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TRE-PB celebra os 30 anos da urna

publicado: 14/05/2026 09h29, última modificação: 14/05/2026 09h29
Consolidação do voto eletrônico resultou em mais eficiência e credibilidade para o sistema eleitoral brasileiro
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Solenidade na capital integra as ações de combate à desinformação eleitoral previstas no Programa Eleições 2026 | Foto: Leonardo Ariel

por Paulo Correia*

O Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba (TRE-PB) realizou, ontem (13), uma homenagem aos 30 anos da urna eletrônica. A solenidade, que integra as ações de combate à desinformação eleitoral previstas no Programa Eleições 2026, reuniu autoridades e servidores na sede do tribunal.

Para o juiz auxiliar da presidência do TRE-PB, Rodrigo Marques, o equipamento consolidou-se como um dispositivo eficiente no pleito nacional. Ele destaca que a Justiça Eleitoral trabalha continuamente para manter a credibilidade do sistema.

“Não há nada tão perfeito que não mereça ser melhorado, e a tendência é que essas urnas, daqui a cinco ou 10 anos, tenham mais mecanismos de proteção”, afirmou.

O diretor da Escola Judiciária Eleitoral, o juiz Kéops de Vasconcelos, reforçou a importância da urna eletrônica como um instrumento fundamental para a democracia, garantindo a confiabilidade e a segurança do voto.

Segundo o magistrado, a evolução tecnológica constante é “um legado extremamente importante” dessas três décadas. Ele avalia que, a cada nova eleição, o aperfeiçoamento do sistema amplia, consequentemente, a segurança do voto.

Equipamento recebeu melhorias ao longo das décadas

Na Paraíba, o TRE-PB dispõe de cerca de 12 mil urnas eletrônicas, que serão utilizadas nas Eleições 2026. Os equipamentos ficam armazenados nos Núcleos de Voto Informatizado (NVI), localizados em João Pessoa, Campina Grande, Patos, Pombal e Cajazeiras.

Segurança

A urna eletrônica surgiu em 1996 com o objetivo de eliminar a intervenção humana na apuração e reduzir riscos de fraude no processo de votação.

O secretário de Tecnologia da Informação do TRE-PB, Vinícius Veloso, ressaltou que o projeto passa por constantes mudanças, visando incrementar sua segurança e confiabilidade.

“É uma evolução em termos de tecnologia, mas também em termos de processo, em que a sociedade e outras instituições podem acompanhar o trabalho da Justiça Eleitoral”, sustentou.

Para garantir a inviolabilidade do processo eleitoral, foram implementados diversos mecanismos de auditoria e fiscalização.

O código-fonte das urnas, por exemplo, é aberto para análise de mais de 10 instituições, incluindo partidos políticos, com um ano de antecedência das eleições. Além disso, testes públicos de segurança são realizados, nos quais universidades e até cidadãos comuns podem participar para avaliar a urna eletrônica.

Conforme José Cassimiro Júnior, da Coordenadoria de Eleições Informatizadas e Segurança Cibernética (Coesc), a premissa máxima de segurança é o isolamento total do equipamento de qualquer rede de internet. “Quando a gente diz que a urna não pode ser invadida, não é porque nós somos soberbos, mas porque somos humildes a ponto de entender e dizer para o eleitor que, se colocássemos na internet para facilitar o seu voto, ela fatalmente seria invadida”, explica.

Diante da crescente desinformação, a mensagem central da Justiça Eleitoral para o cidadão é a confiança no processo, recomendando que os eleitores busquem informações em seus canais oficiais.

Transição

O servidor Genedilson Monteiro, que atua no Núcleo de Sustentabilidade da Secretaria de Gestão e Inovação, ingressou no TRE-PB em 1996 e lembra que a apuração ocorria de forma manual, com a contagem individual de votos na presença de autoridades e a transferência de dados para boletins de papel.

“Se houvesse qualquer contestação de um ou de outro voto, aquela eleição ficaria suspensa. A gente teve caso de três meses para se esperar resultado de eleição de determinados candidatos”, exemplifica.

O servidor afirma que a urna eletrônica “revolucionou [as rotinas de trabalho] porque tudo aquilo que você fazia com 30, 40 pessoas numa seção eleitoral, a urna resolveu”.

“A urna eletrônica não é só a urna, e sim todo o sistema que foi gerado, que é confiável e seguro. Tive a alegria de participar desse processo, vendo essa confiança ser fortalecida, e me sinto como um dos pais desse equipamento, que faz hoje 30 anos de idade”, orgulha-se o servidor.

Legado

De acordo com o advogado e escritor paraibano Francisco Cartaxo Rolim, autor do livro Do bico de pena à urna eletrônica (2006), o processo eleitoral brasileiro foi marcado por diversas fraudes.

“[Somente] a partir da Constituição democrática de 1988, aí sim o processo eleitoral, ao lado da reforma partidária, ensejou finalmente o cenário [de segurança] hoje existente”, pondera.

Segundo o jurista, esse avanço permitiu o surgimento de novas agremiações partidárias e líderes políticos de camadas sociais antes sub--representadas nos Poderes Executivo e Legislativo. Ele defende que a segurança e a fidelidade das urnas eletrônicas são notáveis.

“O Brasil foi audacioso: implantou aos poucos o ‘plim-plim’ em toda nossa imensidão territorial, até mesmo nas longínquas comunidades dos nossos ancestrais povos originários! E mais: passou a exportar a conquista democrática para muitos outros países do mundo, lição de prática democrática, modelo para todos”, elogiou.

*Matéria publicada originalmente na edição impressa do dia 14 de maio de 2026.