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Campina Grande

Morte por raiva humana é informada

publicado: 06/01/2026 08h38, última modificação: 06/01/2026 08h38
Homem de 50 anos foi mordido por um sagui no mês de setembro, mas não procurou atendimento para profilaxia
2026.01.05 Caso de raiva humana em Campina Grande - Hospital Universitário Alcides Carneiro © Julio Cezar Peres (2).JPG

Secretaria relatou que o paciente, acolhido no HUAC, recebeu tratamento conforme os protocolos clínicos estabelecidos | Foto: Julio Cezar Peres

O diretor de Vigilância em Saúde de Campina Grande, Miguel Dantas, confirmou ontem (05), após a realização de todos os procedimentos previstos no protocolo de confirmação de morte encefálica, incluindo exame complementar com doppler transcraniano, o óbito de um homem de 50 anos que foi diagnosticado com raiva humana. O falecimento ocorreu às 11h30 do último domingo (4); a identidade da vítima não foi divulgada.

Morador do bairro Serrotão, o paciente estava internado no Hospital Universitário Alcides Carneiro (Huac) desde o dia 13 de dezembro. Ele havia sido mordido por um sagui em setembro, mas não procurou atendimento médico nem realizou a profilaxia contra a raiva. Os primeiros sintomas surgiram em 10 de dezembro e, no momento da internação, o homem já apresentava agitação motora e mental, confusão, alteração do nível de consciência, aerofobia, falta de ar e queda na oxigenação do sangue.

Com o agravamento do quadro de insuficiência respiratória aguda e instabilidade neurológica, no dia 15 de dezembro, o paciente precisou ser entubado e passou a receber ventilação mecânica invasiva na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Huac.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que o paciente recebeu acompanhamento médico contínuo e tratamento conforme os protocolos clínicos estabelecidos para casos de raiva humana. O comunicado destacou que todos os recursos terapêuticos disponíveis foram adotados durante o período de internação, com a atuação de uma equipe multidisciplinar e o suporte de órgãos estadual e federal de vigilância epidemiológica.

Apesar dos esforços realizados, a evolução da doença resultou no óbito do paciente. A Secretaria de Saúde manifestou solidariedade aos familiares e reforçou o compromisso com a vigilância e a prevenção da raiva no município, orientando a população a procurar atendimento médico imediato em casos de exposição a animais com potencial de transmissão da doença.

Transformações

De acordo com informações do Ministério da Saúde, em 25 anos, o perfil da raiva humana no Brasil passou por mudanças significativas. Os casos transmitidos por cães, característicos do chamado “ciclo urbano da doença”, foram drasticamente reduzidos em decorrência das campanhas de controle da raiva canina e da ampliação da profilaxia antirrábica na população.

Os últimos registros de raiva humana transmitida por cães ocorreram em 2013, no Maranhão, e em 2015, em Mato Grosso do Sul, ambos associados as variantes do vírus típicas dos cães (AgV1 e AgV2). Com isso, o Brasil está há quase 10 anos sem casos desse tipo de transmissão, superando o período mínimo de cinco anos exigido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para que um país seja considerado área livre de raiva humana transmitida por cães.

A OMS estabeleceu 2030 como meta para eliminar a raiva humana transmitida por cães nas Américas. No entanto, o Brasil assumiu o compromisso de antecipar esse prazo durante a 17a Reunião dos Diretores dos Programas de Raiva das Américas, realizada em outubro de 2023, em Bogotá, na Colômbia. O objetivo é obter, até 2026, a validação de área livre de raiva canina junto à OMS e à Organização Pan-Americana da Saúde (Opas).

Apesar dos avanços no controle da transmissão por cães, o país enfrenta novos desafios, especialmente o aumento de casos de raiva humana causados por variantes do vírus rábico presentes em animais silvestres. Atualmente, os morcegos representam a principal fonte de infecção da raiva em humanos no Brasil.

De 2010 a 2025, foram registrados 50 casos de raiva humana no país. Desses, nove tiveram como origem mordidas de cães, 22 foram transmitidos por morcegos, sete por primatas não humanos, dois por raposas, cinco por felinos e um por bovino. Em quatro casos, não foi possível identificar o animal agressor. Ao longo da história da raiva humana no Brasil, apenas dois pacientes sobreviveram à doença; todos os demais evoluíram para óbito.

Doença

A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de janeiro de 2026.