A Paraíba alcançou, mais uma vez, destaque no cenário nacional de desenvolvimento e bem-estar. De acordo com os dados oficiais do Índice de Progresso Social (IPS Brasil 2026), o estado conquistou, pelo segundo ano consecutivo, o primeiro lugar do Nordeste em qualidade de vida, somando 62,39 pontos (em uma escala que vai de 0 a 100).
A liderança paraibana na região coroa um ciclo contínuo de investimentos em infraestrutura e políticas sociais que dialogam com a melhoria da qualidade de vida do povo. Considerando todos os estados do país, a Paraíba ficou em 11º lugar, seguindo a média do Brasil, que atingiu uma pontuação de 63,40.
O índice avalia o desempenho dos 26 estados e do Distrito Federal a partir de indicadores que vão além do Produto Interno Bruto (PIB), divididos em três grandes dimensões essenciais: Necessidades Humanas Básicas, Fundamentos do Bem--Estar e Oportunidades. A primeira, dentre outros aspectos, verifica as condições de segurança, moradia, água e saneamento do município. A segunda dimensão avalia o acesso à informação, a qualidade do meio-ambiente e a saúde da população. Por fim, no último tópico, são averiguados a inclusão social, o acesso à educação superior e a manutenção dos direitos individuais dos munícipes.
De acordo com João Damasceno, professor de Geografia da Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), o relatório é relevante porque amplia a análise da qualidade de vida para além dos indicadores econômicos tradicionais, como o PIB ou a arrecadação, avaliando se essa infraestrutura ou se esse recurso estão trazendo resultados para as pessoas. “O estudo considera fatores sociais e ambientais que impactam diretamente o cotidiano da população, utilizando dezenas de indicadores relacionados à saúde, educação, segurança, saneamento, moradia, acesso a oportunidades e bem-estar social”, conta.
Para a Secretaria de Estado do Planejamento, Orçamento e Gestão (Seplag), o resultado não é obra do acaso, mas da combinação do desenvolvimento econômico, com o PIB crescendo acima da média regional e nacional nos últimos anos, e da capacidade do Estado de fazer com que as conquistas econômicas se traduzam em benefícios sociais. “A liderança da Paraíba no Nordeste comprova que o planejamento baseado em dados e evidências e o controle das contas públicas possibilitam o alcance de resultados reais de melhoria da vida do cidadão”, ressaltou o secretário de Planejamento, Gilmar Martins.
Rainha da Borborema
Conforme o levantamento, dos 223 municípios do estado, Campina Grande apresenta o melhor desempenho, com 68,76 pontos. A cidade é seguida por João Pessoa, com 67,73 pontos, e Conde, com 66,79 pontos. Outros municípios que obtiveram bons índices foram Mari (66,57), Pirpirituba (66,00), Cabedelo (65,68), Carrapateira (65,55), Várzea (65,50), São Mamede (65,26) e Gurjão (65,20). Por outro lado, as cidades paraibanas que menos pontuaram foram Cruz do Espírito Santo (51,72), Marcação (51,88) e Dona Inês (52,81).
Segundo João Damasceno, alguns fatores podem explicar a colocação de destaque obtida pela Rainha da Borborema. “A cidade consolidou, ao longo das últimas décadas, uma forte estrutura universitária e tecnológica, tornando-se um importante polo regional de educação, inovação e serviços especializados. Esse conjunto influencia positivamente indicadores ligados à escolaridade, formação profissional, acesso à informação e geração de oportunidades”, explica o professor.
O docente da UEPB aponta, ainda, que Campina exerce centralidade regional sobre grande parte do interior paraibano, concentrando hospitais, clínicas, universidades, comércio e serviços públicos e privados. “Isso faz com que a população tenha maior acesso relativo a equipamentos urbanos e serviços essenciais, quando comparado a muitos municípios do Semiárido nordestino”, analisa. Ele ressalva, contudo, que o bom desempenho da cidade não significa a ausência de problemas urbanos, já que desafios relacionados à mobilidade e à desigualdade socioespacial ainda precisam ser vencidos.
O que é
O Índice de Progresso Social (IPS) Brasil avalia a qualidade de vida nos 5.570 municípios brasileiros a partir de 57 indicadores sociais e ambientais, extraídos de bases públicas como DataSUS, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) e MapBiomas.
Para organizar o ranking, a qualidade de vida nas cidades é medida em uma escala que vai do 0 ao 100. O IPS Brasil é desenvolvido em parceria entre o Imazon, a Fundação Avina, a Amazônia 2030, o Centro de Empreendedorismo da Amazônia e a Social Progress Imperative.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 21 de maio de 2026.