Notícias

liderança institucional

Edvaldo Neto defende-se em vídeo

publicado: 17/04/2026 09h27, última modificação: 17/04/2026 09h27
Afastado da Prefeitura de Cabedelo, político alega inocência e diz ter combatido a infiltração de criminosos na gestão
Edvaldo Neto_Foto - Reprodução Instagram edvaldonetocabedelo.jpg

Edvaldo Neto é um dos alvos da Operação Cítrico, que apura corrupção e lavagem de dinheiro | Foto: Reprodução/Instagram @edvaldonetocabedelo

por Gisa Veiga (Com Redação)*

O ex-prefeito interino de Cabedelo, Edvaldo Neto (Avante), usou as redes sociais, ontem (16), para se pronunciar oficialmente a respeito da Operação Cítricos, que o afastou do cargo na última terça-feira (14). Na mensagem, Edvaldo Neto alegou que é inocente e que combateu a infiltração de membros de organizações criminosas na Prefeitura Municipal. “Estou com minha consciência tranquila, não cometi nenhum ato ilegal, seja à frente da Prefeitura de Cabedelo, seja à frente da Câmara Municipal”, afirmou.

“Primeiramente, quero expressar todo o meu respeito aos órgãos de segurança pública e às autoridades envolvidos na Operação Cítricos e dizer que, desde o primeiro dia em que assumi a interinidade do cargo de prefeito, lutei incansavelmente contra as organizações criminosas que possam estar infiltradas na prefeitura, luta essa comprovada através do encaminhamento de ofícios a várias autoridades, colocando a prefeitura à disposição dos órgãos de segurança para combater ou ajudar no enfrentamento de qualquer tipo de atitude criminosa em nossa cidade”, sustentou.

Edvaldo Neto também disse que, durante o período em que geriu Cabedelo, manteve reunião com o Ministério Público, com o Poder Judiciário e com representantes da Polícia Civil e da Polícia Militar, no intuito de “debater e repudiar, de forma veemente, qualquer situação ou qualquer pessoa que tivesse indícios de ligação com o tráfico”. “Tudo isso [será] devidamente comprovado através de documentos públicos que serão disponibilizados no momento oportuno”, informou.

Na mesma postagem, o político lembrou que encaminhou à Câmara Municipal de Cabedelo um projeto de lei antifacção, com o objetivo vetar a contratação de qualquer pessoa que tenha envolvimento com o tráfico de drogas ou organização criminosa. O projeto, segundo ele, foi protocolado e já está em tramitação na Casa Legislativa. “Todos os atos que estão sendo investigados pela Operação Cítricos foram realizados antes de eu estar na condição de prefeito interino. Ou seja, nenhum ato teve qualquer participação minha, mesmo que mínima”, reforçou.

Entenda o caso

Edvaldo Neto assumiu a Prefeitura de Cabedelo, interinamente, no dia 15 de dezembro do ano passado, em razão da cassação dos eleitos nas Eleições Municipais de 2024 — André Coutinho e Camila Holanda. Na época, a Justiça Eleitoral determinou a realização de um pleito suplementar.

O então prefeito interino decidiu se candidatar à titularidade do cargo, tendo como vice Evilásio Cavalcanti (Avante). Houve uma única chapa concorrente, composta por Wallber Virgolino (PL), na disputa pelo posto de prefeito, e Morgana Macena, candidata a vice-prefeita. A votação aconteceu no último domingo (12), e as urnas foram favoráveis a Edvaldo e Evilásio. Os representantes do Avante conquistaram 61,21% dos votos válidos, contra os 38,79% obtidos pelos liberais.

Edvaldo seria diplomado prefeito de Cabedelo em maio. Contudo, dois dias depois de ser eleito, ele foi afastado do cargo por determinação judicial. O agora ex-gestor é um dos alvos da Operação Cítricos, que apura um esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e infiltração de facções criminosas na gestão municipal de Cabedelo. As investigações apontam que a Prefeitura — e também a Câmara Municipal de Cabedelo — teriam sido utilizadas como base de um “consórcio” entre agentes públicos, empresários e integrantes de organização criminosa para fraudar licitações e desviar recursos públicos. O objetivo, segundo a apuração, seria beneficiar empresas ligadas à facção Tropa do Amigão, apontada como braço do Comando Vermelho.

O PL anunciou que acionará o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) para impedir a diplomação da chapa eleita no pleito suplementar. Até o início da tarde de ontem, no entanto, o órgão não havia sido provocado oficialmente, conforme informou a assessoria de imprensa ao jornal A União.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 17 de abril de 2026.