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Exposição celebra 45 anos da FCJA

publicado: 11/05/2026 08h38, última modificação: 12/05/2026 08h38
Fundação Casa de José Américo abre ao público acervo de memória e fotografias, com visitação gratuita
Exposição dos 45 Anos da FCJA_F. Evandro Pereira (46).JPG

O jornal A União contou a trajetória da instituição ao longo dos anos e ganhou uma seção com suas páginas em destaque na mostra | Foto: Evandro Pereira

por Bárbara Wanderley*

Os 45 anos de história da Fundação Casa de José Américo (FCJA) foram condensados em uma exposição que reúne fotografias e matérias de jornais que marcaram os principais momentos da instituição. A mostra está aberta à visitação de forma gratuita até o dia 10 de julho, no hall do Anexo I da FCJA, localizada na Avenida Cabo Branco, nº 3.336, em João Pessoa. O horário de visitação é diário (de domingo a domingo), das 9h às 16h.

Amanda Félix, uma das curadoras da exposição, destacou que o processo foi realizado a muitas mãos. “São 45 anos de história, então o volume é gigantesco. E, aí, a gente montou uma força-tarefa com os nossos jornalistas, designers, o pessoal do Arquivo também. Todo mundo se juntou numa comissão para tentar enxugar esses 45 anos de tanta produção, tanta história. Um exemplo disso é o painel dos livros, onde entraram 68 livros, mas passam dos 100 os livros produzidos pela Fundação, tanto republicações do próprio José Américo, quanto estudos sobre ele”, contou.

A produtora da exposição, Débora Oliveira, explicou que o processo foi orientado pelo presidente da FCJA, Fernando Moura. “A gente iniciou com o comando de Fernando, com as indicações dele, fazendo uma pesquisa no nosso acervo da hemeroteca, colocando como marcos fundamentais datas que são importantes na formação da fundação. Coincidentemente, são sempre 10 de alguns meses diferentes, como 10 de janeiro a morte de José Américo, a inauguração da fundação que é 10 de dezembro”, comentou.

Débora revelou, ainda, que a exposição não foi a única ação pensada para celebrar o aniversário da instituição. “A gente vem planejando ações comemorativas, e essas ações vão fomentar algumas outras coisas além da exposição. O planejamento é que a gente consiga lançar um pequeno vídeo documentário, que está previsto para o dia 10 de julho, e junto com ele uma revista. Nessa revista, a gente vai esmiuçar melhor esses 45 anos de história. A gente está planejando também, como uma das atividades da Semana Nacional de Museus, porque o Museu Casa de José Américo também faz parte dessa história, uma oficina com estudantes, para a gente trabalhar melhor o conteúdo dessa exposição”, detalhou.

A União

Entre os painéis expostos na Fundação, muitos destacam matérias publicadas no jornal A União. “A gente pode ver, pelo resultado, como é importante esse relato também que a A União fez, essa parceria que existe com a Fundação Casa de José Américo. A gente tem o acervo completo, inclusive até hoje, nós recebemos o jornal diariamente e toda vez que o jornal sai da presidência ele vai para a hemeroteca, é arquivado, porque além dos 45 anos, a gente ainda continua produzindo histórias junto com A União”, afirmou Débora.

Amanda Félix relatou que pesquisou entre 24 encadernações com arquivos do jornal para encontrar pontos altos da Fundação, desde a inauguração, passando por exposições e eventos. “O jornal A União ajudou a retratar a importância dessa casa de cultura para a Paraíba”, disse. Para Débora, assim como a Fundação Casa de José Américo, o jornal é um promotor de cultura.

A FCJA

Fundada em 10 de dezembro de 1980 com o objetivo de preservar o nome e o acervo cultural deixado por José Américo de Almeida, a fundação atualmente abriga museu, mausoléu, biblioteca, hemeroteca, núcleo de estudos arqueológicos, o Memorial Democracia da Paraíba — com documentos da Comissão Estadual da Verdade e da preservação da memória, e o arquivo dos governadores. Há ainda projetos especiais para o acesso cidadão ao lazer, esporte, arte e cultura e o Cineclube O Homem de Areia, que oferece sessões gratuitas nas primeiras quarta-feiras de cada mês.

O paraibano José Américo de Almeida nasceu em Areia, no dia 10 de janeiro de 1887, e morreu em João Pessoa, aos 93 anos, em 10 de março de 1980. O romancista, ensaísta, poeta, cronista, político, advogado, professor universitário, folclorista e sociólogo Zé Américo formou-se em Direito pela Faculdade de Direito do Recife (PE), em 1908, tendo sido promotor público da comarca da capital pernambucana, promotor público do município paraibano de Sousa, procurador-geral do estado da Paraíba, secretário de governo, deputado federal e interventor.

Ele foi ministro da Viação e Obras Públicas nos dois governos de Getúlio Vargas, senador, ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), governador da Paraíba, fundador da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e seu segundo reitor. Líder civil da Revolução de 1930 no Nordeste, assumiu no decurso da revolução o Governo da Paraíba e as funções do Governo Federal na área controlada pelos revolucionários, por ordem do chefe militar, o capitão Juarez Távora.

Chegou a ser pré-candidato à Presidência da República, apoiado por Vargas para as eleições de 1938, que não aconteceram em razão do autogolpe dado por Getúlio, em 1937, que deu início ao período do Estado Novo.

Entre suas obras literárias estão Reflexões de uma cabra (1922), A Paraíba e seus problemas (1923), A Bagaceira (1928), O boqueirão (1935), Coiteiros (1935), Ocasos de sangue (1954), Discursos de seu tempo (1964), A palavra e o tempo (1965), O Ano do nego (1968), Eu e eles (1970), Quarto minguante (1975) e Antes que me esqueça (1976). 

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 09 de maio de 2026.