (CNSCCTAE);
- 2) Redução da jornada para 30 horas semanais, sem redução salarial para toda a categoria;
- 3) Aceleração de progressão na carreira para aposentados e pensionistas;
- 4) Reposicionamento dos aposentados da época em que o Plano de Cargos e Carreira dos Técnicos Administrativos em Educação (PCCTAE) foi promulgado (Lei no 11.091/2005);
- 5) Democracia: paridade nos órgãos colegiados, eleições diretas e no mínimo paritárias para reitor, fim da lista tríplice, que o TAE possa ser eleito para cargos de direção, inclusive reitor.
- 6) Plantão 12x60 para os profissionais de saúde;
- 7) Retirada da possibilidade de terceirização dos cargos do PCCTAE e dos ataques às 30 horas e ao Plantão 12x60 no PL nº 6.170/2025;
- 8) Manutenção da matriz única, com a definição do Nível E — cargos de nível superior — como referência para os demais níveis, a partir das porcentagens definidas no acordo;
- 9) Manutenção do percentual de progressão salarial (step) único e constante;
- 10) Liberação de concurso público para Tradutor e Intérprete de Língua Brasileira de Sinais — Língua Portuguesa (TILSP-Nível E).
Alunos de Medicina denunciam superlotação no internato
Alunos de Medicina da UFPB relatam problemas de superlotação das turmas durante o internato obrigatório para a formação profissional. Com objetivo de chamar atenção para a situação, os estudantes realizaram um protesto, ontem, no prédio do Centro de Ciências Médicas da universidade.
O estudante Túlio Dourado explicou que os dois últimos anos do curso são realizados em forma de internato, uma espécie de estágio obrigatório no Hospital Universitário. Porém, devido a atrasos no calendário, causados por diversos fatores, como greves e a pandemia, as turmas estão se acumulando.
“Estamos com pelo menos um ano de atraso, podendo chegar até a um ano e meio, no caso de algumas turmas. Com isso, ocorre o retardamento progressivo do calendário e a junção de turmas. Em vez de entrar apenas uma turma no internato, entrarão três de uma vez. Assim, ao invés de 60 alunos nos rodízios, serão 180”, afirmou, indicando que isso provoca superlotação no hospital e prejudica, tanto os alunos quanto os pacientes. “Nesse cenário, durante as aulas práticas, ao invés de cinco ou seis alunos em um ambulatório, pode haver cerca de 20 a 30”, disse.
Ele contou que já existe uma proposta, elaborada com a ajuda do corpo docente, para resolver a questão. O projeto está em tramitação nos departamentos do Centro de Ciências Médicas. “São cinco departamentos que votam. Em dois, o projeto já foi aprovado, porém nós temos três departamentos travando o processo de adequação da carga horária do internato, que se adequa à diretriz nacional aprovada no ano passado. Com a aprovação, nós teríamos uma carga horária modulada de acordo com a diretriz que foi aprovada recentemente, decisão que universidades muito renomadas no Brasil, como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), já fizeram”, comentou.
“Esperamos que esse protesto dê visibilidade à nossa luta, que os professores, principalmente dos três departamentos que estão travando o processo — Departamento de Cirurgia, Departamento de Medicina Interna e Departamento de Obstetrícia e Ginecologia — consigam entender de fato o que é a proposta e que levem a votação para frente, para que seja aprovado em tempo hábil, para que a gente possa implementar a mudança”, concluiu Túlio.
A assessoria de comunicação da UFPB informou que o protesto é “uma situação interna, departamental”, mas que a Reitoria está acompanhando a situação e é sensível ao pleito. Uma reunião está marcada para ocorrer amanhã, às 10h, juntando as partes interessadas para discutir o assunto.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de março de 2026.