A Fundação Espaço Cultural da Paraíba (Funesc) anunciou que o Cineteatro São José, equipamento mantido pela entidade estadual em Campina Grande, retoma hoje sua programação de exibições. Com entrada gratuita, a sessão especial do espaço começa às 18h30, apresentando quatro curtas-metragens paraibanos: “Avôa”, “Rocha”, “O Natal de Lourdes” e “Remoinho”. Esses mesmos filmes serão exibidos no dia 5 de março, também às 18h30.

- Entre as obras que compõem a agenda da noite, no equipamento mantido pela Funesc, está “Remoinho”, premiado no Fest Aruanda e no Curta Caicó; produção de Tiago A. Neves conta com atuações de Zezita Matos e Cely Farias | Foto: Divulgação/Remoinho
As quatro produções foram selecionadas pelo segundo edital Curta Bangüê, iniciativa desenvolvida com o objetivo de fomentar e promover a produção cinematográfica da Paraíba. Proporcionando ao público o acesso às obras, o projeto busca contribuir para o diálogo sobre o cenário do audiovisual local e valorizar o trabalho de realizadores atuantes no estado. Embora o ingresso seja gratuito, serão distribuídos tíquetes aos espectadores, uma hora antes de cada sessão, na entrada do cinema — que fica localizado na Rua Lino Gomes da Silva, no bairro de São José.
Filmes locais
“Avôa” é um curta campinense com direção de Lucas Mendes. O outro dos quatro filmes que exibe Campina Grande como cenário é “Rocha”, de Bianca Rocha. Já “O Natal de Lourdes” foi realizado em João Pessoa, por Christine Lucena e Odécio Antônio.
Sob a direção de Tiago A. Neves, com locações no município de Ingá, “Remoinho” conta com as atrizes Zezita Matos e Cely Farias em seu elenco, tendo recebido várias premiações em eventos como o Curta Caicó e o Fest Aruanda, além de integrar a seleção para o 48o Festival de Cinema de Gramado, realizado no ano passado.
Ambiente conta com recursos de alta tecnologia
A sala de cinema do Cineteatro São José foi reinaugurada em outubro do ano passado. Desde então, o espaço funciona com um projetor digital SP4K-12C — tecnologia que garante imagens de altíssima definição e fidelidade.
Segundo o Governo da Paraíba, o valor investido no novo equipamento ultrapassa a marca de R$ 820 mil, viabilizados mediante a Lei Paulo Gustavo, da Secretaria de Estado da Cultura (Secult). Além disso, R$ 582 mil em recursos próprios do Governo estadual foram destinados à aquisição de materiais para a manutenção estrutural e elétrica do ambiente, incluindo custos de iluminação, mobiliário, sistema de segurança eletrônica, internet e equipamentos de informática.
A administração do espaço também dispõe de uma equipe técnica especializada, proveniente de uma parceria com a Fundação de Educação Tecnológica e Cultural da Paraíba (Funetec-PB). Assim, ao todo, o investimento para viabilizar a reforma da sala de projeção do cineteatro soma R$ 1,4 milhão.
Curta Bangüê
Antes das obras escolhidas para exibição na sessão de hoje do cinema, o ambiente já exibiu outros quatro curtas-metragens paraibanos, selecionados por meio do primeiro edital do Curta Bangüê. São eles: “Céu”, de Valtyennya Pires; “A Fome de Lázaro”, de Diego Benevides; “Pantera dos Olhos Dormentes”, de Cristall Hannah e Ingsson Vasconcelos”; e “Déjà Vu”, de Carlos Mosca.
Investimento
Gerenciado pela Funesc, o Cineteatro São José é reconhecido como um dos principais e mais antigos equipamentos culturais de Campina Grande. Além da sala de cinema, o local conta com um teatro, que possui capacidade para 140 espectadores, incluindo área para cadeirantes.
O espaço foi aberto em 1945, por iniciativa da família Wanderley, então proprietária de diversas salas de cinema na Paraíba e em outras cidades do Nordeste. A ideia por trás da fundação era possibilitar que audiências de menor poder aquisitivo pudessem ter acesso a filmes no cinema, com ingressos mais baratos.
Em 1983, o cinema fechou suas portas e foi vendido para uma igreja. Representantes da sociedade civil solicitaram, então, a retomada do empreendimento pelo Poder Público e, em 1990, ele passou a ser gerenciado pelo Governo da Paraíba. Suas atividades culturais só foram retomadas, contudo, em 2010.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 26 de fevereiro de 2026.