Ritmo, cor, explosão e tradição. As quadrilhas juninas são uma das representações mais icônicas da cultura nordestina. No último fim de semana, 10 grupos apresentaram-se na etapa Sertão, sediada em Patos, do 23º Concurso Paraíba Junina. A classificatória elegeu as três melhores quadrilhas que representarão a região na finalíssima da competição, que será realizada em João Pessoa, de 15 a 19 de junho.
O concurso consagrou a junina Pé de Muleke, de Patos, como vencedora. Em segundo lugar, ficou a quadrilha Forró Xodó, de São José da Lagoa Tapada, no Alto Sertão. A terceira colocada foi a junina Explosão Sertaneja, também de Patos. Entre os critérios técnicos para avaliação, estavam a desenvoltura do marcador, o melhor casal junino, o casal de noivos, a rainha e o rei, a rainha e o rei da diversidade e o conjunto geral.
Com 140 componentes e 24 anos de trajetória no arraial, a junina Pé de Muleke, campeã da etapa Sertão, trouxe como tema “A luz da sabedoria”. O enredo faz referência à histórica experiência de educação promovida por Paulo Freire, na cidade de Angicos, no Rio Grande do Norte, quando, por meio do seu método de ensino, foi possível alfabetizar 300 pessoas em apenas 40 horas de aula. Ao contrário das demais, a quadrilha teve um tempo curtíssimo de preparação: apenas três meses.
A expectativa para a final é figurar entre as 10 melhores do estado. Para Bruno Delfino, que assina a adaptação do roteiro da Pé de Muleke, a classificação para a final é a realização de um sonho. “Ganhar em Patos é muito bom, mas levar a cultura da nossa cidade para João Pessoa e ficar em uma boa colocação é o nosso objetivo e a realização de um sonho. É uma valorização que a gente merece”, disse o membro da junina, que acumula, ainda, as funções de coreógrafo e marcatriz — essa, sob a identidade de Brunaly Lins, sua drag queen.
Representando o Alto Sertão, a junina Forró Xodó tem 15 anos de história. Com passagens por algumas edições do festival, comemora sua primeira vez como finalista. Neste ano, a história da quadrilha foi contada “À luz da lua”, retratando um romance que tem os mistérios do luar e as tradições ciganas como condutores. Com 80 pessoas no elenco e oito meses de preparação, a agremiação está confiante para a final. “A gente é de uma cidade pequena, de sete mil habitantes. Ficar entre as 10 melhores no paraibano já seria um grande feito. Isso elevaria muito mais a cultura, o nome da cidade e o projeto da junina. A gente vai trabalhar para isso”, garantiu o presidente do grupo, Allysson Akyllys.
Fechando a tríade do Sertão, a quadrilha Explosão Sertaneja, classificada em terceiro lugar, já tem histórico em finais. Será a sexta participação na etapa decisiva do festival, apostando no tema “A peleja” — uma história bem humorada, na qual um casal de noivos briga pela posse de um jumento em plena noite de São João. Confusão tamanha que só consegue ser resolvida com a interferência de Lampião.
Com uma equipe formada por 100 pessoas, entre bailarinos, atores e produção, a representante patoense trabalha há nove meses na apresentação. Para Joseildo Ferreira da Costa, presidente do grupo, “a meta é brigar pelo primeiro lugar”.
Motivados, os quadrilheiros entendem que compor o elenco da grande final é uma maneira de expor o esforço e o talento dos quadrilheiros sertanejos. “Existe uma grande diferença em incentivos financeiros, quando comparamos com Campina e João Pessoa. Mas a gente vai mostrar que, com garra, preparo e dedicação, a Explosão também pode estar entre as melhores”, ressaltou Joseildo.
Seletiva
Na Capital do Sertão, a organização do festival ficou por conta da Associação de Quadrilhas Juninas de Patos (AQJP). A presidente, Lana Escarião, avaliou positivamente o evento, que teve uma participação expressiva do público. “Casa lotada, muita gente, crianças, famílias, porque a cultura é viva e chama atenção. Foi uma festa muito bonita, com um ótimo público. Veio gente de João Pessoa, de Recife e de várias outras cidades para assistir ao nosso festival. Foi um sucesso”, comemorou.
Cinco quadrilhas de Patos apresentaram-se na seletiva. Os demais municípios representados foram Itaporanga, Junco do Seridó, Catingueira, Emas e São José da Lagoa Tapada. Ao todo, o Paraíba Junina promove 10 etapas, percorrendo todas as regiões do estado. As três mais bem avaliadas em cada certame disputam a final. A presidente da AQJP destacou o crescimento do movimento quadrilheiro no Sertão nos últimos anos. “A evolução das quadrilhas é magnífica. A gente vê a dedicação, a entrega dos componentes e o compromisso para chegar melhor a cada ano. A gente vai dar trabalho em João Pessoa”, garantiu Lana.
A final do Concurso Paraíba Junina 2026 acontecerá em uma arena montada no Busto de Tamabaré, na capital. O festival é promovido pelo Governo do Estado da Paraíba, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, com incentivos oriundos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de junho de 2026.