O último fim de semana em Campina Grande, especialmente o último domingo (12), foi marcado por fortes chuvas e diversos transtornos provocados pelo grande volume de água em um curto período. De acordo com a Defesa Civil do município, a precipitação começou por volta das 14h30 e acumulou aproximadamente 51 mm de água.
Ao todo, a Defesa Civil atendeu e registrou 13 ocorrências, sendo 10 relacionadas a pontos de alagamento em diferentes áreas da cidade e três provocadas por quedas de árvores. De acordo com o coordenador do órgão, Régis Cavalcante, os casos de árvores caídas foram registrados nos bairros Alto Branco, Dinamérica e Bodocongó. “Já os alagamentos ocorreram em ruas localizadas nos bairros Tambor, Sandra Cavalcante, Distrito dos Mecânicos, Jeremias, Nova Brasília, Cruzeiro e Itararé”, informou.
Além disso, moradores relataram, por meio das redes sociais, outros transtornos causados pelas chuvas nos bairros Caatingueira e Pedregal. Na Caatingueira, um motorista precisou abandonar o veículo após ficar preso em uma enxurrada. O carro foi removido por um caminhão guincho ainda na noite de domingo, sem registro de feridos.
A Defesa Civil destacou que vem realizando ações para melhorar o escoamento da água em canais e galerias da cidade, com o objetivo de minimizar os impactos das chuvas intensas. Durante as ocorrências do domingo, as equipes atuaram na desobstrução de vias, no apoio à população e no monitoramento de áreas da cidade consideradas críticas. O órgão reforça à população que o número de emergência 199 funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Pedestres devem ter cuidado em dias de chuva
Por: Bárbara Wanderley
Um ditado popular muito conhecido diz que quem está na chuva é para se molhar. Porém, o médico infectologista Fernando Chagas alerta que é melhor não levar essa máxima tão a sério. Molhar os pés ou outras partes do corpo em poças de água que se acumulam nas ruas pode causar diversas doenças, em alguns casos até levando ao risco de morte.
“Em períodos de chuva, a gente precisa ter muito cuidado no sentido de molhar-se em poças, lamas, águas de córregos, porque elas arrastam tudo que tem pela frente e acabam levando consigo urina e dejetos de animais e insetos, como a urina do rato. Isso aumenta as chances de doenças como leptospirose, tanto que as explosões de casos ocorrem após períodos de chuvas, especialmente chuvas muito intensas que trazem alagamentos”, afirma Fernando.
Ele destaca que a leptospirose é uma doença muito perigosa e que pode ser fatal. “É uma doença causada por uma bactéria, mas lembra muito a dengue. Dá dor de cabeça, febre, dor no corpo, mas pode causar, muitas vezes, lesão renal grave, injúria renal grave, podendo inclusive levar à morte”, detalha.
Mas a leptospirose não é a única enfermidade que pode ser adquirida nessa lama. “Doenças diarreicas também podem estar presentes. Várias bactérias que causam gastroenterites podem ser transmitidas, levando a inflamação, casos de diarréia, dor de barriga. A pessoa fica com cocô mole e vai várias vezes ao banheiro. Isso para idosos e crianças é perigoso, porque eles perdem muita água, então podem desidratar”, explicou o médico.
Para se proteger, a recomendação é o uso de botas em dias de chuva, amarrando sacos plásticos nos pés, se necessário. “Se molhar as pernas, ao chegar em casa imediatamente lavar com água e sabão e botar as roupas pra lavar”, aconselha.
É o que faz a comerciante Alda Figueiredo. Ela conta que aprendeu a lição após ter um fungo na unha do pé, cujo surgimento ela atribui ao contato prolongado com a água da chuva. “Eu já tive uma deformação numa unha do pé, porque eu passei nessas águas e fiquei o dia todinho com água, mas não lavei. Quando cheguei em casa e fui tomar banho, eu vi a unha do pé toda deformada. Deu trabalho [para limpar], depois ela caiu, eu ficava cortando e botando remédio”, lembrou.
Já José Gomes, que trabalha em zeladoria e limpeza, conta que as galochas já fazem parte do seu uniforme. “Eu já saio de casa com elas. Porque eu venho de moto e tenho que vir com elas, com capa e tudo, e pelo menos eu estou protegido”, relata. Ele destacou que, ainda assim, há momentos em que acaba se molhando. “Às vezes, a gente não tem nem como evitar. Aí, tem que tomar banho e se higienizar, é a única solução”, comentou.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de abril de 2026.
