Profissionais da Atenção Primária à Saúde (APS) com até 59 anos passam a integrar o público-alvo da vacina contra a dengue (Butantan), aplicada em dose única, na Paraíba. A Secretaria de Estado da Saúde (SES) distribuiu, ontem, 13.900 doses para os 223 municípios e realizou alinhamento técnico para dar início à estratégia de vacinação voltada aos trabalhadores da Saúde.
A medida faz parte da mobilização estadual de intensificação da vacinação contra a dengue, que ocorre em todo o território paraibano de 9 a 27 de fevereiro. Como reforço, será realizado o Dia D Estadual de Multivacinação no dia 28 de fevereiro, com oferta de vacinas de rotina e ampliação do acesso da população-alvo.
Estão incluídos na nova etapa os profissionais que atuam nas unidades de APS do SUS, tanto em atividades assistenciais quanto de prevenção. Entre eles estão médicos, enfermeiros, auxiliares e técnicos de Enfermagem, odontólogos, além das equipes multiprofissionais (eMulti), como nutricionistas, psicólogos, fisioterapeutas, educadores físicos, assistentes sociais e farmacêuticos. Também têm direito à vacina agentes comunitários de saúde (ACS), agentes de combate às endemias (ACE) e trabalhadores administrativos e de apoio — recepcionistas, seguranças, vigilantes, equipes de limpeza, cozinheiros e auxiliares, motoristas de ambulância, entre outros — que atuam nas unidades básicas de saúde.
Segundo a chefe do Núcleo Estadual de Imunizações, Márcia Fernandes, a ampliação tem como objetivo proteger os profissionais que estão na linha de frente do SUS, especialmente diante do aumento de casos da doença, além de aproveitar a disponibilidade de novos imunizantes nacionais.
A vacina contra a dengue também segue disponível para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos, com a Qdenga (Takeda), aplicada em duas doses. A faixa etária foi definida com base no maior risco de internações observado nos últimos anos, especialmente no Brasil e no Nordeste.
Antes, apenas 24 municípios ofertavam a vacina, selecionados por critérios epidemiológicos, como alta transmissão e maior número de casos. Com a nova estratégia, os outros 199 municípios passaram a receber o imunizante, garantindo maior equidade no acesso em todo o estado.
O cenário reforça a necessidade de estratégias integradas de prevenção e controle da dengue, aliando vacinação, vigilância epidemiológica, assistência à saúde e combate ao mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Casos e cuidados
De acordo com o último Boletim Epidemiológico das Arboviroses, com dados analisados até 6 de fevereiro, a Paraíba registrou 317 casos prováveis de arboviroses em 2026, sendo 292 de dengue. Não há óbitos confirmados neste ano, mas existe um caso em investigação no município de João Pessoa.
A orientação é que a população mantenha os cuidados preventivos, eliminando recipientes que possam acumular água. Ao apresentar sintomas como febre, dor de cabeça, dor atrás dos olhos, náuseas ou dor abdominal — sinal de alerta importante — a recomendação é procurar imediatamente um serviço de saúde. O ideal é que o atendimento ocorra nos primeiros cinco dias de sintomas, período adequado para coleta de exames e identificação dos sorotipos em circulação. Atualmente, a Paraíba registra circulação dos sorotipos dois e três da dengue.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 24 de fevereiro de 2026.