A Operação Identidade Oculta, deflagrada pela Polícia Civil da Paraíba (PCPB), realizou a prisão de nove indivíduos investigados por fazerem parte de uma organização criminosa com atuação nos municípios de Campina Grande, Esperança e Pocinhos. Segundo a apuração policial, a estrutura criminosa atuava em diferentes núcleos, mas com foco no tráfico de entorpecentes e na lavagem de dinheiro.
A ação realizada, ontem, pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) e pela 12ª Delegacia Seccional de Polícia Civil (DSPC) ainda resultou no bloqueio de bens móveis e imóveis avaliados em cerca de R$ 33 milhões. Segundo o delegado Emanuel Henriques, os suspeitos também são investigados por utilização de documentos falsos.
“Demos o nome ‘Identidade Oculta’ à operação exatamente porque parte dos investigados usava documentos falsos para lavar dinheiro proveniente do tráfico de drogas. Inclusive a documentação de familiares já falecidos era utilizada para movimentar valores sem levantar suspeitas”, detalhou o delegado.
Henriques também explicou que o grupo investigado não atuava diretamente no tráfico, mas exercia funções administrativas e de comando na região do Agreste paraibano. Os indivíduos presos na operação policial seriam encarregados pela movimentação financeira do grupo criminoso e pela ocultação dos valores adquiridos por meio das ações delituosas.
“A investigação começou na cidade de Esperança, por meio da análise de dados telemáticos de um celular que foi apreendido durante um caso de homicídio por facção criminosa ocorrido no município. As informações analisadas no aparelho celular nos apontaram para a existência de uma organização criminosa muito forte em Esperança e Pocinhos e, com acesso ao relatório financeiro dos investigados, fomos surpreendidos pelo grande montante movimentado por eles, apesar de grande parte dos envolvidos estar cadastrada em programas de benefício social, como o Bolsa Família e o Auxílio Gás”, detalhou o delegado.
Em Campina Grande, três mandados de prisão foram cumpridos, todos no bairro Portal Sudoeste. No entanto, a Polícia Civil acredita que os líderes da organização criminosa estejam em Esperança e Pocinhos, sendo dois suspeitos na primeira cidade e um na segunda. Ao todo, a operação cumpriu 17 mandados judiciais, incluindo ordens de prisão, buscas e apreensões, além de sequestro de bens e bloqueio de contas bancárias dos investigados.
Segundo a polícia, as prisões realizadas ontem podem ajudar a identificar outros integrantes do grupo. “Apreendemos bastante material que precisa ainda ser periciado, mas acredito que ele vai ampliar o leque de informações que temos e nos levar a mais pessoas envolvidas”, afirmou Henriques.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de junho de 2026.