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Mercado Público vira ponto para confraternizações pós-festas

publicado: 24/06/2026 08h43, última modificação: 25/06/2026 09h45

por Mirvan Lúcio*

Em Patos, uma tradição resiste ao longo dos anos. Quando os shows do Terreiro do Forró se encerram, a opção para muitos forrozeiros não é ir para casa. O destino final da festa é o Mercado Público Darcylio Wanderley. O trajeto, de cerca de 1 km, é percorrido por centenas de pessoas, que buscam um café da manhã reforçado, para fechar a madrugada de festa e repor as energias. A movimentação é intensa durante todos os dias de evento, influenciando também na economia dos donos de restaurantes e lanchonetes.

O hábito de comer no mercado ganha um novo significado. Uma confraternização pós-festa que reúne patoenses e turistas, em uma experiência que mistura cultura e gastronomia. No cardápio, caldos, pães recheados com picado de bode, carne guisada, galinha de capoeira, cuscuz, arroz de leite e café quentinho. Para não perder o ritmo, forró com os tradicionais trios pé de serra. As pessoas aglomeram-se entre as bancas de frutas e verduras, transformando o centro comercial em uma extensão do Terreiro.

Francisco Neto tem história nesse after e há anos participa do café do mercado. A parada é obrigatória e já faz parte da programação junina. “Desde que eu comecei a ir às festas de São João, eu vou ao mercado. Para mim, a noite só acaba quando eu passo por lá”, disse o patoense. Para o ritual ficar completo, uma coisa não pode faltar. “Minha parada no mercado é sempre para comer a mesma coisa: cuscuzinho com bode e picado. É a comida que dá sustância para aguentar outro dia de festa”, completou.

Por trás desse hábito sertanejo, está uma das mais fortes manifestações culturais do nordestino: as feiras e a culinária raiz. “Para mim, o mercado é o ponto-chave da cidade. Você vê a cultura da cidade em um único espaço, com todo mundo se alimentando e festejando essa época do ano, que é tão importante para a nossa região”, disse Francisco Neto.

Noite de trabalho

Para receber os forrozeiros na madrugada, os donos dos restaurantes e lanchonetes assumem uma rotina intensa. Durante os cinco dias do São João de Patos, os estabelecimentos abrem mais cedo, e isso exige adequações. Por volta das 2h30, o Restaurante Central, um dos mais tradicionais do mercado de Patos, já está de portas abertas.

O local pertence à família de Wedson Souza e tem 15 anos de história. No período junino, a dinâmica da família muda para dar conta da demanda de clientes. A organização começa à noite, com a preparação das comidas e organização do espaço para que tudo esteja pronto quando a clientela faminta chegar. “A galera já diz que aqui é o after do after. Tem o Terreiro, depois vão para a boate e finalizam aqui. Como a gente diz, virou tradição, já”, ressaltou Wedson, que é nutricionista, mas, no São João, não limita a dieta de ninguém.

Neste ano, o local foi palco de um momento inusitado. O cantor Henry Freitas apareceu de surpresa e fez um show improvisado, após sua participação no palco principal do Terreiro no Forró. A apresentação foi acompanhada de perto pelo público, que lotou o mercado. “Foi surreal. As pessoas ficaram sem acreditar. Ele aqui bem pertinho de todo mundo”, comentou Wedson.

Toda essa movimentação repercute positivamente no bolso dos comerciantes. No São João, o trabalho é muito, mas o aumento no faturamento compensa o esforço. Segundo os comerciantes, a estimativa é que cerca de 500 pessoas passem pelo mercado diariamente, nas madrugadas de festividades juninas. “O nosso movimento aumenta 400% nessa época de festa. O ambiente é pequeno, tem horas que a gente nem consegue atender todo mundo, mas o pessoal entende e permanece aqui por causa da farra e da brincadeira”, finalizou Wedson.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 25 de junho de 2026.