O aniversário de José Lins do Rego será comemorado, mais uma vez, pelo museu da Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) dedicado ao escritor paraibano. A 44ª Semana José Lins do Rego será celebrada de 2 a 5 de junho, período que compreende o aniversário do autor, nascido em 3 de junho de 1901. Neste ano, o evento tematizará o feminicídio e a violência contra a mulher, com uma palestra do delegado Wellington Guedes de Carvalho Segundo, no dia 2, às 9h, no auditório 1 do Espaço Cultural, em João Pessoa.
A diretora do museu, Maria do Carmo Pereira Diniz, explica que, todos os anos, um tema diferente é abordado, sempre usando os romances do escritor como base. O assunto do feminicídio vem de Menino de engenho, cujos primeiros parágrafos descrevem a morte da mãe do personagem principal, Carlinhos, assassinada pelo próprio marido.
Embora a palestra seja aberta ao público geral, o público-alvo é formado principalmente por adolescentes estudantes do Ensino Fundamental e Médio, já que as escolas da rede pública e privada são as que mais visitam o museu.
Maria do Carmo conta que pediu ao palestrante para conduzir o tema de uma forma não muito densa ou pesada e para que não seja uma exposição muito longa, por se tratar de um público adolescente. “A gente precisa lidar com isso e entender como trabalhar com esses jovens para eles saberem que não pode, que é errado”, defendeu.
O delegado Wellington Segundo afirmou que a palestra terá como propósito levar informação, reflexão e conscientização à sociedade sobre uma violência que destrói famílias e interrompe vidas de forma cruel, sendo anunciada por diversos sinais anteriores. “Em muitos casos, o feminicídio é precedido por agressões psicológicas, ameaças, controle excessivo, violência física e outras formas de abuso que precisam ser identificadas e combatidas ainda nos primeiros indícios. Mais do que falar sobre números ou estatísticas, o objetivo é aproximar o tema da realidade das pessoas, mostrando a importância da prevenção, da escuta e da denúncia”, explicou.
Ele também ressaltou a importância de abordar o tema com os jovens. “O trabalho de conscientização com as novas gerações é essencial para formar uma cultura baseada no respeito, na empatia e na igualdade, rompendo padrões de violência que, por muito tempo, foram naturalizados. Falar sobre o tema a estudantes, instituições e espaços públicos é uma forma de proteger vidas e fortalecer a compreensão de que violência contra a mulher nunca pode ser tratada como algo normal ou aceitável”, concluiu.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 29 de maio de 2026.