O celular tornou-se indispensável no cotidiano, reunindo informações bancárias, documentos pessoais e sendo o principal meio de comunicação com familiares, amigos e até no trabalho. No entanto, essa proximidade tem gerado um problema crescente: o aumento de sinistros de trânsito relacionados ao uso do aparelho ao volante, especialmente nas grandes cidades brasileiras.
Em 2025, na Paraíba, o uso do celular ao volante foi a terceira principal causa de infrações de trânsito, com mais de 90 sinistros com vítimas apenas na Região Metropolitana de João Pessoa. Segundo o Departamento Estadual de Trânsito (Detran-PB), esse comportamento ficou atrás apenas do excesso de velocidade e da condução sob efeito de álcool.
No âmbito nacional, de acordo com os dados da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), somente nos dois primeiros meses de 2026 mais de 600 mil motoristas foram multados por utilizar o celular enquanto dirigiam. Isso representa uma média de sete autuações por minuto. Com esses números, essa infração ocupa a sexta posição entre as mais registradas no Brasil.
Diante desse cenário, a Superintendência de Mobilidade Urbana de João Pessoa (Semob-JP) tem reforçado alertas sobre os riscos dessa prática. Em entrevista à Rádio Tabajara, emissora da Empresa Paraibana de Comunicação (EPC), o diretor de Operações da Semob, Sanderson Cesário, destacou que manusear o celular ao dirigir é considerado infração gravíssima pelo Código de Trânsito Brasileiro (CTB). “O simples ato de estar dirigindo segurando o celular já caracteriza uma infração gravíssima no CTB, com uma multa de R$ 293,47 e sete pontos no prontuário da carteira de habilitação do condutor. Ela é considerada gravíssima tendo em vista, justamente, o alto índice e risco de sinistros que essa prática vem causando no país”.
O CTB diferencia ainda o uso do celular ao volante: enquanto manusear o aparelho é considerado gravíssimo, falar ao telefone é classificado como infração média, com multa de R$ 130,16 e quatro pontos na carteira. Isso ocorre porque o manuseio exige que o motorista retire pelo menos uma das mãos do volante e desvie a atenção da via. Assim, ações como enviar mensagens, acessar aplicativos, redes sociais ou digitar no GPS enquanto dirige configuram infrações gravíssimas.
No dia a dia
Segundo Sanderson, os motociclistas são os mais afetados quando o assunto é multa por uso de celular ao conduzir. “Hoje, tendo em vista o grande aumento dos condutores de motocicleta que trabalham nos aplicativos, como a Uber e o IFood, esse público tende a esquecer que, quando estão no trânsito, estão vulneráveis a acidentes. O índice de sinistros e de autuações é bem maior envolvendo os motociclistas, até porque, muitas vezes, a carcaça do carro esconde o uso do celular por parte do motorista. Na moto não é possível esconder e é ainda mais arriscado porque os motociclistas tiram a mão do guidão da moto, perdem toda a visibilidade do trânsito e isso tem causado acidentes graves”, destacou.
O diretor também ressaltou que a Semob atua diariamente em pontos de maior fluxo de veículos em João Pessoa, mas enfatizou que apenas a fiscalização não é suficiente, sendo essencial a conscientização dos condutores. “A nossa fiscalização é diária, tanto com equipes de agentes nas ruas, como por meio do nosso sistema de videomonitoramento, que observa pessoas utilizando o celular de maneira incorreta e as autua conforme o CTB. Mas os cidadãos hoje, por não conseguirem se desconectar, às vezes sofrem a infração, são punidos com a multa e continuam cometendo o mesmo erro, correndo uma série de riscos, ao invés de deixar de responder uma mensagem ou atender uma ligação. Isso é muito grave e não é algo exclusivo do Brasil, é um problema no mundo todo”, afirmou Sanderson.
Por fim, ele aconselha os condutores a deixarem questões pessoais fora do trânsito e manterem o foco na direção. “Estamos tão habituados a querer responder tudo rapidamente que esquecemos que, quando estamos ao volante, há uma série de riscos envolvidos e precisamos nos desligar das nossas pendências e problemas e concentrar exclusivamente em dirigir. Afinal de contas, no trânsito temos milhares de pessoas envolvidas e, a qualquer momento, pode surgir uma situação que exija a sua direção defensiva”, concluiu o diretor.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de abril de 2026.