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Polícia prende integrante na capita

publicado: 22/05/2026 10h26, última modificação: 22/05/2026 10h26
Mulher de 34 anos é suspeita de ajudar a lavar dinheiro obtido por extorsão sexual; grupo movimentou R$ 4 milhões
Divulgação PCPB.jpg

Prisão foi efetuada no bairro pessoense de Mandacaru | Foto: Divulgação/PCPB

A Polícia Civil da Paraíba (PCPB), em ação conjunta com a Polícia Civil do Paraná (PCPR), deflagrou, ontem (21), a Operação Love Hurts, que resultou no cumprimento de um mandado de prisão preventiva e de um mandado de busca e apreensão contra uma mulher de 34 anos, no bairro de Mandacaru, em João Pessoa.

A investigação apura a atuação de uma organização criminosa voltada à prática do crime de extorsão sexual. Segundo as apurações, o grupo criminoso entrava em contato com seus alvos por meio das redes sociais, estabelecendo relações de confiança e vínculos amorosos. Em apenas dois meses, foram movimentados R$ 4 milhões, extorquidos de mais de 20 vítimas em diferentes regiões do país.

No decorrer dos relacionamentos, os investigados solicitavam o envio de imagens íntimas das vítimas. Após o recebimento do material, os criminosos passavam a ameaçar divulgar as fotos íntimas, exigindo pagamentos em dinheiro para não realizar a exposição. Sentindo-se constrangidas e coagidas, as pessoas realizavam as transferências bancárias solicitadas.

As averiguações apontaram, ainda, que havia divisão de funções dentro da organização criminosa. A mulher presa em João Pessoa integrava o núcleo financeiro do grupo, sendo responsável por receber os valores provenientes das extorsões e transferi-los para outras contas bancárias, com a finali-dade de ocultar e dissimular a origem ilícita do dinheiro.

Ao todo, foram expedidos, ontem, cinco mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão domiciliar, em diferentes estados do Brasil. Além da atuação das polícias civis do Paraná e da Paraíba, a operação contou com a colaboração das polícias civis do Espírito Santo (PCES), Goiás (PCGO), Maranhão (PCMA) e Rio Grande do Norte (PCRN).

Esquema

A dinâmica criminosa começou em 2024. Por meio de redes sociais e aplicativos de mensagens, a vítima foi contatada por um perfil falso com o nome “David Green”. O investigado utilizava fotos de terceiros, já identificadas em golpes internacionais, e apresentava-se falsamente como médico oncologista em missão de paz na Síria.

Após conquistar a confiança da vítima com manipulação emocional e promessas de casamento — prática que caracteriza, em tese, o chamado “romance scam” —, o autor induziu a mulher a compartilhar fotos e vídeos íntimos. A partir desse momento, a organização passou a atuar em duas frentes:

  • Estelionato sentimental: — solicitação de altas quantias sob falsos pretextos, como passagens aéreas e pagamento de multas fictícias relacionadas ao transporte de ouro na Áustria e no Brasil;
  • Sextortion — após a vítima demonstrar desconfiança e esgotamento financeiro, o investigado passou a ameaçá-la com a divulgação de imagens íntimas nas redes sociais, exigindo R$ 20 mil.

Ao todo, o prejuízo financeiro da vítima que deu origem às investigações chegou a R$ 63,3 mil, além de grave abalo psicológico.

Os policiais identificaram, ainda, uma divisão estruturada de tarefas em dois núcleos principais. O primeiro era estrangeiro e tinha função operacional, sendo baseado em terminal telefônico com DDI da Nigéria (+234), país associado a redes especializadas em fraudes afetivas, conforme relatos de vítimas. Esse núcleo era responsável pela abordagem, sedução e posterior extorsão.

Já o núcleo nacional, das “conteiras”, era formado por operadores financeiros no Brasil responsáveis por ceder contas bancárias para o recebimento, ocultação e dissimulação dos valores ilícitos, mediante conversão em criptoativos para lavagem de dinheiro.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 22 de maio de 2026.