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Remoção dos orelhões deve ser feita até o fim de 2028, segundo Anatel

publicado: 09/04/2026 09h00, última modificação: 09/04/2026 09h00
2026.04.08 Orelhão © Carlos Rodrigo (3).JPG

Estado conta, ainda, com 142 aparelhos em atividade | Foto: Carlos Rodrigo

por Camila Monteiro*

A Paraíba ainda conta com 142 orelhões em atividade, além de outros três inativos, em 71 municípios, segundo dados declarados pelas prestadoras do serviço à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). Desde janeiro deste ano, porém, a remoção de estruturas desativadas dos telefones de uso público (TUPs) teve início. Esses equipamentos — que fizeram parte do cotidiano dos paraibanos por muitos anos — estão em processo gradual de retirada e devem desaparecer completamente até o fim de 2028.

Até lá, as operadoras devem manter os aparelhos apenas em localidades onde a cobertura de telefonia móvel ainda é considerada insuficiente. A mudança ocorre após o encerramento, em dezembro de 2025, das concessões do serviço de telefonia fixa das empresas responsáveis pelos orelhões no país — Oi, Algar, Claro, Sercomtel e Telefônica.

Com isso, as operadoras deixaram de ter obrigação formal de manter o serviço. Segundo a Anatel, contudo, não há norma expressa que determine a retirada imediata dos equipamentos. Em contrapartida pela não compulsoriedade da manutenção, as empresas comprometeram-se a realizar investimentos em infraestrutura de telecomunicações no país.

Atualmente, dos 142 aparelhos em disponibilidade no estado, 103 estão ativos (72,5%) e 39 passam por manutenção (27,5%). Esse número vem tendo uma redução gradual ao longo dos anos: em março de 2025, havia 360, enquanto, no mesmo período de 2024, existiam 2.416; em 2023, eram 3.651; em 2022, 4.012; em 2021, 4.988 e, em 2020, 5.148.

Na capital paraibana, os últimos registros no site da Anatel são de março deste ano e apontam que João Pessoa não possui orelhões. Contudo, essa informação está imprecisa, pois é possível observar aparelhos em diferentes pontos da cidade, como no Distrito Industrial e em trechos às margens das rodovias federais. De acordo com a Anatel, esses dados são informados pela própria prestadora à agência e, caso não haja declaração nos últimos meses, isso seria indicativo de que os terminais foram retirados.

A queda no número de orelhões também está ligada à flexibilização das metas do setor. Entre as mudanças, deixou de ser exigida a instalação de aparelhos a cada 300 m em áreas atendidas individualmente, além da obrigação de manter quatro unidades para cada mil habitantes.

Ícone

Neste ano, o orelhão, também chamado de “tulipa” e “capacete de astronauta”, completa 55 anos de história. Criado em 1971, teve a sua inauguração para o público em 1972. Considerado um ícone do design, o projeto foi elaborado pela arquiteta Chu Ming Silveira, enquanto chefiava o Departamento de Projetos da Companhia Telefônica Brasileira, com a finalidade de melhorar os aparelhos já existentes em ambientes internos. Assim, a privacidade do usuário e a acústica foram pontos fundamentais para o sucesso do orelhão.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 09 de abril de 2026.