Um estudo do perfil de Instagram Espacialidade — focado em cartografia, arte, território e sociedade — divulgou que a Paraíba está entre os cinco estados brasileiros com uma taxa de 30 a 40 mestres por 100 mil habitantes, de acordo com dados da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), em relação a títulos de mestres concedidos em 2024. Ao lado da Paraíba, estão o Rio Grande do Norte, Sergipe, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul e Paraná. O grupo perde apenas para o Rio Grande do Sul, que apresenta uma faixa de mais de 40 mestres por 100 mil habitantes.
“Atribuo isso às nossas instituições públicas de qualidade, algumas com programas de nota 5, 6 e até 7 [em uma escala máxima de 7]. Essas instituições têm contribuído especificamente para esse número de mestres no nosso estado”, avalia a pró--reitora de Pesquisa, Inovação e Pós-Graduação do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Paraíba (IFPB), Silvana Costa. Além da qualidade do ensino e das pesquisas, ela frisa outro aspecto que colabora para o cenário: “A capilaridade das nossas instituições, que têm aumentado muito essa oferta no interior. O IFPB, por exemplo, tem 25 campi em todas as regiões do estado”.
Uma das formas de fortalecer a formação de novos mestres, segundo Costa, vem da experiência de verticalização das pesquisas. “A gente tem pesquisas em todas as áreas do conhecimento; no IFPB, começamos no Ensino Médio, com pesquisas verticalizadas até após a graduação”, relata.
“Isso não vem do dia para a noite”, declara o presidente da Fundação de Apoio à Pesquisa da Paraíba (Fapesq-PB), Amilcar Queiroz. “É um trabalho continuado. Posso dizer que, desde pelo menos 2021, a Paraíba tem tido uma política continuada — ou seja, estável —, de fortalecimento da ciência, da pesquisa e do Ensino Superior e, com isso, das pós-graduações”.
Segundo Amilcar, a fundação tem aportado importantes recursos para o incentivo à pesquisa no estado. Desde 2021, a cada ano, são concedidas 150 bolsas de mestrado, 130 de doutorado e 50 de pós-doutorado, que fomentam e fortalecem a presença e a fixação dos pesquisadores na Paraíba. Ele também lembra que, entre as quatro instituições de Ensino Superior da Paraíba, são ofertados mais de 100 programas de pós-graduação.
Outros elementos favoráveis para o crescimento indicado pelo Espacialidade foram a criação, em 2023, da Secretaria de Estado da Ciência, Tecnologia, Inovação e Ensino Superior (Secties), além da criação e da execução de programas como o Radiotelecópio Bingo e o Paraíba Sem Fronteiras.
“A Paraíba tem um histórico de grande valorização de ciência e tecnologia, desde Lynaldo Cavalcanti. Então, [a ideia] é deixar que os mestrandos e as pós-graduações das universidades trabalhem, porque têm apoio do estado. E, assim, conseguem ter destaque nacional, mais apoio da Capes e mais apoio do CNPq [Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico]”, finaliza o presidente da Fapesq-PB.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de abril de 2026.