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João Pessoa ganha Memorial da Democracia

publicado: 10/03/2026 08h52, última modificação: 10/03/2026 09h27
2026.03.09 Inauguração Museu da justiça eleitoral do paraíba © Carlos Rodrigo (5).JPG

Casarão dos Azulejos, situado no Centro Histórico, passou por obras de revitalização e recebeu investimentos superiores a R$ 2,8 milhões, oriundos do Tesouro estadual | Foto: Carlos Rodrigo

por Eliz Santos*

Quem entra no antigo Casarão dos Azulejos, no Centro Histórico de João Pessoa, encontra mais do que um prédio restaurado. Entre móveis centenários, vestes oficiais e urnas eleitorais que atravessaram diferentes épocas, o visitante é convidado a percorrer a trajetória do voto e da democracia na Paraíba — uma história marcada por avanços institucionais e pela consolidação da cidadania.

O mergulho na memória democrática ganhou forma oficial com a inauguração do Museu da Justiça Eleitoral — Memorial da Democracia. A solenidade realizada na tarde de ontem, reuniu o governador João Azevêdo, o presidente do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB), Oswaldo Trigueiro do Valle Filho, e outras autoridades.

A revitalização do casarão recebeu investimentos superiores a R$ 2,8 milhões, provenientes do Tesouro estadual, e integra o projeto mais amplo de recuperação do Centro Histórico da capital, que soma cerca de R$ 140 milhões em recursos públicos destinados à requalificação da área.

Durante o evento, o governador João Azevêdo destacou que a criação do memorial valoriza a preservação da memória democrática no estado, ao transformar um prédio histórico em espaço dedicado à história do processo eleitoral paraibano. 

Foto: Carlos Rodrigo

“Esse investimento representa mais um passo dentro do nosso projeto de revitalização do Centro Histórico. Preservar a nossa história é essencial para que possamos construir um futuro melhor para o nosso povo. A Justiça Eleitoral tem tudo a ver com aquilo que mais defendemos: o processo democrático e a liberdade de escolha. Ter um espaço como este, dedicado à memória do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, em um lugar tão simbólico, é motivo de orgulho para todos nós”, afirmou.

Para o desembargador Oswaldo Trigueiro, a recuperação do prédio histórico representa um passo importante na manutenção da memória institucional da Justiça Eleitoral.

“Este prédio agrega vários valores. Primeiro, a preservação da cultura e da memória. Saber que aqui funcionou a primeira sede do Tribunal Eleitoral nos lembra de onde viemos e aponta para onde queremos ir. Com esse espaço, conseguimos mostrar ao povo paraibano e também aos visitantes a trajetória da Justiça Eleitoral e a importância da democracia”, afirmou.

Em seguida, o presidente do TRE-PB relembrou como surgiu a ideia de transformar o prédio histórico na sede do museu. Durante uma conversa com a servidora do tribunal Gabriela Londres, ele conheceu melhor a história do casarão. “Ela me mostrou o Casarão dos Azulejos e explicou que ali havia funcionado a primeira sede do TRE, em 1932. Aquilo despertou a ideia de transformar o local no museu da Justiça Eleitoral”, relatou.

O projeto ganhou força após um diálogo com o governador João Azevêdo. “Em uma conversa com o governador, ele comentou sobre a criação do Museu dos Bombeiros. Foi quando aproveitei a deixa e disse que queria o Casarão dos Azulejos para sediar o museu do TRE”, contou.

Retorno às origens

Primeira Sala de Sessões do TRE-PB foi reconstituída

A escolha do Casarão dos Azulejos remete à própria origem da Justiça Eleitoral na Paraíba. Segundo o desembargador Marcos Cavalcanti de Albuquerque, presidente da Comissão de Notáveis responsável pela implantação do museu, o prédio foi a primeira sede da instituição em 1932, sob a presidência do desembargador Paulo Hipácio. Para ele, a inauguração consolida o Centro Histórico como um importante corredor cultural, próximo a equipamentos como o Museu de História da Paraíba e o Museu da Polícia Militar.

“Este é um ato para a história da Paraíba. É uma vitória histórica por ser o local onde nasceu a Justiça Eleitoral no estado e por se tornar mais um espaço voltado ao lazer, ao estudo e à pesquisa. É um marco das gestões do governador João Azevêdo e do desembargador Oswaldo Trigueiro, que não pouparam esforços para que este equipamento fosse entregue hoje”, destacou.

A chefe da Superintendência de Obras do Plano de Desenvolvimento do Estado da Paraíba (Suplan), Simone Guimarães, ressaltou o simbolismo da entrega e o esforço técnico para a conclusão da obra em prazo reduzido.

“Hoje é um dia de honra para todos nós. Estamos devolvendo vida, dignidade e sentido ao Casarão dos Azulejos. Não é apenas uma edificação restaurada, é parte da memória e da identidade do povo paraibano. Conseguimos entregar esta primeira etapa em apenas 80 dias, quando o cronograma inicial era de oito meses”, afirmou.

Evolução das urnas

Entre os destaques do museu, está a reconstituição da primeira Sala de Sessões do TRE-PB, com mobiliário original das primeiras décadas da instituição, além do gabinete da presidência de 1932, com vestes típicas da magistratura da época. O acervo também apresenta a evolução das urnas eleitorais, desde modelos de ferro e registros de votações realizadas por pano, voto impresso e cédulas de papel até o atual sistema eletrônico.

Espaço de diálogo

Na parte superior do Casarão dos Azulejos, um miniauditório será utilizado para estudos, debates e atividades educativas voltadas a estudantes e pesquisadores. O espaço também contará com exposições temporárias de artistas paraibanos e um café de convivência. Com a cessão do prédio ao TRE-PB, o casarão passa a funcionar como um polo de memória democrática, aberto à visitação de moradores, estudantes e turistas interessados na história das eleições e da participação política na Paraíba.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 10 de março de 2026.