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tabuleiro político

Prazo da janela partidária é aberto

publicado: 06/03/2026 09h34, última modificação: 06/03/2026 09h34
Deputados têm até 3 de abril para deixar suas legendas sem perder mandato e negociações já ocorrem nos bastidores
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Neste ano, eleitores vão às urnas em 4 de outubro para escolher presidente, governadores, deputados e senadores | Foto: João Pedrosa

por Eliz Santos*

Mudanças de partido, novas alianças e reacomodações políticas devem dominar os bastidores do poder nas próximas semanas. O motivo é a abertura, ocorrida na manhã de ontem (05), da janela partidária, período previsto no calendário eleitoral que permite a deputados federais, estaduais e distritais trocar de legenda sem risco de perder o mandato. O prazo segue aberto até o dia 3 de abril.

Durante esses 30 dias, parlamentares eleitos pelo sistema proporcional — caso dos deputados — podem migrar de sigla livremente. Fora desse período, a legislação eleitoral é mais rígida: o mandato pertence ao partido ou à federação pela qual o candidato foi eleito, e a saída sem justa causa configura infidelidade partidária.

Já para cargos majoritários, como presidente da República, governadores, senadores e prefeitos, a janela partidária não se aplica. Nesses casos, vence quem obtiver o maior número de votos, independentemente do desempenho da legenda. Por isso, esses políticos podem mudar de partido a qualquer momento, desde que respeitem o prazo mínimo de filiação partidária de seis meses antes da eleição.

Bastidores

Na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB), o início da janela partidária deve provocar uma série de rearranjos políticos. Nos bastidores da Casa, deputados estaduais já discutem a possibilidade de trocar de legenda, enquanto outros mantêm negociações discretas à espera de definições no cenário estadual.

Entre as mudanças em análise, o deputado George Morais deve deixar o União Brasil para se filiar ao Partido Liberal (PL), movimento que pode ocorrer em alinhamento político com o senador Efraim Filho. Já o deputado Caio Roberto estuda deixar o PL e avalia possíveis filiações ao Partido Social Democrata (PSD) ou ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Outro nome que também deve mudar de sigla é o deputado Chió — atualmente na Rede Sustentabilidade —, embora ainda não tenha definido para qual partido deve migrar.

Uma das maiores mudanças deve ocorrer no PSDB. A legenda corre o risco de perder nomes importantes da bancada, entre eles os deputados Camila Toscano, que não deu pistas da sua nova filiação; Tovar Correia Lima, que deve se filiar ao MDB; Fábio Ramalho, que deve ir para o PSD; e Manoel Ludgério, que também articula novo destino partidário.

Além disso, Felipe Leitão já deixou o Republicanos e se filiou ao MDB, enquanto Hervázio Bezerra e Júnior Araújo avaliam a saída do PSB.

Bancada federal

Entre os deputados federais, também há movimentações em curso. A saída de Mersinho Lucena do Progressistas (PP) é considerada praticamente certa.

Outra troca que já é tratada como encaminhada envolve o deputado Wellington Roberto, que deve deixar o PL para se filiar ao PSD. No último fim de semana, ele se reuniu com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, encontro interpretado como um indicativo de que o acordo está próximo de ser formalizado.

Já o deputado Gervásio Maia ainda avalia qual caminho seguir. Insatisfeito no PSB, ele pode migrar para uma das legendas que compõem a federação formada por PT, PV e PCdoB — movimento que teria como objetivo fortalecer seu projeto de reeleição.

Por outro lado, parte da bancada paraibana tende a permanecer nas atuais siglas. É o caso dos deputados Hugo Motta, Murilo Galdino e Wilson Santiago, do Republicanos; Aguinaldo Ribeiro, do Progressistas; Cabo Gilberto Silva, do PL; Luiz Couto, do PT; e Ruy Carneiro e Romero Rodrigues, do Podemos. O deputado Damião Feliciano também deve seguir no União Brasil. A legenda, no entanto, discute a possibilidade de formar federação com o Progressistas, o que pode alterar a configuração das alianças no estado.

Rumo às urnas

O encerramento da janela partidária, em abril, dá início à contagem regressiva para o pleito. Após a definição das novas siglas, os partidos terão de 20 de julho a 5 de agosto para oficializar seus candidatos durante as convenções partidárias.

Em 2026, os brasileiros irão às urnas para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados — federais, estaduais e distritais. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro, enquanto o segundo turno, onde houver necessidade, ocorrerá no dia 25 do mesmo mês.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 06 de março de 2026.