A Praia de Tambaba, localizada no município de Conde, no Litoral Sul da Paraíba, tem sido, há muitos anos, um dos principais símbolos do turismo paraibano e um dos destinos mais singulares do Brasil. Próximo a João Pessoa, distante a apenas 30 km da capital, a praia reúne belezas naturais, como falésias, águas cristalinas, piscinas naturais e vegetação nativa. Além disso, é um dos poucos locais do país destinados à prática do naturismo — o que a coloca em posição de destaque não apenas no cenário estadual, mas também no turismo nacional e internacional.
Sua importância para o setor de viagens em Conde é central. O município possui diversas praias, bastante visitadas e marcadas por serem lugares que oferecem tranquilidade, mas também estruturas de bares e restaurantes com serviços gastronômicos, além de pousadas próximas ao mar. Esse fluxo turístico movimenta a economia local, impulsiona o segmento de serviços e fortalece a imagem da Paraíba como destino de protagonismo no Nordeste. 
A Empresa Paraibana de Turismo (PBTur) e a Secretaria Municipal do Turismo (Setur) de Conde são indutores importantes na perspectiva de divulgar o destino como opção para os viajantes. Secretário de Turismo de Conde, Dante Tomei Neto conta como o poder público vem contribuindo para reverberar os atrativos de Tambaba e de todo o Litoral Sul do estado.
“Junto com a Praia de Coqueirinho, Tambaba é o principal destino turístico da Paraíba”, defende Dante. “Temos participado de várias feiras nacionais e internacionais voltadas à promoção do destino. Em dezembro de 2025, realizamos, em parceria com a PBTur, um evento exclusivo para a divulgação de Conde em São Paulo, do qual participaram as 20 maiores operadoras de turismo do Brasil”, complementa o secretário de Turismo.
Reduto atrai viajantes de todo o mundo
Além das paisagens bonitas e dos outros atrativos naturais, a Praia de Tambaba tem uma grande singularidade: é um dos principais redutos do naturismo em todo o planeta. A prática é devidamente regulamentada na área e, inevitavelmente, dá grande visibilidade a Tambaba, tornando-a um ponto fora da curva, enquanto destino turístico.
O naturismo em Tambaba desenvolveu-se de forma espontânea. De acordo com a Sociedade Naturista de Tambaba (Sonata), há relatos de que, desde a década de 1980, aproveitando a geografia da região e seu difícil acesso, pescadores, aventureiros e surfistas eram vistos tomando banhos nus.
Com o aumento dos adeptos da prática, foi criada a Associação dos Amigos da Praia de Tambaba (AAPT), entidade que congregaria os frequentadores da área naquela época. Com isso, cresceram as reclamações e os protestos de pessoas da comunidade, de parte da Igreja e de políticos contra a prática do naturismo na praia.
Em 25 de janeiro de 1991, a Prefeitura de Conde publicou o Decreto no 276/1991, oficializando o espaço compreendido entre a Pedra dos Despachos e a Prainha, na divisa com a Praia da Barra do Rio Garaú, como área destinada à prática do naturismo e à preservação ambiental. O naturismo, portanto, é um elemento fundamental para a construção da projeção de Tambaba como destino. A praia foi pioneira ao se tornar a primeira do Brasil a permitir oficialmente esse tipo de atividade.
Desde então, consolidou--se como um dos poucos espaços legalizados no país para o naturismo, o que a transformou em destino procurado por adeptos vindos de diversas partes do mundo. Esse diferencial não apenas diversifica o perfil dos turistas, como também contribui para a quebra de estigmas, ao associar o naturismo a um ambiente organizado, seguro e regulamentado. A presidente da Federação Brasileira de Naturismo (FBrN), Paula Duarte Silveira, detalha que, para muitas pessoas, a prática também acaba sendo terapêutica.
“O naturismo é uma filosofia, como eu chamo, que engloba vários aspectos, como essa conexão com o meio ambiente, e, por isso, para nós, é tão importante a preservação do espaço — que é o que fazemos. Mas também é, como eu digo, uma terapia, porque, nesses ambientes, as pessoas olham no olho, interessam--se pelo que os outros têm a dizer, tudo com muito respeito. O corpo das pessoas não é alvo de olhares diferentes”, analisa.
Em Tambaba, a zona destinada ao naturismo é separada da parte convencional da praia, garantindo privacidade e respeito às diferentes escolhas dos visitantes, sejam os que não querem ficar sem roupas e os que são adeptos da atividade. Para acessar esse espaço, existem normas claras, como a obrigatoriedade da nudez total, a proibição de fotografias sem autorização e o veto a qualquer comportamento de cunho sexual.
Como define a dirigente da FBrN, o naturismo é uma filosofia regrada por um claro código de ética, que busca preservar a convivência harmoniosa entre os frequentadores, reforçando o caráter social e filosófico da prática, com uma relação intrínseca com a natureza, além de assegurar que o local mantenha um ambiente de respeito e tranquilidade.
Diferentemente do que algumas pessoas pensam, o naturismo não possui conotação sexual. Muito pelo contrário: a ideia da prática parte de um pressuposto de respeito aos corpos e uma dissociação da nudez como elemento de erotização. Essa abordagem também dialoga diretamente com o turismo sustentável.
O visitante naturista, em geral, é incentivado a adotar comportamentos responsáveis, contribuindo para a conservação do espaço e para a manutenção de suas características originais. Paula Silveira, que conhece bem a praia e é adepta do naturismo há 20 anos, explica como a área de naturismo em Tambaba é gerida. “A gerência do espaço é realizada pela Sonata, que acompanha a dinâmica do lugar e coloca fiscais na parte da praia em que as pessoas podem ficar sem roupas, proporcionando segurança e um ambiente tranquilo para quem é adepto”, conta.
Sueli Rego é uma frequentadora do local, tanto da área reservada para o naturismo quanto do espaço em que os banhistas se mantêm vestidos. Ela relata que toda a região é organizada para cada turma de visitantes aproveitá-la da melhor maneira. “É uma convivência, em geral, sempre tranquila. Todo mundo sabe que Tambaba tem uma área para naturistas, mas há espaços bem legais para quem não quer ficar lá”, destaca.
Proteção ao ecossistema local é garantida por lei
Tambaba não é apenas um destino turístico ou um espaço de prática naturista, mas também um lugar de preservação ambiental. A praia está inserida em uma Área de Proteção Ambiental (APA) de um bioma brasileiro importante, que é a Mata Atlântica, o que garante legalmente a conservação de seus ecossistemas e da biodiversidade local. A região abriga vegetação de restinga, coqueirais e formações geológicas típicas do litoral nordestino.
A criação e a regulamentação da área naturista, inclusive, estiveram, desde o início, associadas à necessidade de preservar o meio ambiente, como estabelece a Lei no 309/2019, sancionada pelo Poder Executivo municipal. Assim, a Praia de Tambaba acaba sendo um exemplo histórico de integração entre turismo, cultura e preservação ambiental.
“Preservar é um desafio constante. A gente conta, principalmente, com o apoio da população, mas, em especial, dos próprios frequentadores de Tambaba. Temos o suporte de diversos parceiros, como a Sonata, a associação de moradores, organizações não governamentais [ONGs] e a Superintendência de Administração do Meio Ambiente [Sudema] — que realizam, constantemente, mutirões de limpeza nas praias, assim como campanhas de conscientização”, comentou o secretário de Turismo de Conte, Dante Tomei Neto.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de abril de 2026.

