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Desfile dos 40 anos festeja o samba

publicado: 11/02/2026 08h47, última modificação: 11/02/2026 08h47
Comemorando quatro décadas de fundação, o maior bloco da capital presta homenagem ao compositor Zé Katimba
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Para o Mestre Fuba, a agremiação conta com a maior exposição itinerante de artistas plásticos do Brasil, graças às obras que exibe em seus estandartes | Foto: Carlos Rodrigo

por Nalim Tavares*

Grande pioneiro e um dos principais símbolos do pré--Carnaval de João Pessoa, o Muriçocas do Miramar desfila hoje, celebrando 40 anos de história. Com uma homenagem ao samba nordestino e destacando a figura de Zé Katimba — paraibano, compositor e um dos fundadores da agremiação carioca Imperatriz Leopoldinense —, o maior bloco de arrasto da Quarta-Feira de Fogo começa a se concentrar às 19h, na Praça das Muriçocas, ao longo da Rua Tito Silva. 

Foto: João Pedrosa

Zunindo do ponto de partida até o fim da Avenida Epitácio Pessoa, ao longo da chamada “Via Folia”, o bloco do coça-coça conta, nesta edição, com atrações como Alceu Valença, Juzé e Mestre Fuba — fundador do Muriçocas. Outros artistas e bandas, como Myra Maya, Capilé, Beleza Pura e Axé do Yuri, também estão confirmados na festa. O próprio Zé Katimba — autor de clássicos como “Martim Cererê”, “Disritmia” e “Festa para os Olhos”, símbolo vivo da música popular — estará presente no desfile.

Segundo o Mestre Fuba, o Muriçocas começou com uma reunião de amigos, em 1986, contendo cerca de 40 pessoas. Na época, os pessoenses saíam do estado para pular o Carnaval em outras cidades, como Recife (PE), Olinda (PE) e Salvador (BA). Brincando pela capital vazia, os foliões resolveram homenagear o bairro onde moravam, batizando a turma de “Muriçocas do Miramar”. Em 1987, desfilaram oficialmente com um estandarte — o primeiro, pintado pelo artista plástico José Altino — e, de um pequeno grupo, o zum-zum-zum tornou-se um desfile massivo, que hoje é reconhecido como Patrimônio Cultural Imaterial de João Pessoa, com direito a registro no “Guinness Book”.

“Não considero o Muriçocas como um bloco de Carnaval. Para mim, é um movimento cultural, onde a gente faz questão de fortalecer os grupos de populares”, diz o Mestre Fuba. De acordo com ele, além de toda a riqueza e a variedade da música e dos figurinos que agitam o bloco, a agremiação conta com a maior exposição itinerante de artistas plásticos do Brasil, desfilando suas obras nos estandartes. “Todos os anos, fazemos uma homenagem a um artista ou um tema relacionado a nossa terra. Já homenageamos Ariano Suassuna, Sivuca, Geraldo Vandré, enfim. Isso é um diferencial das Muriçocas: nós exaltamos pessoas e contribuições para a cultura brasileira. Neste ano, homenageamos o samba, por meio de Zé Katimba — que é considerado, hoje, o maior compositor de sambas-enredo do país, e veio daqui, de Guarabira”, relata.

As quatro décadas do bloco têm sido motivo de uma programação especial de celebrações, mais extensa que sua tradicional agenda anual: no dia 15 de janeiro, o Muriçocas começou a comemorar a data com uma exposição de arte e de estandartes relacionados à sua história. Depois, no último dia 31, organizou uma festa de “Esquenta para os Quarenta”.

Em 1º de fevereiro, foi realizado o lançamento do livro “A Celebração da Alegria — 40 anos de Muriçoca”, escrito pelo Mestre Fuba e publicado pela Editora A União. A obra narra diversos causos da trajetória do bloco e inclui variações comemorativas de seu hino, gravadas por Fuba e acessíveis por meio de um QR Code impresso no interior da publicação.

Já no último dia 10, o Acorde Miramar espalhou alegria pelas ruas do bairro. Por fim, o aguardado dia chegou: uma das mais expressivas manifestações da cultura paraibana fica mais velha e renova seus votos de longevidade, prometendo pular muitos outros carnavais.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 11 de fevereiro de 2026.