O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) recebeu pedidos de auxílio das tropas federais para as zonas eleitorais de Itabaiana, Piancó e Bayeux. As solicitações — efetuadas no âmbito de consulta do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) — foram motivadas por conflitos com facções criminosas e pela polarização política extrema que ameaça a integridade do pleito.
Na 6ª Zona Eleitoral, sediada em Itabaiana, o juiz eleitoral apontou relatos de “guerrilha urbana e rural” decorrente dos confrontos entre grupos criminosos, gerando temor de coação direta sobre cerca de 19 mil eleitores.
Em Bayeux, jurisdição da 61ª Zona Eleitoral, a causa do pedido foi a expulsão de moradores de áreas de votação por facções criminosas.
Já em Piancó, atendido pela 32ª Zona Eleitoral, o propósito do reforço das forças federais foi a preocupação com o acirramento político, ilustrado por planos de atentados contra candidatos.
Em despacho, o presidente do TRE-PB, o desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, informou que as demais 65 zonas eleitorais do estado não indicaram necessidade de reforço federal. Dessas, a maioria (34) manifestou que o efetivo das polícias Civil e Militar do estado é suficiente para manter a ordem do pleito. Os outros 31 juízes eleitorais não emitiram qualquer manifestação, o que sugere que eles também não veem necessidade de reforço externo.
Trâmite
O juiz auxiliar da Presidência do TRE-PB, Rodrigo Marques, explica que a convocação de tropas federais segue um fluxo administrativo rigoroso. “Não é a partir da identificação isolada do juiz eleitoral que se convoca prontamente tropas federais”, ressalta.
Conforme o TRE-PB, os pedidos podem ser submetidos ao governador Lucas Ribeiro, às forças de segurança locais e ao Ministério Público Eleitoral (MPE).
“Caso compreenda a necessidade das tropas federais, a atribuição do TRE-PB é solicitar ao Tribunal Superior Eleitoral esse reforço. Essa requisição é feita diretamente pelo TSE ao Executivo federal, normalmente por meio do Ministério da Defesa”, complementa o magistrado.
A Justiça Eleitoral paraibana reforça o diálogo com as polícias Civil e Militar da Paraíba, no sentido de prevenir e reprimir delitos eleitorais, enfatizando que as tratativas com a Polícia Militar foram iniciadas com a realização das eleições suplementares ocorridas em Cabedelo em abril deste ano.
“[As tratativas] para outubro acontecerão de forma muito mais ampla, sofisticada e qualificada, para que possamos realmente impedir que as eleições no estado da Paraíba sejam contaminadas por qualquer tipo de força ou interesse pouco republicano que venha a impedir ou limitar o livre exercício do voto”, ratificou o juiz Rodrigo Marques.
TSE faz teste, nesta semana, para confirmar integridade de sistemas
Investigadores individuais e um grupo de pesquisadores que participaram da primeira fase da 8ª edição do Teste Público de Segurança dos Sistemas Eleitorais — o Teste Público da Urna — voltam ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), de amanhã até sexta-feira (15), para verificar se as contribuições feitas por eles para o aprimoramento das urnas eletrônicas e dos sistemas eleitorais foram efetivamente implementadas.
A etapa inicial do teste ocorreu de 1º a 5 de dezembro de 2025. A partir dos achados identificados, os participantes apresentaram sugestões de melhoria, que, agora, passam por validação no chamado “Teste de Confirmação”. A verificação será realizada das 10h às 18h, no edifício-sede do TSE, em Brasília.
Na etapa de dezembro, nenhuma das tentativas realizadas pelos investigadores conseguiu comprometer a integridade ou o sigilo do voto. Ainda assim, a Comissão Avaliadora recomendou a repetição de alguns planos de teste executados pelos participantes.
Nesta nova fase, o foco será confirmar se todos os aprimoramentos realizados pelo TSE corrigiram eventuais vulnerabilidades identificadas em dezembro a tempo das Eleições Gerais de 2026, marcadas para os dias 4 e 25 de outubro, quando ocorrem, respectivamente, o primeiro e o segundo turno do pleito.
Justiça Eleitoral celebra 30 anos de criação da urna eletrônica
Criada para eliminar riscos de fraude no processo manual, trazer mais agilidade ao voto e mais segurança às eleições, a urna eletrônica completa 30 anos de história nesta semana. Ao longo das décadas, o equipamento recebeu avanços tecnológicos, como leitor com tela touchscreen e maior capacidade de processamento e de memória, permitindo mais rapidez e eficiência durante a votação.
Na Paraíba, o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-PB) dispõe de pouco mais de 12 mil urnas eletrônicas, que serão utilizadas nas Eleições 2026. Os equipamentos ficam armazenados nos Núcleos de Voto Informatizado (NVI), localizados em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal e Cajazeiras.
Segundo o coordenador de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética (Coesc), José Cassimiro Júnior, as urnas passam por manutenção preventiva e corretiva no período que antecede as eleições. “Os técnicos realizam testes em todos os componentes e, caso seja identificado algum defeito, as peças são substituídas para garantir o pleno funcionamento no dia da votação. Após essa checagem, as urnas são lacradas”, explica.
História do equipamento
A criação de um aparelho mecanizado para coletar votos era um desejo antigo no país. “O Código Eleitoral de 1932 já previa a possibilidade de desenvolvimento de uma máquina de votar, com o objetivo de garantir segurança, transparência e sigilo ao voto”, lembra o coordenador da Coesc.
A necessidade de melhorar a segurança do processo eleitoral ganhou força nas décadas seguintes, especialmente diante das fraudes registradas no sistema manual de votação por cédulas. Um dos episódios mais emblemáticos ocorreu nas eleições de 1994, no Rio de Janeiro, quando mais de 80% das seções eleitorais apresentaram fraudes comprovadas.
Diante desse cenário, o então presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o ministro Carlos Velloso, defendeu a retirada da interferência humana do processo de votação e apuração. Em 1995, foi criada uma comissão, formada por especialistas em Tecnologia, para o desenvolvimento do sistema eletrônico de votação.
As primeiras urnas eletrônicas foram entregues aos tribunais eleitorais em 13 de maio de 1996. Naquele ano, o equipamento passou a ser utilizado nas cidades com mais de 200 mil eleitores. Em 1998, o TSE ampliou o uso para municípios com mais de 40 mil eleitores e, em 2000, todas as seções eleitorais do país passaram a utilizar, exclusivamente, a votação eletrônica.
Para Cassimiro Júnior, a urna eletrônica foi um divisor de águas, pois a Justiça Eleitoral brasileira é referência mundial no processo de apuração dos votos pela rapidez e confiabilidade. “Nós temos uma tecnologia de ponta, protegida por criptografia, assinatura digital, entre outras barreiras que garantem ao eleitor e à eleitora que o voto digitado é o voto apurado. Em poucas horas após o encerramento do pleito, conseguimos apurar os votos de mais de 150 milhões de eleitores com segurança, transparência e tecnologia de ponta. Portanto, a urna eletrônica deve ser motivo de orgulho para nós, brasileiros”, destacou o coordenador de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética do TRE-PB.
*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 12 de maio de 2026.
