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sujeira nas calçadas

Lixo irregular incomoda moradores e transeuntes na Via Folia

publicado: 12/02/2026 09h06, última modificação: 12/02/2026 09h06
2026.02.11 Lixo nas ruas pós carnaval © Leonardo Ariel (16) Reciclagem.JPG

Agentes municipais recolhem itens descartados na avenida | Foto: Leonardo Ariel

por Íris Machado*

Em João Pessoa, os eventos carnavalescos já agitam as ruas da cidade. Mas, longe do clima de festa e da movimentação noturna, as estruturas temporárias e os blocos que desfilam pela Via Folia, na Avenida Epitácio Pessoa, marcam também a manhã de quem passa pelo local, tanto pelo descarte irregular de lixo quanto pela ocupação das calçadas no trecho, que interferem no trajeto dos pedestres. Embora a Autarquia Municipal de Limpeza Urbana (Emlur) de João Pessoa tenha montado uma força-tarefa especial para reforçar as ações de limpeza nesse período, os rastros deixados pelos foliões preocupam os moradores e os trabalhadores da região.

A paulista Lourdes Lopes, residente da capital há mais de duas décadas, é uma delas. Ela relata que esse incômodo tornou-se uma tradição anual. A sujeira e os mosquitos onde mora atrapalham a rotina dela e do marido, recém-liberado de uma internação hospitalar. “Você não pode andar na cidade com tanto cheiro de xixi. Nem o lixeiro passou ontem na minha rua, que fica bem pertinho da Via Folia. Quando acaba a música, é o pessoal fazendo bagunça, tocando campainha, batendo em porta”, conta.

Já a moradora Givonete Silva aponta uma redução na quantidade de lixo deixada durante as festas. Quando foi ao bloco das Muriçoquinhas com os amigos, na última segunda-feira (9), observou que as operações de coleta e reciclagem de resíduos, promovidas pela Emlur, ocorreram logo após a passagem dos foliões. A rua em que ela vive, neste ano, não sofreu os impactos negativos previstos das grandes festas, como em ocasiões anteriores. “Este ano foi mais comportado, apesar de ter sido mais movimentado. Estava passando muita gente fazendo a reciclagem, todos caracterizados. E, sempre que passava um [agente da Emlur], o pessoal que estava comigo dava uma latinha, uma garrafa, para ajudar. A gente tem que se reeducar, né? Cada um deve colocar o lixo no devido lugar. Mesmo que você esteja na folia, tem que aprender isso também”, pontua Givonete.

Outros alvos de reclamações são o mau odor dos banheiros químicos e a obstrução das calçadas pelas barracas de comerciantes. Para a foliã Mara Bandeira, esses problemas vêm de eventos anteriores, a exemplo do Forró Verão, realizado no Busto de Tamandaré, durante os sábados de janeiro. “Pela manhã, a gente tem que andar um pouquinho fora da calçada e correr o risco de ser atropelado, por conta dos equipamentos dos barraqueiros. Mas são datas comemorativas, o comércio precisa. Só deveriam colocar mais banheiros ou até mais desinfetante, alguma coisa para abafar o cheiro, porque é insuportável”, brinca.

Emlur intensifica ações de coleta e reciclagem

Com o intuito de intensificar as ações durante o Carnaval, a Emlur organizou uma operação especial de coleta e reciclagem de lixo no período. Como explica o superintendente do órgão, Ricardo Veloso, dois grupos atuam nessa operação: o Recicla Folia, composto pelos catadores de materiais recicláveis, e o Bloco da Limpeza, que trabalha durante o desfile dos trios elétricos e após a dispersão do público. Todos os dias, 350 agentes de limpeza e 80 catadores de lixo, no total, saem à rua na Via Folia.

“A gente tem que conciliar tanto o interesse do folião, que está brincando à noite e avançando pela madrugada, quanto o direito daquele cidadão que já desperta nas primeiras horas e tem a intenção de fazer sua caminhada, sua corrida ou simplesmente ir à praia. Isso não acarreta qualquer prejuízo com relação às rotinas normais da Emlur”, revela Ricardo.

Neste ano, todo o material recolhido pelos catadores é, ao fim do dia, adquirido, em tempo real, via pagamentos pelo Pix. Para isso, a Emlur montou, em parceria com o Ministério Público da Paraíba (MPPB) e a empresa Orizon, um centro de triagem na própria Via Folia. “Lá, é feita a separação por tipologia — do plástico, do papelão, daquilo que é coletado na via. E, ao lado, nós temos um contâiner, que é um ecoponto, conectado à internet, fazendo o pagamento dos valores. É realizado um cadastro, a aferição por balança e, já no ato seguinte, o Pix na conta do próprio catador”, detalha.

De acordo com o superintendente da Emlur, a mobilização foi ampliada em 30% para coleta domiciliar e serviços correlacionados. O órgão instalou, ainda, 11 Pontos de Entrega Voluntária (PEVs) ao longo da Via Folia, junto a papeleiras e caixas estacionárias. No entanto, tem sido registrado um aumento do descarte irregular de lixo.

“Todos nós podemos contribuir, denunciando à Emlur e policiando nossas próprias práticas. Quando for descartar algo que não tenha mais utilidade em casa — um guarda-roupa, um sofá, qualquer utensílio dessa natureza —, é só acionar o aplicativo João Pessoa na Palma da Mão. Por meio dos nossos Cata-Trecos, nós iremos fazer a coleta sem nenhum tipo de custo”, reforça Ricardo

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de fevereiro de 2026.