A mobilidade urbana impacta diretamente o cotidiano da população. Quando o deslocamento para atividades como trabalho e estudo torna-se mais rápido e eficiente, há economia de tempo, redução de custos e melhora na qualidade de vida. Com esse objetivo, intervenções estruturais foram realizadas, pelo Governo Estadua, em pontos de grande fluxo em João Pessoa, contabilizando um investimento de cerca de R$ 39 milhões.
Alguns desses lugares são na Zona Sul da capital, nas proximidades do Campus I da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e do Hospital Universitário Lauro Wanderley (HULW- -UFPB). Na região, o fluxo de automóveis costuma ser bastante intenso, em virtude, dentre outros fatores, da convergência de bairros como Bancários e Castelo Branco.
Com o objetivo de melhorar a dinâmica do trânsito na área, o Governo do Estado construiu a Ponte das Três Ruas, inaugurada no fim de 2024. Recentemente, uma nova via de ligação com o Altiplano foi implantada, chamada de “Vias do Atlântico”. Essas intervenções tem alterado, positivamente, a rotina de quem trafega nas proximidades.
Moradora da área, a servidora pública Lorena Borges afirma que a ponte trouxe benefícios, especialmente e não apenas para que usa o carro. “Facilitou muito quando vou para a UFPB de bicicleta. O trajeto ficou mais rápido e seguro, o que me estimulou a usar mais esse meio de transporte”, relata.

- Além disso, foram construídas estruturas que incentivam diferentes formas de mobilidade, como as ciclovias para quem desejar utilizar a bicicleta como meio de transporte
Para os carros, Lorena observa uma melhora no acesso à região principal dos Bancários. No entanto, ela destaca que, nos horários de pico, o trânsito em direção à UFPB continua intenso. Para ela, apesar dos avanços, as melhorias ainda são pontuais, sendo necessário pensar em soluções mais amplas e sustentáveis para a mobilidade.
O morador Hélio Luna também avalia positivamente a obra. Segundo ele, o novo acesso reduziu o tempo de deslocamento até o Centro da cidade. “Na ida, tendo em vista que vou no horário de fluxo intenso, levo cerca de 40 minutos; na volta, faço em 15 minutos. A diferença, por conta do trânsito, é grande”, relata, explicando que, temporariamente, o fluxo está mais intenso devido às intervenções realizadas pela prefeitura na rotatória da UFPB, mas acredita que a situação deve se normalizar assim que as obras terminarem.
Hélio acrescenta, ainda, que, além de melhorar o tráfego, as duas pontes — junto ao parque implantado nas Três Ruas — contribuíram para a valorização imobiliária da área.
Já a moradora Jaciara Pereira do Nascimento avalia que o novo acesso encurtou distâncias, mas estimulou o aumento do número de veículos, provocando congestionamentos em determinados horários. “Para ir a pé é mais perto, mas de carro, dependendo do horário, o congestionamento atrasa”, afirma.
De acordo com o Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba, responsável pela execução, a Ponte das Três Ruas recebeu investimento superior a R$ 17 milhões e é considerada uma das principais intervenções de mobilidade da Zona Sul, beneficiando cerca de 300 mil pessoas. A estrutura possui 80 m de comprimento, 15 m de altura e 25 m de largura, além de duas rotatórias — uma atrás do campus da UFPB e outra nos Bancários — que facilitam o tráfego nos dois sentidos e ajudam a desafogar vias historicamente congestionadas. A obra também conta com calçadas e ciclovia.
Altiplano
Outra intervenção relevante, a Via do Atlântico interliga o bairro Altiplano ao HULW-UFPB. O motorista de aplicativo Wagner Belo Rocha afirma que a obra reduziu o tempo das viagens. “Virou uma rota de fuga para economizar tempo. Você sai do Altiplano direto na UFPB e evita o trânsito da descida para a Beira Rio”, destaca.
Na obra, foram investidos mais de R$ 22 milhões em recursos próprios do Governo do Estado, com inauguração no fim do ano passado. A via possui 2,4 km de extensão e facilita o deslocamento entre os bairros Altiplano e Castelo Branco, além de contribuir para reduzir a sobrecarga na Avenida Beira Rio. O projeto incluiu, ainda, a pavimentação e a urbanização de ruas do Altiplano, como a duplicação da Rua Antônio Francisco do Amaral.
Segundo o diretor de Planejamento e Transportes do DER-PB, José Arnaldo Souza Lima, o planejamento das obras na Região Metropolitana é essencial para atender às demandas da população. Ele ressalta que muitas solicitações chegam por meio do Orçamento Democrático Estadual (ODE), instrumento de participação popular que auxilia na definição da aplicação dos recursos públicos.
“Essas obras impactam diretamente na qualidade de vida, reduzem custos de transporte, diminuem o tempo de viagem e favorecem o convívio social e o lazer”, pontua.
Além das intervenções na Zona Sul, o gestor cita outras obras executadas ou em andamento com recursos estaduais, como o Arco Metropolitano de João Pessoa, o Complexo Rodoviário Ponte do Futuro, o Viaduto do Bairro das Indústrias, o Viaduto de Água Fria, as ligações Geisel-Colinas do Sul, Mangabeira IV–Entroncamento da PB-008, Centro de Convenções–Mangabeira IV e Cidade Universitária–Altiplano.
Especialista diz que é essencial investir em transporte público
Vias da Zona Sul de João Pessoa, como a Avenida Sérgio Guerra — conhecida como “principal dos Bancários” —, em João Pessoa, historicamente enfrentam problemas de congestionamento que impactam diretamente a rotina da população.
O especialista em mobilidade urbana Nilton Pereira de Andrade explica que a situação é consequência do crescimento da região sem o devido planejamento urbano. Segundo ele, a presença do Campus I da UFPB, um grande polo gerador de viagens que atrai, diariamente, milhares de pessoas em horários específicos, intensifica o fluxo. No entanto, o problema é anterior. “Depois da universidade, fizeram o conjunto dos Bancários, mas quem fez o conjunto não deixou muitas ligações pensando no que viria depois”, pontua.
Para o especialista, bairros que surgiram posteriormente, no entorno dos Bancários, como Jardim São Paulo, Jardim Cidade Universitária, Anatólia e Colibris, não contam com conexões viárias adequadas para desafogar a avenida principal.
Ele exemplifica que, ao sair das Três Ruas em direção ao Mangabeira Shopping, o motorista precisa fazer um trajeto sinuoso, pois não há uma via direta. “A única reta livre é a principal. Do mesmo jeito, se sair por trás do Carrefour e quiser chegar à via paralela da principal de Mangabeira, o condutor não consegue. Quem planejou esses bairros não pensou numa ligação contínua e direta, como é a principal dos Bancários. Resultado: todo mundo utiliza a Avenida Sérgio Guerra”, destaca.
Com o crescimento constante da região, a via segue congestionada, formando gargalos que acabam sendo alvo de intervenções pontuais. Para Nilton, essas obras ajudam momentaneamente, mas não resolvem o problema estrutural. “Quanto mais são construídas infraestruturas para facilitar o escoamento, mais atrativa aquela rua fica e mais estimula o uso do carro”, afirma. Ele observa que, apesar das intervenções já realizadas, os problemas de circulação na cidade aumentam ano a ano.
O aumento diário da frota de veículos também agrava o cenário. Conforme o especialista, nenhuma cidade consegue absorver indefinidamente o crescimento do número de carros sem enfrentar congestionamentos e outros transtornos. Para ele, a solução passa pelo investimento efetivo no transporte público, tornando-o acessível, eficiente e atrativo. “Assim, se transporta mais gente ocupando menos espaço. E ele precisa ser priorizado, não pode ficar misturado com os outros carros, porque aí não anda”, defende, ressaltando a importância de faixas exclusivas e destacando, também, a necessidade de priorizar o uso da bicicleta onde houver demanda.
Na avaliação de Nilton, contudo, o que tem ocorrido nos últimos anos são investimentos para aliviar congestionamentos em pontos específicos, sem um planejamento amplo para qualificar o transporte coletivo. A baixa qualidade do serviço, segundo ele, incentiva a aquisição de veículos próprios, especialmente motocicletas, que têm menor custo e maior agilidade no trânsito. Esse movimento, além de ampliar a frota, contribui para o aumento de acidentes e de vítimas.
Nilton conclui que estruturar adequadamente o transporte público é uma solução de longo prazo, mas fundamental para enfrentar, de forma eficaz, os problemas de mobilidade urbana.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 08 de março de 2026.