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preso na br-230

Ex-policial vendia drogas pela rede

publicado: 03/02/2026 08h39, última modificação: 03/02/2026 08h41
De acordo com as autoridades, investigado ainda fornecia estrutura digital do esquema para outros traficantes

por Priscila Perez*

A prisão de um ex-policial penal efetuada no último sábado (31), na rodovia BR-230, entre João Pessoa e Campina Grande, expôs uma faceta sofisticada do tráfico de drogas na Paraíba: sua expansão para o ambiente digital. O suspeito, que já havia sido preso por tráfico e expulso da Polícia Penal do Rio Grande do Norte (PPRN), é apontado, pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) da Polícia Civil da Paraíba (PCPB), como um dos principais responsáveis pela criação de sites voltados à venda de entorpecentes no estado. A operação contou com o apoio da Polícia Rodoviária Federal (PRF).

De acordo com o delegado André Macedo, da Draco, o modelo de atuação do detido incluía o uso de redes sociais e aplicativos de mensagens para captação de novos compradores. “Esses clientes eram direcionados, posteriormente, para os sites, onde realizavam os pedidos”, explicou. O que mais chama atenção é que essas plataformas funcionavam fora da chamada “deep web”, com hospedagem convencional e acesso aberto ao público geral. As apurações policiais sobre o caso também revelaram que o ex-policial não apenas comercializava entorpecentes, mas fornecia a estrutura digital do crime para outros traficantes, permitindo que diferentes núcleos operassem de forma simultânea na rede.

Histórico controverso

Em entrevista ao jornal A União, André Macedo apontou que o investigado já vinha operando nesse modelo havia pelo menos um ano, mesmo após ter sido preso, justamente, por tráfico de drogas. Na ocasião, ele foi capturado com mais de 100 kg de entorpecentes, o que levou à sua expulsão da polícia potiguar. Na sequência, depois de deixar o sistema prisional, o homem teria aprimorado sua forma de atuação, migrando o comércio de drogas para o ambiente digital como estratégia para ampliar a clientela.

Segundo a PCPB, o esquema envolvia a comercialização de diversos tipos de entorpecentes, como maconha, skunk (substância também conhecida como “supermaconha”), cocaína e drogas sintéticas — incluindo LSD e ecstasy —, em volumes considerados expressivos. Já as vendas seguiam uma lógica de indicação, em que novos clientes só eram aceitos após a recomendação de compradores já cadastrados. “Ele fazia essa comercialização para clientes indicados por outros clientes dele. O primeiro contato era sempre pelas redes sociais e, depois, ele passava o site, para que o comprador pudesse fazer o pedido”, descreveu o delegado da Draco.

Mãe e irmão do acusado também integravam grupo

As investigações apontaram, ainda, que o ex-policial não agia sozinho. De acordo com André Macedo, ao ser preso no ano passado, o homem foi detido junto com a própria mãe. Ambos chegaram a ser liberados pela Justiça, em audiência de custódia, mas ela voltou a ser detida. Já o investigado, que passou a ser monitorado por meio de uma tornozeleira eletrônica, rompeu o equipamento, colocando-se na condição de foragido. Segundo o delegado da PCPB, desde então, ele vinha sendo procurado por equipes de inteligência, até ser localizado e capturado no último fim de semana, a partir da identificação do veículo que conduzia.

Além de mãe e filho, o núcleo familiar com registros criminais inclui o irmão do ex-policial, que foi preso, no fim do ano passado, durante a Operação Pulsar,  sendo apontado como uma das lideranças da organização criminosa.

O delegado da Draco informou que a unidade policial continua apurando o caso para identificar outros envolvidos, inclusive pessoas responsáveis pela criação, pela hospedagem e pela manutenção das plataformas digitais utilizadas, além de possíveis ramificações do esquema fora do estado. “Seguimos buscando informações sobre outras pessoas envolvidas, para que possamos realizar ainda mais prisões”, contou André, revelando que o ex-policial penal já passou por audiência de custódia e permanece preso, à disposição da Justiça.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 03 de fevereiro de 2026.